Debate Henrique Neto-Marisa Matias
Qualquer político sonharia com um debate assim: ei-lo a expor a sua tese enquanto o suposto opositor passa o tempo a acenar com a cabeça em sinal de aprovação. Aconteceu ontem, na SIC Notícias, com Marisa Matias: a candidata do Bloco de Esquerda ia explanando os seus pontos de vista sobre a situação do País entre proclamações de concordância de Henrique Neto, sentado à sua frente.
“Se o saldo da balança comercial [portuguesa] não se degradou foi porque as pessoas deixaram de ter dinheiro para comer”, declarou a eurodeputada. Do outro lado da mesa, Neto anuiu: “De acordo.”
“Temos salários e pensões muito baixos, que foram muito atacados no último ano”, salientou Marisa. Neto não deixou lugar a dúvidas: “Cem por cento de acordo.”
“O trabalho com direitos é uma questão essencial. Temos uma sociedade onde não há trabalho e o que há é precário”, observou a candidata. Neto rematou: “Estou de acordo com tudo quanto disse.”
Ia o debate a meio e já não restavam dúvidas sobre quem levara a melhor: o empresário da Marinha Grande, cavalheiresco, desistia do confronto preferindo discorrer sobre a macroeconomia neste mundo globalizado. Marisa reconduziu a conversa à escala nacional, mostrando-se mais em sintonia com os eleitores. Pormenor talvez irrelevante: de poderes presidenciais ninguém falou.
Vencedora: Marisa Matias
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Frases do debate:
Neto – «Considero a subida do salário mínimo nacional uma vergonha nacional. Porque é pouco, obviamente.»
Marisa – «Não precisamos de estar zangados com tudo.»
Neto – «Peço aos portugueses que votaram em Cavaco Silva que não cometam os mesmos erros nesta eleição.»
Marisa – «Há candidatos que se apresentam a estas eleições como se o País lhes devesse alguma coisa.»
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O melhor:
– “Tenho a obrigação de defender a minha geração, que não conheceu outra coisa que não seja a austeridade”: Marisa Matias procurando mobilizar os eleitores jovens, mais seduzidos pela abstenção.
– Henrique Neto, um industrial com preocupações sociais: “Na minha empresa nunca tive trabalhadores a prazo.”
O pior:
– “Os partidos do arco do poder têm destruído o País.” A frase do ex-deputado socialista é sonante, mas de um populismo extremo.
– Há um ano, a eurodeputada do BE abraçava Tsipras nos comícios do Syriza. Hoje prefere nem falar da Grécia.

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