Presidenciais (19)


Pedro Correia,

723877[1].jpg

 

António Sampaio da Nóvoa

 

De vez em quando alguém se lembra de tirar sugerir um ilustre catedrático para candidato presidencial. Nada que não tenha já ocorrido num passado próximo ou distante, nada que não venha a ocorrer algures no futuro.

António Sampaio da Nóvoa, reitor honorário da Universidade de Lisboa, é o académico mais em voga nesta saison pré-presidencial. Por cortesia de Mário Soares, que adora descobrir candidatos desde que deixou Belém (há cinco anos foi ele quem desafiou Fernando Nobre a avançar).

Nascido em 1954, Sampaio da Nóvoa distinguiu-se fora do perímetro universitário como orador oficial do 10 de Junho de 2012, tendo empolgado uns quantos espíritos com a sua peça oratória. “Foi o melhor discurso que ouvi na vida”, confessaram alguns dos que o escutaram.

É de esquerda, sem ortodoxias, mas assume-se como compagnon de route do PS desde que participou no congresso socialista de Novembro. Ostenta um currículo académico irrepreensível, com doutoramentos em Ciências da Educação (Genebra) e História (Sorbonne). Além disso já garantiu aos indígenas ter “uma relação forte com o País” – algo que soa sempre bem mesmo quando não percebemos ao certo o que significa.

 

Prós – Praticamente sem anti-corpos, ao contrário de quase todos os outros candidatos a candidatos. Tem o dom da palavra e apresenta-se bem (de cravo na lapela, a 25 de Abril).

 

Contras – Poucos sabem quem ele é fora dos círculos universitários. O apelido Nóvoa presta-se a trocadilhos demasiado fáceis, podendo confundir-se com névoa.

0 comentários em “Presidenciais (19)”

  1. Um inquérito de rua, como os que volta e meia são difundidos, perguntando “Sabe quem é Sampaio da Nóvoa?” conduziria por certo a uma esmagadora maioria de respostas “Quem? Não, não sei”, talvez a uma ou outra “Jorge Sampaio?”…

    Os seus discursos são do mais grandiloquente e oco (como a citação sobre a relação forte com o país bem exemplifica) que a paciência pode suportar, isto para não falar de afirmações completamente desconchavadas como “‘Não conseguirei viver neste país se surgir outro caso BES, gold ou Sócrates”. Ah não? E se fosse PR fazia o quê? Emigrava?

    Mais um da classe “Antes Manuel João Vieira”…

    1. Acrescento o seguinte:

      Os políticos estão em geral mal vistos? Certamente.

      Mas entendo que na PR portuguesa (que não é apenas decorativa) tem de estar alguém com passado e carreira política, que já se tenha sujeitado ao veredicto (político) do Povo, que esteja muito informado sobre os contornos da política, tanto no plano interno como no externo, que conheça a Constituição da República de cor e salteado, que esteja perfeitamente consciente dos poderes que deterá, que não alimente ilusões sobre o seu tipo de intervenção, que seja conhecido no âmbito internacional, e por aí adiante.

      Pára-quedistas, por muito respeitáveis que possam ser no seu campo de actividade, não me parecem de modo nenhum qualificados para tal cargo.

  2. Muitos títulos,tudo pela educação.Em tempos alguém lá muito de casa exultou:–Foi uma festa!.Adiante.Apoio do Pai,é bom para iniciar a corrida mas o velhinho tem preocupações diárias com a subida dos mares e o congelamento das cataratas niagarenses,temas que ainda não fazem parte da agenda presidencial de Nóvoa e o ancião não perdoa traições à cosa,digo causa.Conhecido entre pares,com aquela idade melhor fora…Mas o resto do país? Um ou dois discursos,cravo-ao-peito,barbas de semana.É aparecer mais vezes,discursar redondamente com vénias ocasionais ao Varufakis,não esquecer quem passa fome,sede e frio,e sobretudo deixar crescer as barbas,barbas de profeta,teremos um d. sebastião em quem votar.E o cravo,sempre.

  3. “O apelido Nóvoa presta-se a trocadilhos demasiado fáceis, podendo confundir-se com névoa”. Então, Sampaio.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *