Presidenciáveis (24)


Pedro Correia,

 

Vital Moreira

 

Se o Presidente da República é o “garante supremo” da Constituição, porque não ter no Palácio de Belém um dos próprios autores da lei fundamental? Vital Moreira, que se gaba de nunca virar costas a desafios, certamente não desdenharia tal cenário. O professor universitário coimbrão que foi jovem estrela da Assembleia Constituinte e se distinguiu como parlamentar comunista antes de ter rompido com o PCP e passar a integrar a bancada do PS em São Bento tem mais currículo do que outros proto-candidatos que vão animando as manchetes. Desde que António José Seguro decidiu riscá-lo da lista de candidatos ao Parlamento Europeu, em 2014, tempo não lhe falta. E disponibilidade ainda menos.

Tem 70 anos. Signo: Escorpião.

 

Prós – A sua inabalável fidelidade ao socialismo, embora em várias versões (“real”, numa fase, “democrático” noutra). É co-autor (com Ana Gomes) de um dos mais lidos blogues políticos portugueses, Causa Nossa. E é manifesta a sua capacidade de gerar incidentes capazes de abrir telejornais, como ficou patente no 1º de Maio de 2009, quando se atravessou no caminho da ala mais dura da CGTP a troco de empurrões e cuspidelas.

 

Contras – À esquerda do PS, dificilmente recolheria votos – apesar de ter sido militante do PCP ou por causa disso mesmo. Tem no seu percurso político uma derrota categórica contra Paulo Rangel na corrida ao Parlamento Europeu. Não suporta críticas, o que indiciaria muitos “vetos de bolso” e pouca ou nenhuma cooperação institucional com qualquer primeiro-ministro.

0 comentários em “Presidenciáveis (24)”

  1. Não agradando ao PS, muito menos ao PCP, e não se estando a ver como é que o centro-direita o apoiaria, mais vale dedicar-se à pesca da enguia no rio Mondego.

  2. Vital Moreira, antigo cabeça-de-lista do Partido Socialista às eleições europeias em 2009, tem tecido duras críticas ao programa anti-austeridade e anti-troika do recém-eleito Governo helénico. No blogue Causa Nossa, Vital Moreira tem acusado Tsipras de ter um programa “pura e simplesmente irrealizável”, que levará a Grécia para a “bancarrota e para a saída do euro”. Mas as críticas do ex-juiz de Ratton não se destinaram apenas aos gregos: por cá, segundo Vital Moreira, a aproximação da esquerda portuguesa, com PS incluído, é de um “oportunismo pouco recomendável”.

    (Observador)

      1. Não se cruzaria uma vez que Freitas do Amaral não se move – permanece sempre, segundo diz, no centro do espetro político. Os outros vão da esquerda para a direita e vice-versa, mas ele está sempre no centro.

        1. O centro é que se vai movendo. Tanto pode ser Durão Barroso como Sócrates, Cavaco como Louçã ou Odete.

  3. Sem prejuízo de não ver nele, por várias razões, qualquer viabilidade como candidato presidencial, impõe-se dizer que, durante os últimos três anos, produziu o melhor conjunto de opiniões provindas do centro-esquerda que tive ocasião de ler na net, tendo sido particularmente duro (antes de mais, como técnico do Direito) com o militantismo do “Tribunal” Constitucional, e com a falta de um discurso intelectualmente honesto vindo da esquerda. É, ainda, das poucas pessoas que, de facto, tem tentado compatibilizar um ideário de esquerda (antes de mais, o combate à desigualdade e à exclusão social e a defesa do papel do Estado na Educação e na Saúde) com as realidades da economia actual (e da nossa integração na Zona Euro), criticando a protecção feroz de privilégios de funcionários e pensionistas que por cá passa por “esquerda” (o que impressiona, tendo em conta que foi uma coisa e é a outra). No que me diz respeito, tem sido um metrónomo do bom senso – coisa rara nesta terra (e até rara nele, noutros tempos… era um dos meus ódios de estimação no Público) – que apenas o abandonou nos dias que se sucederam à prisão de Sócrates, em que a paixão falou mais alto que a razão.

  4. Nos tempos do PCP não usava um penteado tão sofisticado – era mais barbeiro da Lisnave, tal como a sua então camarada Zita Seabra.

  5. Para mim, só uma “parelha” levava o meu voto:

    José Magalhães tendo como primeira-dama, Ana Gomes***

    “Tudo o que andasse no fundo… vinha ao de cima!

    *** Se forem casados com outrem, desquitem-se e casem.

    A Bem da Nação

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