Presidenciais (5)


Pedro Correia,

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A CAMPANHA QUE NÃO EXISTE

Estas presidenciais pós-natalícias têm vindo a transformar-se num nítido nulo, totalmente dominadas pela pandemia em curso. Os protagonistas políticos cederam palco aos virologistas. Existe apenas um vago ruído de fundo nos fugazes intervalos da monotícia Covid. A democracia segue dentro de momentos.

Ligada ao ventilador, em estado comatoso, esta campanha que já nasceu moribunda esteve ontem à beira de ser eutanasiada. Com o candidato favorito das sondagens, Rebelo de Sousa, a anunciar ao País que era portador de infecção. Quase todos os outros, que tinham estado com ele em dias anteriores, entraram em estado de prevenção profiláctica, recolhendo ao domicílio. E a campanha parecia ter congelado de vez.

Esta era a notícia da noite de ontem. A notícia desta manhã contradisse a anterior: Marcelo voltou a submeter-se ao teste e desta vez acusou negativo (“acusar negativo”, neste caso, é positivo, o que simboliza bem o quadro geral de trapalhada em que vivemos). O jornalismo mais cortesão pode respirar de alívio: como noutros tempos se escrevia, «Suas Majestades e Altezas passam sem novidade em suas importantes saúdes».

O destino parece sorrir ao hipocondríaco Marcelo, positivo-negativo. Os adversários estão anestesiados, a militância política ficou reduzida a quase nada, o quadro sintomatológico do País é alarmante – o que favorece a benevolente figura do Chefe do Estado, zelador e cuidador do reino. 

Quando o inquilino de Belém se constipa, os portugueses sentem-se engripados. Marcelo já atraía eleitores de vários géneros – agora atrai também o eleitor comovido que ontem sentiu um susto ao supô-lo atingido pelo malfadado vírus. Incluindo ainda alguns dos quase 700 mil compatriotas que em 1976 votaram em Pinheiro de Azevedo, à época internado numa unidade de cuidados intensivos devido a um enfarte de miocárdio.

Ao voto por antecipação, que este ano deve ser mais elevado que nunca, junta-se o voto por comiseração. Os adversários de Marcelo têm motivos para tremer. E não é do frio.

36 comentários em “Presidenciais (5)”

  1. Marcelo é tão catavento que consegue testar positivo E negativo.
    Vota a favor e contra.

    Esta eleição estava ganha à partida, não ajuda que os adversários sejam uns cromos (tipo Ana Gomes e o bom Tino) ou funcionários públicos dos respectivos blocos que vão picar o ponto partidário. Claro que há Ventura, o dito agente provocador, vamos ver quantos portugueses estão dispostos à nossa versão tuga do “Storming the Belém House”. Este ainda não se percebeu a estratégia, se a tem, se pretende ser o Sporting de Braga da Política ou se está em empréstimo para um regresso à titularidade no PSD.

    Entretanto temos um PM que, mais uma vez apertado, chama terceiros de anti-patriotas, vá lá que não são golpistas insurgentes, porque questionam mais uma trampolinice feita para arredar incómodos e ajudar amigalhaços. Tema que aliás tenho visto pouco explorado nos debates, afinal o PM terá razão, é um não-assunto.

    1. Eu acho piada ao sentimento geral em relação ao “Tino” “bom”. Ele de parvo não tem nada! Já anda na política desde o tempo de Guterres. Já se esqueceram? Portanto essa de não ser do ” sistema”,não cola. Tem a mania que é engraçado…

  2. Um nojo vergonhoso.
    Marcelo não faz campanha mas fazem-lha.
    Ontem foi ultrapassado o limite do descaramento, quando a propósito do seu teste, diferentes canais mostraram o, homem durante horas em primeiro plano, todo o tempo a encher o ecrã em poses e passeatas, enquanto para comentadores e concorrentes era reservado um minúsculo quadradinho num canto envergonhado.
    Decência novamente atirada ao lixo, a merecer um ruidoso coro de protestos. Entretanto intercalando positivos e negativos lá vai prosseguindo a sua publicidade paga, por efeito do dos milhões oferecidos que patrocinou.

  3. Desconfio que o senhor anda a ser testado por um eletricista auto que vai trocando os polos da bateria, conforme dá jeito
    Mas façam um favor ao povo.
    Deem o caneco ao homem e poupamos tempo e dinheiro.

  4. Os adversários de Marcelo não tremem estão congelados. A democracia está suspensa, o povo está confinado, o mundo faleceu a única coisa que está viva é o vírus.
    Esperemos que em 2050, e depois da hibernação mundial o Marcelo possa testar positivo/negativo e o ventura possa estar à frente de Ana Gomes.

      1. Estou proibido de respirar livremente.
        Aos fins de semana estou em prisão domiciliária sem ter cometido nenhum crime.
        Se digo que isto é tudo uma palhaçada para justificar o dinheiro que há de vir de Bruxelas, acusam me de ser negacionista, e se tiver algum vizinho ranhoso ainda me aparece a polícia à porta.
        Se expresso algumas ideias contra o sistema, sou banido das redes sociais.
        Se calhar é verdade, eu sou mesmo um exagerado e a democracia é mesmo assim.

  5. Como Marcelo é uma pessoa muito importante (VIP), fazem-lhe diversos e repetidos testes.
    Uma pessoa normal teria direito a um único teste e, se ele desse positivo, a pessoa seria colocada fora-de-jogo durante duas semanas sem apelo nem agravo.
    É a diferença entre uma VIP e um indivíduo normal.

  6. Boa tarde. É tudo mentira?
    Já me passou pela cabeça. Estas “cenas”, como evidenciado pelo Pedro Correia e alguns comentários também, opinião minha naturalmente, mostram quão comatoso está “isto” ! Provavelmente, o meu amigo António Maria Lamas tem uma certa razão, despachem lá isto de uma maneira ou de outra, porque de altezas estou saturado há muitos anos.
    Saúde.
    António Cabral

    1. Eleições no pico do frio invernoso e no pico da “terceira vaga” da pandemia. E em plena vigência do oitavo estado de emergência – algo excepcional que o PR e a AR banalizaram.

      Que campanha pode haver assim?
      Que mobilização do eleitorado pode conseguir-se desta forma?

      Havia mesmo necessidade de manter o calendário eleitoral num cenário destes?

  7. Quem é o ignorante no DN que escreve majestage com g? Além de um pasquim ranhoso e miserável que recruta comunistas brasileiros para rabiscar uns artigos nojentos, agora o DN também recruta analfabetos. (Não haverá grande diferença entre um comunista brasileiro e um analfabeto mas na verdade são duas despesas desnecessárias).

    Que decadência — mais valia terem fechado de vez há 10 ou 15 anos, sempre preservavam o bom nome.

  8. Quando comecei a ler o parágrafo, deste “post”, iniciado com um «O destino parece sorrir ao hipocondríaco Marcelo (…)», até já quase mais para o deprimido, veio-me à memória um daqueles diálogos dos velhos senis resmungões, de Os Marretas, que geralmente, por vontade dos seus criadores, só sabem dizer mal do que assistem como que uma obrigação, quer nos ensaios, quer nos espectáculos:
    Um deles (o Statler): Wake up you old fool. You slept through the show.
    O outro (o Waldorf): Who is a fool? You watched it.
    Mas como todos nós sabemos, na verdade, eles 2 são apenas 1 e o que me resta como “tuga” é, das duas uma: ou não sou português, ou não me sinto constipado ou engripado*… mas como o diabo até não apareceu, «A democracia segue dentro de momentos.» O culpado? Claro, o Pacheco Pereira! Sem ele, sem os conselhos sussurrantes dele, o RR até seria apenas um Santana Lopes, embora sem a pinta de D. Juan (ou para “liberais-nacionalistas”, aqui do DO: a do Zezé Camarinha). E, naturalmente, há quem não lhe perdoe isso…
    * Com lixivia a coisa vai ao lugar…

      1. Peço desculpa, Pedro. Pelo visto foi nabice minha, não saiu como pensava do telemóvel.
        Era apenas um comentário simples feito antes de se saber o último resultado: o Presidente tanto tentou, tanto tentou a fazer testes a todo o momento, que lá conseguiu um falso negativo. A pieguice em Portugal colhe resultados.

    1. Isso parece um campo de um modelo das Finanças*, mas nunca me deu esse resultado

      * P.S. os serviços públicos portugueses, na sua infinita inteligência, primam por fazer impressos indecifráveis escritos em jargão profissional que só eles percebem. Pudera, é para o chefe ver.

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