Preparació per a la Nit de Nadal


Paulo Sousa,

Um dos meus sobrinhos já regressou à base e por isso fizemos um jantar de preparação para a Consoada. Está a trabalhar em Barcelona e de cada vez que regressa vem com a veia independentista mais inflamada, o que tem graça pois permite sempre que em cada regresso se pratique o saudável debate à volta de um tabuleiro de carne assada no forno e regada com um bom tinto. Ele, que anda ainda mais focado no desporto do que na visita anterior, depois de ter abandonado as colas, só bebe água. Não estive a controlar, mas acho que só bebeu água. No vinho sei bem que não tocou.

Diz que tem um amigo que lhe explicou que nos centros habitacionais à volta de Barcelona pouca gente fala castelhano e nas zonas rurais ainda menos. Depois de ter deixado de ser a língua materna no ensino oficial, as gerações mais novas deixaram mesmo cair o uso da língua de Cervantes. O castelhano é aliás a segunda língua do ensino oficial. Então, e inglês, perguntei-lhe. Respondeu-me com outra pergunta. Quem é que fala inglês em Espanha?

Acrescenta que as pessoas não se sentem espanholas e não se importam que a independência tenha custos económicos. Aceitam isso.

Perguntei-lhe qual a percentagem de catalães que não queria a independência. Disse-me que esses eram os pussy, estavam acomodados e preferiam o conforto à luta pela identidade.

Disse-lhe que a mudança do status quo ibérico tinha um enorme potencial de perturbação para o nosso país e que a União Europeia nunca iria aceitar como estado-membro algo que resultasse de uma secessão de um outro estado-membro. Insistiu em que os independentistas aceitam suportar essas perdas económicas. O custo das “futuras” forças armadas catalãs ainda foi assunto, mas já não teve seguimento.

Diz que já leu o “Homenagem à Catalunha” de Orwell, mas acabou por concluir que precisa de saber mais sobre a Guerra Civil de Espanha. Pois, disse-lhe, aí fala-se mais sobre os totalitarismos do que sobre a identidade catalã.

Combinamos pensar em mais alegações para continuarmos a conversa amanhã à noite. Já lhe tinha dito que, perante novos argumentos, adiar uma tomada de posição de modo a se poder pensar melhor no assunto, mostra, pelo menos, seriedade e mente aberta no debate.

Amanhã vou-lhe falar na “Ordem Mundial” e no “Diplomacia” de Kissinger, nas relações diplomáticas entre os estados e na norma da não aceitação de secessões como forma de manter a ordem, e ainda nos países e regimes que rejubilariam com uma Catalunha independente. Se, por entre o bacalhau e o peru, ainda tivermos tempo, vou recomendar-lhe ouvir a opinião de um catalão espanholista.

Aproveito a ocasião para desejar a todos os companheiros delituosos e a todos os leitores um Feliz Natal. Certamente, ainda voltaremos à conversa em 2023.

13 comentários em “Preparació per a la Nit de Nadal”

  1. diga ao seu sobrinho que grande parte dos independentistas inflamados são como ele ,” catalães” emprestados , emprestados de outras regiões de espanha e de outros países. muito aborrecido para os espanhóis espanholistas de gema esta malta que mete a colher no casamento alheio.
    talvez vir para cá exigir a independência do porto fosse mais apropriado.
    bo nadal
    Vaite logo, meu meniño
    marcha agora para a camiña
    Que vai vir o Apalpador
    a apalparche a barriguiña

    1. Esses habitantes na Catalunha e oriundos de outras regiões de Espanha são maioritariamente urbanos e espanholistas. Nas zonas rurais a língua castelhana é realmente residual.

  2. “Quem é que fala inglês em Espanha?” Os espanhóis em geral, dirigem-se frequentemente
    nosotros em inglês. Num inglês péssimo, diga-se. Nós costumamos responder em espanhol-castelhano, a ver se se tocam mas não, raramente chegam lá😁.
    Bom Natal, Paulo.

    1. Caso isso fosse materialmente possível, e que não é, bastaria falarem devagar o castelhano, que seriam sempre entendidos.
      Feliz Natal também para si, Dulce. Obrigado.

  3. Viva, Paulo.
    Quanto ao tema da Catalunha, teremos oportunidade de conversar em 2024, até porque haverá eleições autonómicas no próximo ano. Depois das galegas e das bascas.
    Muito tenho escrito sobre o tema. Aqui, por exemplo:
    https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/sobre-a-catalunha-7-11175047

    Foi já há quatro anos, mas mantém-se plenamente actual. Aliás hoje com maior recuo dos independentistas, que nas eleições gerais de Julho, somados, ficaram-se pelos 27%.
    https://elpais.com/espana/elecciones-generales/2023-07-24/el-bloque-independentista-pierde-el-46-de-apoyos-lastrado-por-el-voto-en-clave-estatal.html

    Até hoje nunca os separatistas catalães obtiveram 50%+1 nas urnas, fosse em que eleições fosse. Estiveram sempre em minoria.

    Sabemos que um processo de independência requer um movimento imparável, não inferior a dois terços ou três quartos dos eleitores, até pelo seu carácter irreversível. Ao contrário do Brexit, por exemplo: os britânicos separatistas venceram tangencialmente em 2017, rompendo laços com o espaço comunitário – muitos já estarão arrependidos, pois foi péssimo para o Reino Unido. Mas esse erro poderá ser corrigido com outro referendo – se nós, membros da UE, os quisermos de volta.

    No separatismo estatal as coisas são diferentes.
    A secessão é um caminho sem retorno. Por isso jamais poderá ocorrer apenas com uma percentagem ocasional de 50%+1 nas urnas.

    Daí ficar bem claro que nunca o extremismo nacionalista da Catalunha atingirá os seus fins por via legal e pelo voto democrático. É apenas maioritário em zonas rurais dessa região autónoma espanhola e largamente minoritário nos centros urbanos, em Tarragona e na periferia de Barcelona, onde há mais eleitores, muitos oriundos de diversas outras parcelas de Espanha.

    Feliz Natal.

    1. Não é para mim claro que a secessão seja um caminho sem retorno. Já houve no passado muitos casos de países que se uniram. A própria Espanha atual é o resultado da união de países que no passado foram separados. A Alemanha atual é a união (nada fácil, diga-se) de dois países. O Iémen atual, idem (embora agora esteja todo partido aos pedaços outra vez). Não é improvável que a Rússia e a Bielorrússia se venham a reunir. E assim por diante.
      Da mesma forma que a Rússia e a Bielorrússia se separaram mas possivelmente se reunirão, também é possível que a Catalunha se separe do resto da Espanha e depois se volte a reunir.

  4. Não se aceita secessões exceto aquelas que se aceita. Por exemplo, o Kosovo e o Sudão do Sul são secessões que se aceita. Já a Somalilândia ou o Chipre turco, não se aceita. É muito confuso.

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