Presidenciais (1)


Sérgio de Almeida Correia,

Pedro Santana Lopes, como qualquer pessoa normal, tem virtudes e defeitos. Considero que o seu governo foi um desastre, que nunca deveria ter aceitado a pasta nas condições em que Durão Barroso a passou; e para fazer um “jeito” ao seu partido, ao incumbente que estava de saída e, pensava ele, prestar um serviço a Portugal, enfiou-nos num buraco do qual só Jorge Sampaio nos tirou. Todos sabemos o que veio a seguir e que ainda hoje persiste, pelo que sobre esta última parte poderemos falar noutra altura.

Mas tirando esse episódio, e alguns outros menos conseguidos na Secretaria de Estado da Cultura ou na Câmara Municipal de Lisboa, o ex-primeiro ministro tem três características que eu aprecio em qualquer pessoa. Mais ainda num político. É inteligente, frontal e corajoso. É evidente que tudo isso junto não chega para fazer um bom líder ou um bom governante, menos ainda um bom Presidente, mas confesso que às meias-tintas, à dissimulação e sonsice de alguns que nunca se definem e vão mascando pastilhas, prefiro tipos como ele que se chegam à frente e dizem que estão presentes.

Ficamos todos a saber com o que contamos, as coisas ficam claras e os coelhos são obrigados a sair da toca para não levarem com o chumbo dentro dela.

4 comentários em “Presidenciais (1)”

  1. Contrariamente ao Sérgio, penso que o governo de Santana Lopes não foi desastre nenhum, pelo contrário, o de Durão Barroso é que o foi. Santana Lopes tentou fazer mais em 3 meses do que Durão Barroso fez em 2 anos. Santana Lopes tentou efetivamente reformar a lei do arrendamento urbano – deixou pronto um projeto de lei bem estruturado nesse sentido – e tentou introduzir portagens nas autoestradas gratuitas, ambas medidas que se impunham mas que Durão Barroso foi incapaz de tomar.
    É como diz o Sérgio, Santana Lopes é frontal. O seu governo foi frontal a enfrentar pelo menos aguns problemas. O de Durão Barroso é que não foi nada. Esse sim, foi um verdadeiro desastre.

  2. E tem a grande virtude de ter produzido flops à beça por onde passou, ou mesmo anedotas, como um célebre Audi A8 4.2 litros Tiptronic adquirido por ele enquanto presidente da CML. Só na Figueira da Foz parece que deixou saudades, mas à conta de obras faraónicas (o Centro de Artes) e um endividamento galopante.

  3. “Um homem também chora
    Menina morena
    Também deseja colo
    palavras amenas
    Precisa de carinho
    Precisa de ternura
    Precisa de um abraço
    da própria candura
    Guerreiros são pessoas
    são fortes, são frágeis
    Guerreiros são meninos
    por dentro do peito
    Precisam de um descanso
    Precisam de um remanso
    Precisam de um sonho
    que os tornem perfeitos
    É triste ver meu homem
    guerreiro menino
    com a barra do seu tempo
    São frases perdidas num mundo
    por sobre seus ombros
    Eu vejo que ele sangra
    Eu vejo que ele berra
    a dor que tem no peito
    pois ama e ama
    Um homem se humilha
    se castram seus sonhos
    Seu sonho é sua vida
    e vida é trabalho
    E sem o seu trabalho
    o homem não tem honra
    E sem a sua honra
    se morre, se mata.”

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