Presidenciais (15)


Pedro Correia,

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Debate Marcelo Rebelo de Sousa-Marisa Matias

 

Marcelo Rebelo de Sousa passou tantos anos a comentar a actualidade política portuguesa que é demasiado fácil desenterrar temas em que possa ter pecado por manifesta contradição. Ontem, no frente-a-frente que o opôs na SIC Notícias, o militante nº 3 do PSD foi vítima enquanto candidato à Presidência da República do seu sucesso enquanto comentador televisivo: Marisa Matias lembrou-lhe que, quando estoirou o caso BES, Marcelo tranquilizou os portugueses na TVI, assegurando que a banca “estava blindada” e manifestando “total confiança no governador do Banco de Portugal”.

Pelo segundo debate consecutivo, o ex-deputado constituinte viu-se remetido a posições defensivas, passando grande parte do tempo a justificar declarações proferidas em tempos idos. Fê-lo com o à-vontade que todos lhe reconhecemos mas não totalmente isento de desconforto, assegurando que “naquela ocasião seria uma irresponsabilidade da [sua] parte dizer o contrário do que disse” sobre o Grupo Espírito Santo.

A dirigente bloquista, embalada nas críticas e menos sorridente do que noutros debates, aproveitou para desferir uma estocada ao professor, acusando-o de “ter todas as posições possíveis por cada questão que aparece na sociedade”. É talvez a acusação que menos incomoda Marcelo, velha raposa da política. E a prova ficou à vista: minutos depois, estava ele a expressar acordo quanto à posição do primeiro-ministro António Costa sobre o Banif. Em tempo de campanha, não se dispensam votos.

 

Vencedora: Marisa Matias

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Frases do debate:

 

Marisa  – «Nem eu nem o doutor Marcelo Rebelo de Sousa escondemos os nossos apoios partidários.»

Marcelo – «Eu dei liberdade de voto no meu partido [durante a campanha do referendo ao aborto na década de 90].»

Marisa  – «Habituámo-nos a vê-lo como explicador do Governo nos últimos anos.»

Marcelo – «Concordei com a decisão do Tribunal Constitucional [que considerou inconstitucionais os cortes de salários e pensões].»

 

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O melhor:

– Marcelo Rebelo de Sousa adoptou um tom cordato que não perdeu do início ao fim do debate: é patente o seu objectivo de aparentar moderação.

– Marisa Matias falou por muitos portugueses ao contestar a solução encontrada por três governos para enfrentar problemas bancários: “Seis anos, seis bancos – tivemos o dinheiro dos contribuintes enterrado.”

O pior:

– A eurodeputada bloquista tem dificuldade em controlar os níveis de ansiedade, mesmo quando os debates lhe correm bem – como foi o caso.

– O ex-presidente do PSD falou já como Chefe do Estado eleito: “Eu não posso ignorar, como Presidente da República, que sou presidente de todos os portugueses.”

 

0 comentários em “Presidenciais (15)”

  1. acusando-o de “ter todas as posições possíveis por cada questão que aparece na sociedade”

    Desde que lhe paguem adequadamente, ele elaborará um parecer jurídico a demonstrar a (in)constitucionalidade de seja o que fôr que convenha ao pagador.

  2. A primeira parte do debate foi ganha claramente por MRS. Teve que relembrar a candidata apoiada pelo BE que existe a distinção entre a convicção pessoal enquanto cidadão e o papel de Presidente da República que deve ter em conta a sociedade civil, Parlamento e governo eleito.
    Não é a primeira vez, de resto, que se nota que Marisa e vários outros candidatos não compreendem a função e o perfil do cargo a que se candidatam.

    De acordo com o restante do que foi escrito. Marcelo passará todos estes debates a defender-se, não só porque foi comentador todos estes anos (o material não é pouco como disse), mas sobretudo porque é o principal favorito a vencer. Para os candidatos da esquerda é fundamental forçar a segunda volta, apesar de continuarem reunidas as condições para uma vitória confortável na primeira).

    1. Julgo que MRS tem até alguma conveniência táctica em perder certos debates, com chamados candidatos ‘menores’, desde que seja à tangente. O pior seria aparecer com pose de arrogância, que aliás não condiz com ele.
      Há dois debates que tem de vencer. Com Nóvoa e Belém.

  3. MRS só tem de gerir a vantagem. A candidata do be, como alguém que praticamente nada fez na vida além de jotinha lá vai tentando animar a festa. Os nossos pseudo intelectuais gostam.

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