
UMA COISA EM FORMA DE ASSIM
As assessorias de comunicação e de imagem, por vezes, estragam mais do que ajudam. Repare-se em Ana Gomes: mal começou a campanha presidencial mudou por completo. Deixou de ser aquela estridente justiceira que surgia de dedo em riste nas pantalhas, num allegro molto vivace, para se recriar num pianissimo nada correspondente ao estilo a que nos habituou. Suavizou a voz, amaneirou-se, ganhou contornos de tia pronta a beber o chá das cinco em Seteais. Retirou os pontos de exclamação das frases, substituindo-os por reticências.
Imagino os assessores a imporem-lhe o novo estilo: «Tem de conquistar os votos moderados, tem de ganhar terreno ao centro.» Cumprem o papel que lhes cabe: formatam e plastificam candidatos em função das sondagens e de pesquisas internas junto de segmentos do eleitorado.
Mas com ela não resulta: sai uma coisa em forma de assim, para usar a saborosa expressão imortalizada por Alexandre O’Neill. Isso ficou ainda mais evidente no debate de ontem à noite na TVI 24 com Tiago Mayan Gonçalves, em que o candidato liberal – muito menos rodado nestas lides políticas e mediáticas – suplantou sem esforço a sua adversária.
Falando em ziguezagues, sempre à defesa, Ana Gomes esteve irreconhecível. E respondeu de forma atabalhoada às perguntas da moderadora, Carla Moita. Nomeadamente a propósito da progressão galopante do novo coronavírus, que nas últimas 72 horas causou mais 30 mil infectados em Portugal.
Confrontada com o tema, a candidata filiada no PS respondeu assim: «Eu não… não queria ter a responsabilidade que hoje os governantes têm e acho que é difícil e confio neles, naturalmente no pressuposto que eles estão a ouvir os especialistas… os cientistas… e tomarão as medidas que forem melhores e estou disponível para… para considerar o que é que é necessário para fazer do nosso… lado como candidatos a estas eleições.»
Tive de ouvir duas vezes para acreditar. Uma candidata à Presidência da República afirma solenemente na televisão que não queria ter responsabilidades nesta hora difícil de combate à pandemia – verdadeira prioridade nacional. Então candidata-se para quê ao cargo supremo do Estado português?
A pergunta ficou por fazer no debate. Mas faço-a eu aqui.

Então mas o que é que ela vai governar?
O que é que faz o cargo supremo do estado português?
Para distribuir medalhas, tirar umas selfies, e ” amandar uns bitaites ” não serve?
Se fizer a mesma pergunta a todos os outros candidatos, qual é a resposta que você espera ouvir?
Blá, blá, blá, defender o interesse superior da nação, será isto?
O Presidente da República é quem decreta o estado de emergência. Tem, portanto, uma influência fundamental na gestão da epidemia.
Claro.
Decreta ou banaliza o estado de emergência?
É uma pergunta para a candidata Ana Gomes?
Espere sentado.
Este já mostrou que é hipocondríaco e se lá continuar vamos ter estado de emergência até morrerem os vírus todos no mundo.
A Ana Gomes não ganha mas se servir para lhe pregar um ” cagaço” pode ser que o Marcelo deixe de ser tão cata vento.
Você hoje está num dia mau. Como é que uma candidata que se apressa a dizer que “não queria ter a responsabilidade que hoje os governantes têm”, face à pandemia, pode causar “cagaço” seja a quem for?
Lá está você, quer dizer, o Ventura está a subir nas sondagens deve ser por dizer coisinhas politicamente correctas.
Você por um lado crítica o facto de ela ter sido ” domesticada “, mas por outro lado também critica o facto de ela ser ” desbragada “.
Será que ela é também do Benfica?
Ela é anti-Benfica, como qualquer pessoa que não viva em bolha sabe.
Eu se fosse a si começava a pensar numa porta de saída. Ou numa janela, pelo menos. Viver sempre numa bolha deve fazer mal à saúde.
Olhe que não, olhe que não.
A DGS garante que as bolhas são a solução para a pandemia.
Digo eu que estou confinado.
Lamento dizer-lhe mas já foi visto várias vezes na rua com máscara apesar de se proclamar anti-máscara.
Se me viram na rua com máscara e porque havia recolher obrigatório. Eu só violo uma regra de cada vez.
Cata vento? Afinal, então ele não está sempre do lado do governo?
Está sempre do lado das sondagens, as sondagens estão a favor do governo, acha que ele está virado para onde?
As sondagens estão a favor do governo? Quais sondagens?
Alguma deveria estar a favor do doutor Rio?
No dia em que aparecer por aí um cata-anónimos você tem motivos para ficar preocupado.
Isso que põe na cara é uma máscara cirúrgica ou uma venda para os olhos, Carlos Sousa?
Lamento mas eu sou anti máscara.
Se as máscaras fizessem efeito, neste momento não havia surtos em lares.
E em relação ao resto da epidemia convém lembrar que o ano passado morreram mais de 122 000 pessoas. Sobrevalorizar um vírus que é responsável por um número irrisório de mortos em relação a outras doenças, penso que não é a melhor forma de gerir uma pandemia.
Quanto ao papel do presidente neste momento pouco mais faz do que a rainha de Inglaterra apesar do orçamento ser maior.
um número irrisório de mortos
Além de o número de mortos ser pouco significativo, o valor social das pessoas que morreram também é pequeno. Ainda não se ouviu falar de uma turma de alunos que tivesse ficado sem aulas por o professor ter morrido de covid-19, de um espetáculo de teatro que tenha sido cancelado por um ator ter morrido de covid-19, de uma loja que tenha encerrado por o lojista ter morrido de covid-19, etc. Praticamente toda a gente que morreu de covid-19 até agora era gente inessencial para a sociedade.
Em compensação, já se ouviu falar de montes de atividades que foram canceladas devido às intervenções desastradas e desassisadas da Direção-Geral da Saúde, que interditam pessoas perfeitamente sãs de trabalhar. É uma verdadeira Desgraça (Freitas).
“o valor social das pessoas que morreram também é pequeno”
Comentário da semana. Não, do século. Eu emoldurava e punha em destaque ali ao lado do título
Vindo de alguém que já aqui justificou o assassínio duma mulher por usar mini-saia, já nada espanta.
Pedro, perdoa a pergunta mas tem que ser…
O comentário do balio não é sarcástico? Ou irónico. Ou outra coisa qualquer que não aquilo que parece?
A da violação? De forma alguma era sarcástico.
Há aqui cada malacueco!
Cada mabeco…
Balio,
Por saber que existem pessoas capazes de dizer (e pior, sentir e dizer sem remorso) o que aqui escreveu é que acho o André Ventura um menino de coro armado em vendedor da banha da cobra. O Balio é o próprio veneno.
Está a pedir uma lição da vida para aprender a respeitar os outros.
Vendedor da banha da cobra? Bom, se ele tem o apoio de uns evangélicos é o vendedor do calcitrim da cobra, isto por se dizer que estes medicamentos milagrosos anunciados nas tvs e vendidos via net são comercializados por igrejas evangélicas.
Veja-se o tal medicamento anunciado pelo Balsonero.
Balio é a versão soft do Lavoura, que era versão hard do balio.
Quem presume que “inessencial” é uma palavra do léxico Português, também não faz cá falta nenhuma.
“Inessencial”?!
Chiça…
Você é anti-máscara mas já foi visto várias vezes com ela posta.
Bom dia Pedro Correia
Que esteja tudo bem consigo.
Essa é uma das perguntas.
E por estas coisas e por ter conhecido a senhora no início deste século, ao vivo, nunca votarei nela, como escrevi no meu blogue.
Saúde e muita resiliência. Melhor fds possível.
António Cabral
A embaixadora pretende ascender à Presidência da República, cargo em que lhe competiria a reponsabilidade suprema na gestão de todas as crises, incluindo a crise pandémica. E começa logo por declarar que “não queria ter responsabilidades”.
Que monumental tiro no pé.
Saúde, caro António Cabral.
Tal e qual.
O ameigar do tom e postura tem sido recorrente nos últimos tempos. Por cá já aconteceu com Catarina Martins – nos últimos anos um doce, nada comparável ao estilo aguerrido e inflexível que nos habituara nos debates da sic notícias. E nas últimas presidenciais do lado de lá do Atlântico chegou mesmo a Trump. Foi caricato vê-lo no segundo debate feito voz de rebuçado. É o corolário dos espaços onde se consome o conteúdo pelo aspecto do embrulho, sem querer saber do seu valor intrínseco.
E o pior é saber que a estratégia resulta em parte do eleitorado.
Trump será motivo para outros textos, sem confusão com a campanha presidencial em Portugal.
o candidato liberal suplantou sem esforço a sua adversária
Tem graça, hoje no painel de avaliadores da Rádio Observador todos os seis analistas tiveram a opinião oposta, de que Ana Gomes foi (embora só ligeiramente) melhor.
A minha opinião pessoal é que foi um empate, com ambos os candidatos a cometerem demasiados erros.
“A minha opinião pessoal” é uma expressão pleonástica.
Palavras a mais para uma ideia curta.
“A minha opinião pessoal” é uma expressão pleonástica.
Tem toda a razão.
a candidata filiada no PS respondeu «Eu não… não queria ter a responsabilidade que hoje os governantes têm
Foi um erro dramático de Ana Gomes: se ela não quer ter a responsabilidade que hoje os governantes têm, então deveria desistir da sua candidatura!
Daí eu ter escrito o que escrevi.
Tem razão. Peço desculpa. Quando escrevi o meu comentário ainda não tinha acabado de ler o seu post. O que foi, sem dúvida, um erro meu.
Ana Gomes respondeu de forma atabalhoada às perguntas da moderadora a propósito da progressão galopante do novo coronavírus
Pois, mas Tiago Mayan também foi trapalhão nessa questão. Posto perante a ridícula possibilidade de adiar as eleições, em vez de a rejeitar liminarmente – em concordância com a posição do seu (e meu) partido de rejeitar o estado de emergência – andou de lado como um caranguejo.
Isso deve ser rejeitado liminarmente. Ao contrário do que disse Rui Rio, para quem a democracia parece ter um valor apenas instrumental.
Uma hipócrita com !I” grande.
Uma chica-esperta a fazer pela vidinha – mas dão-lhe palco…
JSP
Eu prefiro criticar sem nunca insultar.
Agora estou confuso.
Não sei se esta é a verdadeira Ana ou a antiga no papel de Odete Santos.
Mal por mal preferia a antiga apesar da cópia.
A verdadeira é a antiga. Não pode ser esta.
Foi um mau debate.
Ana Gomes debita a cassete anti-neo-liberal, está a dois passos de ser a candidata independente do PCP à Câmara do Seixal.
O Mayan também pouco acrescenta.
Foi um empate justo, nenhuma das equipas mereceu vencer. O 0-0 é justo.
Acresce dizer que a Dra Gomes fecha o debate “à Ventura”.
Para além de desrespeitar a indicação de não responder e se limitar à pergunta final, ainda fecha com aldrabices variadas; o Mayan fala em responsabilidade política da Ministra das mortes não-covid, ela estende a acusação aos profissionais de saúde.
A embaixadora percebeu, mesmo no fim, que tinha perdido o debate.
Aí tentou introduzir temas que tinha omitido antes, quando já não havia lugar a réplica. O que nada adiantou.
Ficou mais claro ainda que tinha perdido. Mesmo tendo falado obviamente mais.
Ela não é embaixadora. Foi, já não é.
Não há ex-embaixadores. Tal como não há ex-actores ou ex-médicos ou ex-escritores ou ex-arquitectos.
Quando há um mês morreu Gonçalo Ribeiro Telles, ninguém falou nele como ex-arquitecto.
O título permanece mesmo quando já não se exerce.
Típico disparate de português obcecado por “títulos”.
Embaixador, médico, arquiteto, etc são profissões. Não são títulos. Os títulos são nobiliárquicos. Uma pessoa é conde toda a vida. Engenheiro ou embaixador, só o é enquanto exerce a profissão.
O resto é, como disse, conversa parva de portugueses que vivem obcecados pela doutorice. “O sr doutor”, “o sr arquiteto”, “a sra embaixadora”, “a sra engenheira”, etc etc etc. Raios que os partam!
Nada tão português como a dor de cotovelo.
Este seu comentário é a prova viva disso.
” Uma pessoa é conde toda a vida “.
Só se for o conde drácula ou o conde monte cristo porque se for um conde normal vende o título antes de chegar à reforma.
E então: que dizer de um ex Sportinguista que virou Benfiquista.
Quem? O actual presidente do Benfica, que já foi sócio do Sporting?
Não, o actual treinador. Não falando de antigos atletas do SLB sócios do Sporting
Mas o ser embaixadora é uma profissão que fica pra sempre? Mesmo que seja nomeada e não fazendo parte da carreira de embaixador do Ministério dos Negócios Estrangeiros?
Este comentador deve mesmo tirar-ts do sério, para escreveres esta barbaridade. Então actor é um título?
Então o primeiro ministro? Falas em Sócrates ou Passos Coelho como primeiro ministro, ou ex-primeiro ministro?
Então e um engenheiro que é actor? E depois vai para ministro? Coleciona títulos?
Sabes o que é um título?
Também és daqueles que faz questão de ter dr. no cartão multibanco? E que também te apresentas como dr… em pequenino… Pedro?
Que arrogância. E essa boca da dor de cotovelo ao comentador é de matar. A isso chama-se pequenez intelectual. Porque não é um “título” que faz de ti mais inteligente.
E já agora, o homem tem razão.
Há os alcoólicos, os ex-alcoólicos e os alcoólicos em recuperação.
Há os anónimos, os ex-anónimos e os anónimos em recuperação.
E há também os asnónimos, irrecuperáveis.
Como tu.
Conclui-se que não vamos eleger PR coisa nenhuma, mas sim quem melhor representa no teatro instalado.
E para isso já temos mestre insubstituível, com habilidades ensaiadas do farto compêndio das ilusões..
Sabe-se lá se vamos eleger seja quem for.
A notícia do dia é o do possível adiamento da eleição presidencial, algo nunca acontecido.
Por isso é que as ditaduras são mais seguras, nunca se muda.
Nas ditaduras é que costuma haver muitos anónimos, todos com pavor de irem parar aos calabouços.
Medo de dar o nome quando se emite uma opinião em democracia é algo inaceitável.
A notícia do dia é o do possível adiamento da eleição presidencial
Alguém aventou tal possibilidade, além de jornalistas (os quais, naturalmente, querem arranjar temas com que encher os seus noticiários)? Ou trata-se somente de especulação de jornalistas?
Que eu saiba, há prazos constitucionais para cumprir. Um Presidente da República não pode ficar no cargo indefinidamente, invocando um qualquer pretexto mais ou menos (in)verosímil. Se se adiasse a eleição agora, poder-se-ia voltar a adiar daqui a um mês, e daqui a dois e daqui a três. Na prática, o presidente continuaria a sê-lo até quando quisesse (ou até já todos os vírus terem falecido).
Raciocínio correcto.
Uma coisa curiosa no debate foi que no princípio dele os participantes se trataram cordialmente pelos nomes próprios (Ana e Tiago). Porém, mal Tiago Mayan fez uma acusação (já não me recordo de quê) a Ana Gomes, esta mudou o registo e passou a dirigir-se ao adversário por “doutor Mayan”. Claramente, Ana Gomes ficou desestabilizada, acusou o toque…
Também reparei.
Pumba! (sem dó nem piedade)
Talvez a mais confrangedora frase desta campanha.
Diria que que sobre essa pandemia podemos fazer mais, e se os políticos e os candidatos a tal não fazem, nós como cidadãos deveríamos fazer. 4953
Não se justifica que o voto, nos dias de hoje, tenha de ser presencial, muito menos numa situação pandémica.
Foram requeridas as novas tecnologias no nosso País, em todos os sectores, para ajudar no combate à COVID19. Como tal, as Presidenciais não deveriam ser exceção, antes pelo contrário, deveriam dar o exemplo, com uma eleição Presidencial segura e responsável.
https://peticaopublica.com/?pi=PT10
Merece ponderação mas já não vai a tempo da eleição presidencial.