Henrique Neto
Enquanto alguns candidatos a candidatos fingem que não querem embora querendo, outros não se importam de assumir o que verdadeiramente pensam. É o caso de Henrique Neto, que se prepara para anunciar a participação na corrida a Belém. Indiferente às críticas logo emanadas do próprio partido em que milita e ao desdém do secretário-geral – o que não surpreende, para quem se lembra do modo como tantos barões do PP se comportaram em relação a Manuel Alegre em 2006 – este ex-deputado socialista de 78 anos, antigo militante do PCP, correrá em pista própria. Com a independência de espírito que costuma caracterizar os nativos de signo Touro.
Prós – Nunca dependeu da política para ganhar a vida. Tem um notável percurso pessoal: oriundo de uma família operária na Marinha Grande, começou a vida profissional aos 14 anos como aprendiz na indústria da embalagem de madeira e chegou a empresário de sucesso na indústria de moldes. Medina Carreira vai apoiá-lo.
Contra – É um desalinhado, o que o coloca à margem dos circuitos dominantes na comunicação social. Mesmo muitos anos depois, o PCP não costuma perdoar a quem abandonou o partido. Não deixará de contar com a hostilidade de vários socialistas, que apregoam a pluralidade de opiniões mas cultivam a unanimidade de posições.

![1_54d6ca349139a[1].jpg 1_54d6ca349139a[1].jpg](http://3.fotos.web.sapo.io/i/B24117bcb/18162618_P3Crr.jpeg)
Confessa lá, Pedro: apanhou-te de surpresa ou surgiria de qualquer modo nesta série? 🙂
Boa pergunta. Estava na minha lista dos quarenta presidenciáveis, meu caro. Mas ele decidiu antecipar-se.
Caríssimo,
Lista de Quarenta ? Quarenta ? Safa!
Forte abraço
Tantos quantos os companheiros de Ali Babá, meu caro.
Um abraço.
Tirou-me as palavras do teclado …….
Dos muito poucos políticos (embora não de carreira, digamos assim) por quem tenho elevada consideração, apreço, respeito, estima até.
Fiquei muito agradavelmente surpreendido com a sua candidatura e só encontro um pequena reticência: cumprir os 2 mandatos da praxe, começados aos 79, é um bocado tardio.
As acusações de “bobo” e de pretender “quinze minutinhos de fama” definem bem a esterqueira onde refocilam os que o atacaram.
Até à data das eleições muito pode acontecer, mas votaria com entusiasmo nesse Homem.
As acusações que começaram a dirigir-lhe acabam por servir de bom material de campanha. Quem desdenha quer comprar.
Henrique Neto dispõe de artilharia suficiente para despedaçar muitos telhados de vidro armados em central de betão.
Esta frase já pode servir para tempo de antena.
Parece que o Eng. Henrique Neto não vê qualquer vantagem no acordo ortográfico (nem é da maçonaria). Incomensuráveis prós.
A candidatura à Presidência de Henrique Neto, socialista, vem colocar perante os olhos dos portugueses o problema que algum PS tenta manter inominável: o tema da corrupção.
Henrique Neto foi sempre claro quando Sócrates era primeiro-ministro: abusava do poder que tinha, não eram claros os motivos das suas decisões económicas, as grandes concessões outorgadas eram penalizadoras para os portugueses, estava a levar o país para a bancarrota. E, sobretudo, tinha trazido para o governo do PS a falta de ética e a discricionariedade.
Passados seis anos prova-se que os alertas de Henrique Neto deveriam ter sido ouvidos. Inclusive, a realidade ultrapassou os seus alertas. A fraude fiscal, o dolo no exercício de funções públicas e a corrupção transformaram Sócrates num arguido preso preventivamente.
Com António José Seguro, independentemente da apreciação política que se faça da sua acção, houve uma matéria em que ele fez um corte com o passado: o projecto político do PS não era a prática política de Sócrates, o PS é um partido em que a ética republicana tem de ser observada em todas as circunstâncias. Com esta agenda, António José Seguro, que politicamente herdou a bancarrota do governo de Sócrates, colocou o PS vitorioso em todas as sondagens de uma forma sustentada.
António Costa, levado ao colo pela esquerda do PS ( e de fora do PS ) e pela simpatia de grande parte da opinião publicada controlada pelos editores do costume ( que faziam das aparições taralhocas de Mário Soares a agenda política de cada semana ), era a fénix que vinha reconstruir o PS na sua “ alma ideológica”, com o aplauso dos socratistas, entretanto transformados em tropa de choque da ascensão de Costa. E António Costa, accordingly, baniu do discurso político tudo o que de mal Sócrates fez ao país.
Resultado: passado o tempo da hagiografia, Costa colocou o PS na mesma situação em que António José Seguro o tinha deixado. Com a agravante de, não se afastando da política de Sócrates, não se afasta da corrupção que ele representa.
A corrupção das elites é um tema eleitoral incontornável em 2015.
E, ao contrário do que algum mainstream gostaria, não vai ser uma agenda minoritária de grupúsculos políticos.
Vai ser a agenda principal dos eleitorados de centro esquerda e centro direita.
A candidatura de Henrique Neto é bem-vinda.
Vai obrigar o PS enfrentar os seus demónios.
De acordo no essencial, Maurício. Considero há muito que o PS devia fazer do combate à corrupção – e agora mais que nunca – uma das suas principais bandeiras eleitorais. Comete um erro de palmatória se não o fizer. Esse foi um percurso iniciado por Seguro, de facto. Mas nos últimos meses só temos visto o PS preocupado com as violações do segredo de justiça enquanto, espantosamente, aplaude as constantes, sucessivas e reiteradas violações do sigilo fiscal.
Vou destacar o seu comentário, Maurício.
Pedro,
Jamais pensei que Henrique Neto se aventurasse nesta epopeia.
Será porventura um grande candidato, com uma singela adversidade.
Não tem um aparelho partidário para o apoiar (por enquanto). E todos nós sabemos como isso é importante.
No resto até serei capaz de votar nele. Não se pode estragar…
Conheço-o pessoalmente, falei com ele várias vezes, já o entrevistei, e tenho a melhor das impressões dele.
Nos dias que correm, meu caro, ter ou não ter aparelho partidário como suporte não é determinante. Fernando Nobre, sem aparelho algum, chegou aos 14% em 2011. Manuel Alegre – com o aparelho socialista ferozmente contra ele – atingiu 20% em 2006.
Com 78 anos, talvez leve o meu voto.
Dificilmente aparece alguem acima desta idade.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/pr esidenciaveis-9-7096548
Seria possível um candidato a presidente anunciar que a ser eleito promoveria a feitura de uma nova constituição e revisão profunda da lei eleitoral? No caso de Henrique Neto avançar com essa ideia terá garantido o meu voto. A não ser que caído do céu aos trambolhões surja alguém mais credível que se proponha fazer uma limpeza higiénica num regime apodrecido.
Só o Parlamento está autorizado pela Constituição a modificar as leis.
Obrigado pela atenção, mas a duvida é se na propositura como candidato pode declarar a intenção de simplesmente fazer essa promoção. E bastaria até porque se fosse eleito (por voto directo como é o caso) isso significava vontade expressa dos eleitores, o que obrigaria o parlamento/partidos pelo menos a ponderar seriamente essa concretização. Para não dizer obrigação politica.
O candidato pode sempre emitir opiniões sobre essas e outras matérias. É até útil que o faça. Mas sem dar a ilusão de que tem poderes para o efeito.
É possível que leve o meu voto e é possível que consiga apoios financeiros relevantes. Vai fazer mossa, sem dúvida. Aliás, só aparecendo os propalados candidatos, é seguro que terá o meu voto.
O aparecimento do primeiro apressará outros. Fatal como o destino.
Eis o Homem “moldado” para o cargo…
Votatum nele!
Alea jacta est.
a independência de espírito que costuma caracterizar os nativos de signo Touro
O Pedro acredita mesmo nestes disparates dos horóscopos?
Você não é Touro?
Não. Tem mais onze hipóteses nas quais apostar.
Lavoura não é touro…
Só pode ser Carneiro…
Também não.
Está-se a ver que o horóscopo não serve mesmo para nada. Não conseguem adivinhar de que signo é um homem a partir da sua personalidade?!
” que não surpreende, para quem se lembra do modo como tantos barões do PP se comportaram em relação a Manuel Alegre em 2006″
PP? Não será PS? Lapso freudiano? 😉
E enquanto o Barreto não se decide são mesmo os “contra” que enunciou os que me levarão a votar nele, assim leve essa empresa até ao fim.
Confirma-se: há prós que são contras e contras que são prós.
O mais intrincado molde a fazer.
Molde de Belém.
Pois estou como todos e nem fazia ideia desse pecado original, decerto por juventude ignorante, da filiação no PCP. E como todos votaria neste, sem rebuços. Até lá vou aguardar, mas se este foi surpresa, oportuna e atempada, escolhido o timing já sai a ganhar – mesmo que o JN, por exemplo, não tenha dado sequer espaço na capa pelo alinhamento partidário que assume envergonhado e capcioso, digno da tropa de elite pela qual dá o cu e oito tostões. Por aqui se vê, já, o espaço me(r)diático de que gozará HN.
Mas conhecendo todos os outros e decerto alguns que estarão porvir mas são igualmente conhecidos e nada recomendáveis, eis que este acertou na mouche.
Gostei da pedrada no charco, para mais com as ratazanas a saltarem do esgoto. Boa publicidade para HN, óptima maneira de os bobos, parolos, sequazes sanguinários e demais mastins de lello no gatillo, darem precisamente tiros nos pés.
E ainda espero ver mais alguns desses chico-espertos a espernearem, mas é na pildra. Há boas nuvens no horizonte, como atestam as indirectas do recente acórdão sobre o 44.
Haja esperança que esta choldra comece a mudar. É tempo.
Já o Rei D. Carlos dizia isso há mais de cem anos, Zé Luís. Que o País é uma choldra.
Olha! É caso para dizer: A monarquia, afinal, pode esperar!
E há sempre a hipótese de D. Duarte Pio se candidatar à Presidência da República.