
DEBATE MARCELO-VENTURA
André Ventura teve ontem direito ao seu momento Basílio Horta. Confrontando o poderoso e popular Chefe do Estado que se recandidata a mais cinco anos como inquilino do Palácio de Belém.
O fio do tempo segue percursos sinuosos. Herdeiro espiritual de Basílio em eleições presidenciais, Ventura só tinha oito anos quando o fundador e primeiro secretário-geral do CDS concorreu à Presidência da República com um feroz discurso da direita “fracturante”. Culminado num célebre frente-a-frente com Mário Soares nessa campanha presidencial de 1991. A notícia foi ele, por ter afrontado o recandidato apoiado pelos dois partidos maioritários, PSD e PS.
Destronar Soares – ou sequer forçá-lo a disputar uma segunda volta – parecia tarefa impossível. E era mesmo: o Presidente recandidato obteve 70,4% nas urnas, esmagando Basílio, que se contentou com 14,2%.
O curioso, nesta vida política portuguesa pautada pela falta de memória, é assistirmos a repetições que parecem novidade aos incautos. Ontem, no debate entre André Ventura e Marcelo Rebelo de Sousa na SIC, o deputado único do Chega esteve para o seu adversário como a réplica exacta de Basílio naquele frente-a-frente de 1991. A mesma fluência verbal, a mesma repetição de frases sincopadas e façanhudas, a mesma invocação da “verdadeira direita” – de músculo forte, em desprezo absoluto pelos fracos.
Com simetria quase perfeita. Na altura, Soares era acusado à direita do PSD de contemporizar em excesso com o Executivo de Cavaco Silva, tal como Sousa agora recebe farpas pela sua excessiva aproximação ao Governo de António Costa.
Faltava quem corporizasse tal causa. Coube o turno a Ventura, que se apresentou em estúdio com duas fotografias: na primeira via-se o Presidente com várias pessoas, incluindo um presumível delinquente; na segunda, datada de Junho de 2017, com Marcelo junto a um senhor já falecido, na altura em pranto por ter perdido os bens na catástrofe de Pedrógão.
Houve um tempo, neste país, em que os mortos também votavam. Agora servem para caçar votos, quando todos os meios se tornam lícitos para atingir os fins. Talvez nem o arguto Marcelo esperasse tal estocada: fez bem, de qualquer modo, em não trocar cromos com Ventura. Se o fizesse, poderia mostrar imagens enternecedoras da criatura junto ao criador, Luís Filipe Vieira, que iniciou Ventura nas lides televisivas como seu fiel discípulo no canal do Benfica.

O inquilino de Belém optou inicialmente pela via pedagógica, estabelecendo diferenças entre a «direita social», a que ele pertence, e «a direita securitária, a direita do medo», corporizada no antigo comentador de futebol.
Estabeleceu fronteiras em matéria de valores. Considerando inaceitável, por exemplo, que alguém tente reintroduzir penas perpétuas em Portugal.
Ventura deu-lhe réplica, bem ao seu estilo: «Eu não vou ser Presidente dos traficantes de droga, dos pedófilos, dos que vivem à custa do Estado com esquemas de sobrevivência paralelos enquanto os portugueses de bem pagam os seus impostos.» E garantiu que a prisão perpétua vigora na maioria dos países da Europa. É falso, mas o timoneiro do Chega sente alergia aos factos quando atrapalham a sua narrativa.
Em 1991 Basílio conseguiu irritar Soares, que entrou em estúdio com ar pachorrento. Ventura seguiu idêntico guião em 2021: a gota de água, para que Marcelo abandonasse o terreno da amabilidade, foi a exibição da fotografia com o senhor já falecido, entre crescentes insinuações acerca da indiferença presidencial perante a tragédia dos incêndios florestais.
«Se há exemplo de doação minha integral é o dos fogos. Os portugueses lembram-se. Eu estive lá! Eu estive lá! Eu estive lá! Não estiveram muitos políticos, mas eu estive lá!» E, sem desviar os olhos de Ventura: «O senhor andou lá? Foi lá ver? É uma demagogia barata.»

Naquele instante, o seu antagonista cumpriu um desígnio táctico: conseguira que Marcelo perdesse a compostura presidencial. Imagino Basílio a sentir o mesmo perante Soares há 30 anos, ao desfiar-lhe o novelo dos escândalos de Macau.
Mas o candidato do Chega, dominado pela vertigem da velocidade, não se satisfaz com pouco. Pisou ainda mais o acelerador acusando Marcelo de ser «manipulado pelo Governo».
Seguiu-se este breve diálogo, com o Presidente à defesa:
– Fiz o discurso mais violento que houve contra o Governo.
– E consequências disso?
– A ministra da Administração Interna pediu a demissão imediatamente.
O comentador Marcelo apenas cerebral, destituído de emoções e afastado do palco da política, teria aconselhado o recandidato a não ir por aí: exonerar ministros recorrendo a discursos não integra o rol de competências do Presidente da República. Nem a revelar o conteúdo das conversas que trava com os seus convidados no Palácio de Belém, como Rebelo de Sousa fez já no final do frente-a-frente: nestas coisas convém nunca abrir precedentes, sejam quais forem os estados de alma do titular do cargo.
De qualquer modo, Ventura só venceria o debate – muito bem moderado por Clara de Sousa – se aquilo fosse um concurso de frases sonantes. Para azar dele, a política é muito mais que isso.
Nesta campanha, o solitário parlamentar do Chega apenas triunfará se forçar Marcelo a uma segunda volta. À falta disso, resta-lhe um prémio de consolação: conquista o Troféu Basílio Horta.
Aos mais distraídos, convém recordar que o candidato da “verdadeira direita” nas presidenciais de 1991 é hoje presidente da Câmara de Sintra, eleito pelo Partido Socialista.
A vida dá muitas voltas. E a geometria partidária também.
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Frases do debate:
Marcelo – «Eu sou da direita social, centro-direita, direita social, que se reconhece na doutrina social da Igreja, no Papa Francisco, na preferência pelos pobres, pelos explorados, pelos oprimidos, pelos dependentes.»
Ventura – «Eu só posso ficar desapontado, à direita, com a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.»
Marcelo – «Eu não faço das presidenciais umas primárias das legislativas, eu não tenho várias agendas ao mesmo tempo.»
Ventura – «[Marcelo] passou os últimos anos a desacreditar o centro-direita.»
Marcelo – «Eu sou Presidente de todos os portugueses. Dos desempregados, dos pobres, dos imigrantes.»
Ventura – «Marcelo Rebelo de Sousa é manipulado pelo Governo.»
Marcelo – «Eu não tenho nada a ver com a sua direita.»
Ventura – «Será que alguém de direita, que esteja bom da cabeça, pode votar Marcelo Rebelo de Sousa?»

No concelho de Sintra, também, há orgulhosos descendentes do povo Rom, conseguirá Ventura (no futuro) como candidato do partido socialista ser eleito presidente de Sintra guinchando contra a referida etnia?
Interrogo-me como reagirá quando alguém lhe mostrar uma fotografia onde ele figure rodeado de elementos da putativa claque benfiquista No Name Boys, de onde já emergiram pelo menos dois homicidas.
Sobre RSI Ventura dispara como o Lucky Luck. Sobre o calote de Vieira…pchiummm
Lucky Luke
E o Lucklucky das caixas de comentários.
Chamaram?
Não será (A)Ventura do Dito Cujo vir a reintegrar-se no seio partidário onde nasceu? A substituir esse Rio que não parece saber para onde corre?
Funcionando Basílio Horta como referência e guião, ainda havemos de vê-lo no PS.
“Disparate”, diriam de um cenário destes os socialistas em 1991.
Marcelo Rebelo de Sousa é um Presidente Humanista ao contrário de André Ventura que é um trauliteiro da cartilha vermelha.
Marcelo venceu debate.
Mas Ventura, recebendo o Troféu Basílio Horta, também lucra alguma coisa. Ainda chegará a presidente – de uma câmara.
Resta saber com que sigla.
“sigla.”
SLB
Venceu? Não sei porque diz isso. A ver aquilo que se diz o Ventura ainda não ganhou nenhum debate e no entanto continua a subir na sondagens. Mas claro que é porque os portugueses são todos estúpidos. Só os que os que dizem mal dele é que são os inteligentes.
E quando diz que é mentira a maior parte dos países da Europa terem pena perpétua, não está a dizer a verdade. A maior parte dos países apenas não lhe chama perpétua mas aplica penas de 300 anos. Não é a mesma coisa? Só não viu quem não quis que Marcelo meteu os pés pelas mãos. Principalmente na parte do afastamento de ministros. Onde disse que não podia sugerir, mas 2 minutos antea assumiu que sugeriu o da mai da altura.
Por amor de deus. O gajo andava de mão dada com o salgado e vêm para aqui falar do Vieira
“O gajo”?
Não há como aparecer de cara tapada para insultar à vontade alguém que se odeia.
O ódio ideológico anda a contaminar qualquer debate político. Porque medra no anonimato.
Gostaria de saber se você (seja lá quem for) falaria assim com Marcelo Rebelo de Sousa se estivesse frente a frente com ele.
Ódio? que desplante. Você faz propaganda de ódio ao Ventura desde que ele apareceu na cmtv. Mas como é o Ventura já pode. Pois, está na moda.
Pergunto o mesmo. Falaria assim com Ventura, como escreve aqui sobre ele?
Fale da vergonha que é exibir uma reportagem sobre o chega, manipulada e cheia de enganos, dias antes das eleições. Não fala sobre isso nem sobre o jornalismo ao serviço do ps que vigora no país? Faça um favor à democracia e meta aqui posts a sério sobre problemas verdadeiramente sérios e que põem em causa a liberdade. Falar de ditaduras, quando no mesmo canal passam aquela reportagem encomendada? E ninguém diz nada? Fazer uma entrevista a um candidato, com um jornalista comprado e que só faltava dar com um pau ao entevistado? E posts sobre estes atentados à democracia? Já vivemos numa ditadura disfarçada. Não foi preciso o Ventura. Veja-se os escândalos, os ministros amigos, as cunhas, os amigos, os jornalistas, as televisões, o entretenimento. Acordem pá.!!!!
Eu assino tudo quanto escrevo. Concorde-se ou discorde-se.
E já escrevia muito antes de o seu candidato de estimação se acolher sob a asa protectora do “padrinho” Vieira – esse paradigma de seriedade e honradez.
Você e os outros trolls anónimos só têm “coragem” com um ecrã à frente.
Ainda estou no Mayan/André (ontem a noite seria para ver diferidos de debates, mas foi passada com o Circo du Solé @Capitolio, via cnn).
Este será o próximo, deixe o trabalho e a internet
Vai muito a tempo, não se preocupe.
“Mauzinho” o penúltimo parágrafo do texto mas talvez o mais importante…
É assim que hoje vejo a coisa. Para lembrar em 2031 na rubrica “DELITO há dez anos”.
Atenção que o Basílio Horta tem feito um bom trabalho na câmara de Sintra. Não misturemos.
O outro na câmara de Oeiras continua a ser reeleito.
Não ponho isso em causa. Nem é matéria em discussão.
Não está em discussão mas está em comparação, e ” chega “.
Agora quando se compara o debate entre dois comentadores televisivos, temos de reconhecer que são áreas completamente diferentes. Um era comentador politico o outro era do futebol. Um tem uma coluna mais flexível o outro uma linguagem mais desbragada tipo claque de futebol.
Não sei até que ponto se continua a insistir em dar protagonismo e importância a um indivíduo que percebe tanto de política como eu de lagares de azeite.
Não tenho medidor de colunas ou aferidor de casacas e já é tarde para fazer encomendas ao Pai Natal.
Nem isso faz falta para comparar o debate Horta/Soares com o debate Sousa/Ventura.
Já vi que você hoje está do contra. Nem a foto do Basílio 91 serve para meter uma achazinha.
Você já votava nele em 1991?
Você quer saber é em quem é que eu vou votar.
Mas eu digo em quem não vou votar e já fica com uma ideia.
Eu não voto no possidónio.
Já não vai a tempo.
Se estivéssemos em 1917 podia votar no Possidónio Pais.
Grande André Ventura!!!
tomara tu teres alguém assim no Sporting!!!!
O primeiro troll asnónimo. Andam com reflexos lentos, desta vez demoraram a aparecer.
Deve ser do frio.
Leopedro
Não me diga que os sportinguistas vão votar no rapazinho.
Além de ser um vendedor de calcitrim da cobre é tão aldabrão que até usa cabelo que não é verdadeiro.
Gostava de ter assistido a: você passou férias a custas do bes e você arranja offshores pra fuga aos impostos e vistos gold a chineses do pc chinês.
Como é que você sabe que o cabelo dele “não é verdadeiro”?
Pedro, se Ventura é o Presidente dos portugueses de bem, ou seja dos que pagam impostos existe uma maquia importante que fica de fora, pois quase metade da população nem rendimentos tem para pagar IRS. Mas presumo que também estes aprovem Ventura, e acredito também que se olhem como portugueses de segunda. Ventura baila desconjuntado, inventando problemas como pepinos. Ciganos (que em Portugal nem enchem o Estádio da Luz) , Segurança (num dos países mais seguros da Europa) e Migrantes (os mesmos que de cá querem sair,como centenas de milhares de compatriotas, rumo ao Norte) são os seus sonhos húmidos. Um tipo nojento. Um tipo….
“Ciganos (que em Portugal nem enchem o Estádio da Luz) “
Não enchem o estádio da luz???
Isso é porque o Vorph nunca foi a luz, aquilo é só ciganos!!!!
Bem dissecado, muito bem comparado. E imensamente bem recordado, isso do mistério da estrada de Sintra.
Deve ser do microclima. Altera a geografia política.
Aconteceu no passado, voltará a acontecer. Tão certo como a noite dar lugar à manhã.
Lembro-me vagamente do debate Soares/Basilio Horta e não gostei e ver este último espumar da boca com um discurso muito agressivo e quase malcriado
A minha estima pela personagem nunca mais se recompôs
Dno
Esse debate pode ser visto ou revisto no youtube.
No texto, deixo ligação para a primeira parte. Recomendo.
Ventura desilude quando diz que é contra a PENA DE MORTE!
Diria que Ventura dá pena.
Pena faz parte do fardamento. Ou não fosse ele um fanático benfiquista.
Esta foto é bastante sugestiva, faz lembrar o Carlos Castro e o Renato Seabra é só amor.
[Ventura] “garantiu que a prisão perpétua vigora na maioria dos países da Europa. É falso”. A sério que “é falso”? Confesso que só fui à Wikipedia, mas, vendo o mapinha que lá está, só em Portugal, na Noruega, na Islândia, em Andorra, no Vaticano e nuns países da ex-Jugoslávia (Bósnia e Croácia, parece) é que não vigora a prisão perpétua, o que dá uma maioria, para aí 90% de países europeus em que essa pena vigora. Não me diga que a fonte do PC é o Prof. Marcelo? Antes fosse o Prof. Karamba! PS: nas eleições Soares v. Basílio (primeiras presidenciais em que votei) votei em branco, se tivesse que escolher entre os dois “Professores” de ontem, faria o mesmo, evidentemente.
Houvesse pena de morte e o país crescia 2 dígitos. Houvesse pelourinho e o país voava
Giro. E o que é que isso tem a ver com o Prof. Marcelo ter afirmado que a maioria dos países europeus não tem prisão perpétua, quando na realidade, quase todos (tirando meia dúzia) têm? Não o preocupa que o bem-amado PR, Ilustre Professor de Direito e prodígio da leitura seja, ou um aldrabão, ou um ignorante (se não sabe que na Itália, Reino Unido, Alemanha e França se prevê e se aplica a prisão perpétua, deve ler menos jornais e ver menos filmes que o Prof. Cavaco).
Prisão perpétua é prisão perpétua. Não é prisão com regime de revisão obrigatória em que ao fim de um período entre 10 anos e um máximo de 25 anos o preso pode sair em liberdade, até por imposição do TEDH.
Afirmar o contrário, quando se é professor de Direito, não é mera omissão. Dá títulos vistosos nos tablóides mas não corresponde à verdade.
Tal como dizer que a França tem um “sistema presidencialista”, por exemplo.
Falácia I: A prisão é perpétua, apenas não o sendo se a revisão periódica (ou um perdão ou uma comutação) justificar que a mesma cesse antes de o recluso morrer na prisão (como, em Portugal, no caso das medidas de segurança para inimputáveis). Em regra, não há qualquer limite máximo para a prisão perpétua, só mínimo. Falácia II: o sistema de governo francês, como sabe perfeitamente, é, na prática, presidencialista (sabe o nome do primeiro-ministro francês? e do anterior? Eu não.). O regime só se torna semi-presidencialista quanto há “coabitação”, o que só aconteceu por 3 vezes, desde 1958 (data da constituição da V República, proposta por De Gaulle, à sua medida), num total de 9 anos em 62 anos. Como, formalmente, ele tem razão, nesse caso, não chamo aldrabão ao Prof. Marcelo, apenas aldrabinho.
Ah, afinal o “regime presidencialista” francês também é relativo.
Uma forma em forma de assim.
Coitados dos alunos desse professor de Direito. Saem das aulas a saber menos do que quando lá entraram.
Não sei, graças a Deus, só tive o outro. Creio que o assunto do debate era política, não era Direito, e, em França, na prática, quem manda é o presidente (excepto nos caso anómalos que referi). A qualificação jurídica do regime parece-me uma picuinhice que deve ser deixadas para chatos da internet, como é o meu caso. Bom fim-de-semana (a começar com uma vitória na Choupana)!
Bom fim de semana para si também – sem prejuízo das divergências, que são sempre salutares. Contra unicidades, contra monolitismos.
A pena de prisão perpétua não vigora, na prática, na esmagadora maioria dos países europeus.
Há aliás um acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos estipulando a revisão obrigatória de qualquer pena na UE após um máximo de 25 anos.
Outros países, como a Suiça (15 anos) ou a Dinamarca (16 anos), impõem a revisão da pena muito mais cedo.
Não é preciso consultar o prof Karamba, como você refere com típica deselegância “venturista”. O estilo do candidato é contagioso, como se percebe. Torna-se imagem de marca dos comentadores digitais.
Nada que surpreenda.
A ironia é que vários destes “radicais de direita” acabam como Horta, aconchegados anos depois no amplo regaço socialista.
Deixando muitos órfãos políticos, inconsoláveis e vergados ao desgosto.
Meu caro, custava alguma coisa dizer que se enganou e que fez mal em reproduzir uma espectacular aldrabice do Prof. Marcelo? Note que o Prof. Ventura (ou é tudo “Prof.” ou não é ninguém) disse ontem (que eu bem ouvi) que a pena de prisão perpétua por ele proposta seria revista de 25 em 25 anos (nem seria constitucional de outro modo, como bem refere). Quanto ao mais, já chamava Prof. Karamba ao personagem que nos preside muito antes do Ventura mudar de emprego (e pelas precisas razões que levaram a este comentário: se esse astrólogo me disser que vai fazer sol, eu vou buscar o chapéu de chuva).
Então a prisão “perpétua” afinal já não é prisão perpétua?
É um “perpétuo” relativo, não é?
Assim como quem se candidata em Outubro de 2017 pelo PSD a uma câmara municipal e se candidata por uma coisa chamada Basta! ao Parlamento Europeu em Maio de 2019 e se candidata pelo Chega às eleições legislativas e se candidata em 2021 à Presidência da República.
Sempre o mesmo a ir a todas.
Ele quer qualquer coisa (ser autarca, deputado, eurodeputado, Presidente da República) desde que apareça.
Seja para o que for.
E é contra a “corrupção”, mas sobre os negócios do futebol e as máfias da bola, nem uma palavra.
Sobre os crimes cometidos no SEF, nem um sussurro.
Tudo relativo.
Isso não era comigo, certamente, porque não estou a falar do Ventura. Lamento, mas preocupa-me muito mais que seja um aldrabão o candidato que vai ganhar com 60% e ser, durante mais 4 anos, chefe de estado (a que isto chegou), do que aquele que vai ter 10% e emigrar para Bruxelas logo que lhe arranjem um tacho.
Cuidado com o ódio ideológico. Em doses imoderadas pode causar graves danos à saúde.
E tenha um pouco mais confiança nas escolhas democráticas e livres dos seus compatriotas.
Os portugueses têm bom senso, como vêm demonstrando continuamente nas opções eleitorais dos últimos 45 anos.
Sem esse bom senso — a que chamarei sabedoria política — os presidentes eleitos desde então teria sido muito diferentes. De Otelo Saraiva de Carvalho em 1976 a Sampaio da Nóvoa em 2016.
Mas é isso que Ventura pede. Prisão perpétua revista de 25 em 25 anos. Porque é que não esclareceu antes? Ele disse precisamente isso no debate. Não ouviu essa parte?
Quando tivermos neste país um psicopata que mate 30 pessoas e diga que quando sair vai continuar a matar e acabe mesmo por sair ao fim de 2 terços da pena, porque é obrigatório, e continue a matar, quero ver o que diz.
Só um beto que nunca viveu no país real é que não aceita uma coisa destas.
Betos são os “heróis de sofá” que escrevem nas redes sob anonimato.
Beto é o Ventura. Um fofo armado em duro.
Ainda há-de acabar no PS, como o outro.
Interessante nestes debates é o facto de que ninguém fala do futuro. O PR não é executivo nem legislativo mas tem tutela sobre o regime. E assim a Presidência deve ser não só o fiel da balança mas o local para induzir rumos, objectivos (o “desígnio” de que João Miguel Tavares falou no 10.6.19 – o que escandalizou a esquerda, a qual falará mais em “projectos” e afins. Mas o que quer dizer a mesma coisa). Sousa não tem “futuro”, pois nada mais é do que um anacrónico avatar do Senhor seu pai. E os outros também nada avançam, entre a inexistência de perspectivas de como mudar o país para melhor e a atrapalhação com as vestes “debate”.
E é por isso que acabamos, cidadãos interessados, a falar em “prisão perpétua”, sua pertinência ou impertinência. A mim a ideia repugna-me e julgo perfeitamente patético que num país com os índices e tipologia de criminalidade de Portugal se discuta isso. Dito isto, é absolutamente inenarrável a “explicação” que Sousa deu para recusar a pena de morte. “Sou católico e os católicos acreditam que há a possibilidade de arrependimento até à hora da morte” (cito de memória). Esta é a resposta mais estuporada que se pode dar. É uma vergonha. Presumo que mesmo em termos teológicos (o arrependimento não é a regeneração), o que será pouco relevante para o caso (como o é responder de imediato “dai a César o que é da prisão de César, dai a Deus o que é do Purgatório divino”.).
E o que é inacreditável é que temos um presidente constitucionalista de profissão a disparar uma atoarda destas (em cima de um holigão, mas isso pouco importa) e ninguém o lapida.
Desde o post aos comentários, todos parecem pressupor que André Ventura é estúpido,… e nem sequer parecem ter percebido Marcelo:
“Marcelo – «Eu não faço das presidenciais umas primárias das legislativas, eu não tenho várias agendas ao mesmo tempo.»”
Acontece que André Ventura é esperto e inteligente e sabe perfeitamente que nem sequer impedirá Marcelo de ser eleito à primeira volta. Assim a sua “perfomance” tem por alvo as autárquicas e as legislativas. Considerando esses
objectivos – que nada ou muito pouco têm a ver com Marcelo – eu diria que esteve bem, no sentido de motivar os adeptos e conquistar insatisfeitos.
E, se realmente o querem combater, melhor seria repensarem a questão dos ciganos. Não me lembro de ter visto um cigano na guerra colonial e vejo-os em todas as atribuições de casas municipais. Continuam a abandonar a escola antes de completar a escolaridade obrigatória sem acção administrativa que se siga (o que me leva a suspeitar que os conselhos directivos, à semelhança dos quadros militares de há sessenta anos, suspirem de alívio e olhem para o lado).
Raparigas menores de 16 anos continuam a ser sujeitas aos casamentos tradicionais, sem que o mulherio feminista e igualitário se mostre incomodado.
Há pouco tempo veio nos jornais que numa conhecida vila do Alentejo, apareciam automóveis com os pneus cortados à noite e o presidente da câmara conseguiu dinheiro e autorizações para instalar câmaras de vigilância. Câmaras de vigilância numa vilória alentejana num país sem dinheiro!!! Mas o que já não veio nos jornais foi que, nessa mesma vila, militantes do PCP rasgaram os cartões e filiaram-se no Chega. Claro que em Lisboa isso não é evidente mas André Ventura não está a inventar um problema, está sim a explorar em benefício de uma agenda própria, um problema que existe e é bem real em muitas comunidades rurais.
Bem basta a comunicação social, com aquele entrevistador cretino e a escandalosa inoportunidade da “investigação” da SIC, tudo a motivar-lhe as hostes e a dar-lhe o protagonismo que deseja e necessita.
Não consigo entender. Será que dizer mal do André Ventura faz as pessoas sentirem-se melhor? Será que mostrar militância no lado correcto – se isso existe – justifica dar publicidade a quem não a deveria ter?
Haverá ciganos nas claques do Benfica, com elementos já condenados em tribunal por terem sido responsáveis de dois homicídios em locais públicos?
Não.
Curioso, o benfiquista Ventura, sempre tão preocupado com o crime, nunca aludir a tal questão.
Estou à espera que alguém o confronte com isto. Quem o fizer, provavelmente, terá o meu voto.
Não percebo este ódio ao Ventura o homem tem ideias é pratico e não gagueja.
O Pedro Correia mistura o seu desprezo pelo Benfica com a filiação de Ventura .
E isto não é justo, o Ventura quer transformar Portugal, limpar as nódoas que existem por aí e não o deixam trabalhar. Será isto democracia? Lá por Ventura ser do Benfica, é logo crucificado!
Sou anónimo, para poder chegar vivo a casa!!!
Mantenha-se anónimo, cuidado com a polícia política.
‘Não vi nenhum cigano na guerra colonial’, mas como é que chega a esse ‘não vi’?
Não diga isso do ‘rasgar o cartão do PCP e filiarem-se no Chega’ que faz arrepiar as tiás, os tiós e sabe lá mais quem pecebe, com os ex que estavam contra os agrários e a favor da reforma agrária e agora estão lado a lado nas assembleias.
Evidentemente que é tudo treta do rapaz do capachinho, sempre houve os mesmos problemas com ciganos no Alentejo e os votos que mudaram foram os cds locais e não os do pcp.
Não vou duvidar de que V. «Não (s)e lembr(e) de ter visto um cigano na guerra colonial»… mas eu até vi, pelo menos, 2. E claro, nem preciso de evocar isso para demonstrar a irracionalidade da sugestão nessa sua frase: os “ciganos” eram considerados cidadãos portugueses, como todos os outros que viviam em Portugal continental e ilhas, durante o período o colonial e, portanto, sujeitos às obrigações impostas pelo Estado de então.
Tudo o resto que escreve é a habitual lengalenga que, recorrendo a um moralismo hipócrita, pretende apenas prolongar a discriminação de que eles são (sempre foram) alvo: «abandonar a escola antes de completar a escolaridade obrigatória» e «Raparigas menores de 16 anos continuam a ser sujeitas aos casamentos tradicionais», para si, não são um problema social mas sim um problema de criminologia… étnica. Consegue garantir que esses problemas são exclusivos dos “ciganos”?
Se viu dois ciganos na guerra colonial, viu mais dois do que eu. Mas talvez a sua guerra colonial fosse nas esplanadas de Luanda.
“os ciganos eram considerados … e portanto sujeitos…”. Ou é ingénuo ou parvo ou mentiroso (não são mutuamente exclusivos). Se refractários, não os encontravam porque não tinham morada fixa; após uma viagem a visitar os primos espanhóis, regressavam com identidades diferentes; se tudo falhasse, ainda havia o estatuto de objector de consciência – que suspeito lhes era ensinado por oficiais que não queriam aturá-los nas fileiras – e esses, talvez ficassem colocados em Luanda.
O “meu moralismo hipócrita” é perspectiva sua, aliás preconceito porque não tem suporte factual. Recorrendo à reciprocidade a minha perspectiva é que, nas raras ocasiões em que não é incompreensível, as suas ideias revelam-se decrépitas e impertinentes (no sentido de não se adequarem à matéria).
O abandono escolar e os casamentos tradicionais são problemas identificados em fonte tão insuspeita como a Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, uma IPSS diocesana.
Respondendo à última pergunta, não posso garantir que sejam problemas exclusivos dos ciganos. O abandono escolar, ao lê-lo, cheguei a pensar que era também problema seu mas depois quando se veio gabar que tinha uma pensão “grosso modo” de dois mil euros achei que não podia ser. E os casamentos de jovens sem liberdade de escolha com homens bastante mais velhos, também ocorrerão noutras paragens, por exemplo na Tailândia.
Não é a 1.a vez que lhe respondo mas infelizmente, os meus comentários aqui no DO, não calham como os seus (se tivesse escrito um com metade do tamanho do seu, lá tinha o “censor” a actuar) mas mesmo assim vou tentar uma vez mais:
– A minha “guerra colonial” foi a minha adolescência até aos 14 anos. Foi ter um pai angolano a favor da independência mas mesmo assim a acolher em nossa casa os “pulas” da família/aldeia da minha mãe.
– Os ciganos que conheci: um deles passou o natal connosco, trazido por um primo da minha mãe. O outro, conheci-o numa visita a um conterrâneo da minha que foi detido por ter dado uma sova num furriel que o tentou sodomizar.
– Não sabia que até havia o «estatuto de objector de consciência» na guerra colonial – sempre aprendi algo consigo… conhecia apenas a técnica reservada às elites, de subornar os sargentos…
– Não neguei que «O abandono escolar e os casamentos tradicionais são problemas»… é só ler atentamente o meu anterior comentário.
– Registo a sua honestidade: «não posso garantir que sejam problemas exclusivos dos ciganos» – porque então não se comporta aqui de acordo com isso?
– Sobre as suas constantes insinuações sobre viver na Tailândia: a) só cá vivo há 5 anos; b) sim, isto é um antro de depravação; c) infelizmente, a minha companheira, com quem vivo há mais de 20 anos, sempre que dou uma volta à noite retribui-me com um mês de trombas… d) as suas fantasias sobre isto estão ao nível dos seus fantasmas ciganos.
Acho que ao mencionar e comparar as reuniões confidenciais que tem com Ventura enquanto líder de um partido representado no parlamento com um frente-a-frente de campanha eleitoral, Marcelo esteve muito mal.
Achei na altura e continuo a achar.
Quanto a isso, não tenho a menor dúvida. Despistou-se.
Marcelo não esteve mal, o André cigano é que vai de mansinho como um cordeirinho com medo do sapo falar em privado com Marcelo e depois na TV o André cigano fala como um valentão.
Onde é que está a hipocrisia?Marcelo respondeu-lhe a letra: para sacana, sacana e meio.
Grande Marcelo!!!
Um deputado, presidente do seu partido, que vai a uma audiência à presidência da República falar com o presidente da República não é o mesmo de um candidato a presidente afrontando um outro. Goste-se ou não do professor Ventura o professor Sousa aqui esteve inadmissível.
Ao PC, ultimamente, deu-lhe para querer apagar a pegada do PPC: terá sido LFV o criador da criatura? Sim, quando se quer apagar o facto de que a primeira vez que ele teve alguma “projecção nacional” apenas se deveu a toda aquela polémica resultante da sua candidatura à Câmara Municipal de Loures, em 2017… o resto são cantigas para embalar tontos! E nem é preciso o Pacheco Pereira ser crucificado por isso!
Para:18:31

Estive a ver a gravação, o “Venturinha” deu cabo do “Celito”.
Nem os seus reclamados ídolos lhe valeram.
Que foto catita (a dos “juntos”)

Tão amorosos que eles são. Só falta um “no name” lá no boneco.
Lembro-me vagamente desse “debate” e da crítica demolidora de Francisco Sousa Tavares a Basílio, que veio mais tarde dizer que desempenhara o papel de uma direita musculada que não era a dele (por acaso até acredito).
Não sei se Ventura chegará a autarca do PS, mas aposto que ainda vai ouvir dizer que é da “direita fofinha”, como se diz agora.
Em todo o caso, a candidatura de Basílio de pouco adiantou ao CDS: o partido que estava então “rigorosamente ao centro” teve rigorosamente o mesmo resultado nas legislativas de outubro desse ano que tivera quatro ano antes (o famoso táxi).
Vale a pena revisitar esse debate, João Pedro. 9VkE LXl4
Aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=925LSfW
E aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=5SyD-Ms
O post parece-me um pouco inclinado. Meter o futebol nisto, não é de todo sensato, muito menos, quando tanto já se escreveu aqui sobre misturar política com futebol.
Mas mesmo que fôssemos por esse caminho, Marcelo não é nenhum menino de coro, pois era amigo íntimo de Ricardo Salgado, entre outros. No entanto, pessoalmente nada me faz retirar a Marcelo a sua credibilidade. Aliás, Marcelo afastou-se do amigo, tal como Ventura se afastou do Benfica, empate. Costa ganha aos dois, depois daquela comissão de honra, mas adiante.
Sobre o debate achei Ventura bastante mais aceitável do que com João Ferreira. Os papéis até se inverteram, era Marcelo quem interrompia e não permitia o adversário falar.
Sobre as questões de fundo, Ventura perde ao dizer que não vai ser o presidente de todos os portugueses. Até o poderia pensar, mas nunca o dizer. Poderia atingir o mesmo objectivo se escolhesse melhor as palavras, mas Ventura é assim, cru, direto… o completo oposto do marasmo político a que nos habituamos.
Durante o último ano muito se criticou Marcelo neste blog. Ontem um candidato disse-lhe na cara aquilo que muitos comentadores aqui escreveram e criticaram, por isso é incompreensível que agora parece que Marcelo passou a ser exemplar. Há que despir as ideologias, os gostos pessoais, as clubites e analisar o debate apenas e só. E Ventura não perdeu eleitores com a sua prestação, provavelmente até ganhou alguns.
A política não é para elites. É para o povo. Vivi num país onde os políticos não usavam de discurso altamente elaborado e erudito. A sua mensagem era transmitida em linguagem corrente e facilmente percebida por todos, utilizavam a gíria e expressões populares. Eram percebidos por todos, desde os mais letrados, ao analfabeto. E Ventura rompeu com esse estigma. Fala para todos. E aqueles que não acompanham a política, porque a política não lhes chega, muito por culpa da linguagem inacessível, passou a ter ali alguém que fala para eles, que eles compreendem, que partilha dos problemas que eles vivem e que ninguém até hoje se lembrou.
Ventura viu o furo. Inexplicável como só em 2019 é que esse lugar na política foi ocupado.
A política elitista, dirigida apenas àqueles que a conseguem perceber e aceder, acabou com Ventura. A partir de agora, o menos privilegiado, que se abstinha, porque não compreendia, passou a votar.
Não é por acaso que o CHEGA foi buscar muito eleitor do PCP do interior do país. O PCP sempre foi um partido cujos líderes utilizavam linguagem corrente, falavam dos problemas que mais afetavam os seus eleitores, numa linguagem próxima. E falavam dos problemas reais. Eram populistas. Mas não se podia dizer, porque era o PCP. Mas agora, surge alguém ainda mais incisivo, mais próximo, com uma linguagem e um programa mais de acordo com as suas expectativas.
Enquanto houver esta negação, Ventura vai crescer. Enquanto não se perceber que Ventura fala dos problemas que milhares têm com certas minorias e não contra as próprias minorias, vai crescer.
Marcelo é aqui criticado, sem delito de lesa-majestade, as vezes que os autores assim o entenderem. Tal como já foi elogiado.
O mesmo aconteceu com o antecessor dele, diversas vezes criticado e elogiado aqui.
O mesmo acontece com Costa, Rio, Jerónimo, Catarina e Ventura.
Sem cartilha, nem pensamento único. Somos avessos à unicidade.
Verdade. Mas ontem Marcelo não passou incólume. Marcelo não foi soberbo. Marcelo meteu gafes. Marcelo enervou-se.
Não foi um passeio no parque, como parece ter sido ao ler o que se escreveu depois, inclusive aqui.
Do outro lado, Ventura mostrou-se muito mais descontraído do que com Tiago Mayan.
Com esse, Ventura sofreu mais, inexplicavelmente.
Pedia coerência, apenas isso.
Um passeio no parque? Onde é que leu isso?
Porque também é uma figura nova no sistema, sem nada que lhe possa ser imputado à partida, a não ser alguma agressividade e uma estranhíssima (e por vezes mal gerida) linguagem não-verbal.
Aplauso de pé.
Na verdade estava toda a gente a espera de um ko monumental do MRS ao AV o que não aconteceu. AV ainda é novo e está a aprender. MRS É um tubarão da política. Mas o peixinho não foi comido e isso irrita muita gente.
Sim, ainda está a aprender. Falta-lhe bastante para seguir o resto do percurso de Basílio Horta desde 1991.
“Um país de bananas governado por sacanas”
D. Carlos.
“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonha, feixes de miséria, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que já nem com as orelhas é capaz de sacudir as moscas. […]”;
Guerra Junqueiro e Eça de Queiróz Arrasam os políticos.
A frase do Rei “Injustiçado” e as críticas dos grandes escritores são
bem actuais”
Comparar os dois debates é ofensivo para a democracia e contribui para baralhar tudo. Dá jeito e normaliza os Venturas. Não é a mesma coisa. Mário Soares e Basilio Horta são democratas.
https://amp.expresso.pt/politica/soares-s ampaio-e-freitas-apoiam-basilio-horta-em-s intra=f777477
“A comissão de honra da candidatura de Basílio Horta à Câmara Municipal de Sintra nas próximas eleições autárquicas é encabeçada pelos ex-presidentes da República Mário Soares e Jorge Sampaio, revelou hoje à agência Lusa fonte da candidatura.“
A pergunta que se faz para descobrir se alguém é democrata nos dias de hoje é esta: Se fosse Presidente daria posse a André Ventura se tivesse a maioria dos votos?
Previsão para os próximos tempos: o sistema de voto em papel com a cruz vai começar a ser desprezado em favor da “modernidade”. Vão começar a ocorrer “problemas” para justificarem a mudança.