Debate Edgar Silva-Sampaio da Nóvoa
O candidato apoiado pelo PCP transmite uma sensação de desconforto por usar agora fato e gravata. Falta-lhe espontaneidade e alegria. Disso parece ter-se apercebido Sampaio da Nóvoa no debate que travaram ontem à noite na TVI 24: “Eu já dei quatro voltas a Portugal, faço campanha com enorme alegria.”
Ficava marcado algum contraste entre dois candidatos que se equivalem no plano da retórica: ambos recorrem a um prolixo vocabulário para exprimir ideias que talvez fossem emitidas com mais eficácia com menos palavras. Deve reconhecer-se que, à partida, a missão de Nóvoa estava facilitada: competia-lhe não beliscar o eleitorado do PCP, que poderá vir a ser-lhe útil – e esse desígnio foi cumprido. Edgar, pelo seu lado, deixou por esclarecer o motivo que o levou a avançar, já após as legislativas, quando o antigo reitor da Universidade de Lisboa se encontrava há meses no terreno.
Incapaz de estabelecer diferenças de conteúdo face a Sampaio da Nóvoa, o ex-sacerdote madeirense procurou vislumbrá-las numa eventual subalternização das questões do emprego nas propostas do seu opositor. Demonstrou assim não ter lido a carta de princípios de Nóvoa, como este facilmente esclareceu. Mas, talvez por esquecimento, o catedrático omitiu o maior trunfo de que dispõe nesta matéria: o apoio à sua candidatura por parte de Carvalho da Silva, que durante um quarto de século liderou a CGTP. Coube a Paulo Magalhães, moderador do debate, assinalar tal facto.
O jornalista perturbou ainda Edgar com uma pergunta que ameaça tornar-se um clássico: “Considera a Coreia do Norte uma democracia?” O membro do Comité Central do PCP, embaraçado, falou muito mas deixou a pergunta sem resposta. Já vimos este filme em algum lado.
Vencedor: Sampaio da Nóvoa
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Frases do debate:
Nóvoa – «Esta candidatura nasce da cidadania, sem ter esperado por partidos.»
Edgar – «O apoio do PCP é um certificado de garantia.»
Nóvoa – «O conhecimento não está só nas universidades: o conhecimento está nas pessoas.»
Edgar – «A reestruturação da dívida permitiria construir cerca de 30 hospitais em Portugal.»
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O melhor:
– Sampaio da Nóvoa promete uma “presidência de proximidade”, apelando implicitamente aos portugueses que contribuíram para a eleição de Mário Soares.
– Edgar Silva introduz a poesia na campanha ao invocar a “defesa da nossa casa comum” e sublinhar a necessidade de “ouvir o grito dos pobres e o clamor da terra”.
O pior:
– O ex-reitor da Universidade de Lisboa continua a refugiar-se em proclamações genéricas, demonstrando dificuldade em descer ao concreto.
– “Se eu fosse… ou vier a ser Presidente…” Este lapso verbal demonstra que o ex-sacerdote tem pouca fé nas suas possibilidades de vitória.

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O jornalista perturbou Edgar com [a] pergunta “Considera a Coreia do Norte uma democracia?”
Eu gostava de saber que raio tem essa pergunta a ver com a presidência da República Portuguesa à qual Edgar se candidata e que raio tem o jornalista que fazer perguntas que nada têm a ver com o assunto que está em questão – a presidência da República Portuguesa.
Para o Luís Lavoura não é curial saber a definição do que é a Democracia que um candidato a Presidente da Republica tem.
Pelos vistos não devemos saber se podemos vir a ter um Presidente da Republica que considera Democrático um regime que fuzile alguém que escreve um poema que desagrada ao regime.
Presidente da Republica que é o chefe supremo das Forças Armadas ou seja da possibilidade de realizar violência organizada em Portugal.