![thumbnail_20201030_153215[3].jpg thumbnail_20201030_153215[3].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2021/21999923_uTBYE.jpeg)
UM CONVITE A CAÇAR CEDILHAS
Há palavras que nunca devem ser usadas na propaganda política. Uma delas é a palavra “Força” – destacada nestes cartazes destinados a promover a candidata Marisa Matias. Inútil explicar porquê: basta um ligeiro retoque para dar lugar a Forca, algo de que todos fogem e ninguém elege. Apetece perguntar onde teria a cabeça quem produziu tão infeliz ideia.
Se isto acontecesse há uns anos, confesso que me espantaria. Porque o Bloco de Esquerda habituou-nos a ser bom na propaganda. Acontece, no entanto, que as coisas mudam: alguns dos seus membros mais qualificados nesta área migraram discretamente para o PS ou desiludiram-se do activismo político, desligando-se do partido. Os que foram ficando ou surgiram depois têm muito menos engenho e arte. E percebem pouco ou nada das subtilezas da língua portuguesa.
Só me admiro que a candidata, dotada de sensibilidade política, tenha avalizado esta lamentável palavra de ordem. Que só baralha e nada diz – além de estimular a caça à cedilha por parte das hostes adversárias. Devia ter vetado isto, alegando motivo de força maior. Sem ambiguidades verbais de qualquer espécie.

Bom dia Pedro Correia.
Mas para lá do que realça e com que concordo sem reservas, creio que uma questão de base é que a “agremiação” sempre foi um ninho de imensas ambiguidades. Todos os partidos as têm, mas este parece-me um dos mais salientes nesses aspecto.
Saúde.
António Cabral
Sim, caro António Cabral, disso há em todos os partidos. O BE, que se propunha “fazer diferente”, não é excepção.
Saúde.
“Força maior” significa em Direito um motivo impeditivo do cumprimento das obrigações e que por isso justifica o não cumprimento. Se a ideia é justificar que não se vote, acho que é um slogan bem esgalhado.
Pois, Luís. A coisa funciona ao contrário.
Como veremos domingo à noite.
Caça-gralhas em acção: “tenha dado o aval”, não “tenho dado o aval”. E isto não fui eu à “caça à cedilha” 🙂
Obrigado, João. Aliás aproveitei também para eliminar o artigo definido.
No exercício permanente de limar a prosa, além da supressão de gralhas, este deve ser o primeiro passo: suprimir artigos em excesso e pronomes relativos a mais. Quando há muitos “ques”, o texto segue aos solavancos. São quase sempre substituídos com vantagem por pontos finais.
Atrever-me-ia a questionar a expressão “dotada de sensibilidade política”. Mas antes de poder vir a cometer algum erro de interpretação, pedia-lhe para explicar com que base sustenta que Marisa Matias tem essa sensibilidade.
Do que vejo, Marisa Matias não tem sensibilidade política nenhuma. Aliás, a determinação em assumir que recusaria empossar um governo legitimamente eleito, caso determinado partido dele fizesse parte, demonstra essa ausência de sensibilidade. E de responsabilidade também. Mais grave, é o silêncio de respostas, para fundamentar como o faria. Ora isso não é sensibilidade, é imaturidade e falta de cultura política.
Sobre a fuga de determinados afiliados para outros partidos, nada de estranho. Nada de estranho, a partir do momento que o BLOCO trai o seu eleitorado, aquando da gerigonça. O bloquista é por natureza um anti sistema, um agitador, um reacionário. A colagem do BLOCO ao PS, foi uma traição aos seus princípios à sua natureza. E isso pagou-se nas últimas eleições, pagar-se-á mais caro nestas e, caso a direção não mude de rumo e regresse às origens, mais caro se pagará nas próximas.
Mas o BLOCO percebeu isso, como se viu com o último orçamento do estado, ao tentar descolar-se daquilo que tinha feito.
Veremos se ainda vão a tempo. E veremos se a determinação cega em impedir a direita de chegar ao poder, os irá seduzir novamente a mais uma traição de princípios.
Que boa parte das “deserções” no BE sejam para o PS (partido do sistema por excelência, que governou Portugal em 18 dos últimos 25 anos), parece desmentir a natureza anti-sistémica de muita dessa militância bloquista anterior.
18 do último quarto de século.
Começam a perder forca aqueles argumentos de que a culpa é do Passos e do Cavaco. Ou então não.
Em percentagem, governaram 72% destes 25 anos.
E alguns ainda se atrevem a atribuir culpas a terceiros por tudo quanto vai mal (e é imenso) neste país.
Há algum tempo discutia sobre desenvolvimento, autoestradas e o betão, e claro que a culpa era do Cavaco. De cabeça não sabia quantas autoestradas já haviam sido feitas após o Sr de Boliqueime sair, mas pelos argumentos, deviam ser zero.
Entretanto, e porque sou péssimo com datas, depois fui ver quando o senhor cessara funções. Há 25 anos atrás. O homem do leme saiu do Governo há 25 anos, e tudo o que de mau acontece hoje é ainda responsabilidade dele. Em 25 anos não houve tempo para corrigir o que fosse.
Claro que se quisermos ser sérios, os grandes culpados do atraso do país são o Passos, o Cavaco, e o Salazar, em menor escala talvez o Marquês de Pombal e o D. Carlos, e o D Afonso Henriques.
O motivo é a traição, defraudar das expectativas. Para isso, colam-se ao PS, que não defrauda ninguém. É o que é. É aquilo que nos habituou. Para se estar num partido do sistema, mais vale estar naquele que lidera o sistema e não numa imitação.
O PS é o partido do sistema por excelência. O partido de 3/4 do sistema.
O outro 1/4 cabe ao PSD, com tendência para diminuir a um ritmo cada vez mais veloz.
Para pertencer ao sistema mais vale ser num partido onde possam ganhar alguma coisa. Um cargo de assessor, de secretário de estado, de direção num qualquer organismo público.
O galamba é um bom exemplo. Andou a fazer de sapa nas redes sociais, primeiro no BLOCO depois foi seduzido pelo PS e agora é sec. Estado. Um energúmeno daqueles.
Os ideologismos são muito bonitos para estes caviares, mas a corrupção é mais atrativa a partir de certo ponto. E defender os pobrezinhos é muito giro, mas dinheiro para andar em bons carros, viver em boas zonas longe dos pobrezinhos e comprar iphones, é ainda mais giro.
Porque o Bloco de Esquerda habituou-nos a ser bom na propaganda
Sempre com erros de Português (o mais comum é o “mais que” em vez de “mais do que”), que traduzem o jargão do funcionalismo público lisboeta.
Outro erro comum, generalizado à esquerda e à direita, é o “ter que” em vez de “ter de”.
…também “enbater contra” os principios….. é comum!!!
Tanta vez vejo isso escrito ou dito…
Arrepiante – e não é do frio.
Essa é igual o “ir de encontro” em vez de “ao encontro”.
“Repetir novamente” um erro ortográfico….! embater..
Não percebo ao certo o porquê destes cartazes. Nos antigamentes havia apenas dois canais de TV, uma edição (matutina ou vespertina) de jornal e a rádio. E as pessoas ao longo do dia dificilmente tinham acesso a notícias. O cartaz servia como publicidade, mais que como campanha (junto com as canetas, autocolantes, e palas). Se calhar muita gente nem sabia que certo candidato o era antes de ver os cartazes. Hoje parece um anacronismo.
Quanto ao dito cartaz, não sou consultor de imagem ou perito em comunicação, mas tudo aquilo parece-me tão pelintra. Acho, esqueci o acho. Uma foto digna da DGV, fundo branco, uma palavra de ordem. Qualquer puto com o paintshop fazia uma coisinha mais apelativa aos olhos.
Concordo em absoluto consigo. Coisa indigente.
Hoje é sexta-feira. O postal é dois em um: a candidata Marisa Matias vale como belle toujours?
De forma alguma, Isabel. A “belle” desta sexta já ali está, mais acima. Também vestida de vermelho, mas diferente da candidata presidencial.
Coitadinha da Marisa, já não bastava a cor dos lábios, agora até implicam com a cedilha…
# forcamarisaforca.
A língua portuguesa é muito traiçoeira. Sobretudo para quem a desconhece.
Com o novo acordo ortográfico os ” hashtags” certificam os erros traidores.
Esse acordo é uma bênção para quem erra. Porque veio, ele próprio, instituir o erro.
Comuma força
Comuma força
Que ninguém pode parar
Nelly Furtado, 2004.
Bons tempos. Que saudades.
Só uma perguntinha : o Sr. Pedro Correia é do Benfica?
Só uma pergunta: o senhor Anónimo como se chama?
Sou o Alberico
Paraguaçu?
Força Maior faz-me lembrar Força Itália.
Expressão berlusca.
Do burlesco Berlusconi.
Aqui há anos o Louçã tinha um cartaz que dizia “eu curto”. Dava azo a escrever “eu comprido”.
Antes curtir que cortar. Diz o velho provérbio popular português que acabo de inventar.