Prémio Camões: Mário de Carvalho é uma omissão chocante


Pedro Correia,

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Chico Buarque: justa distinção

 

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Chico Buarque é o galardoado este ano com o Prémio Camões. Acho muito bem. Pelo menos três álbuns dele são discos da minha vida. Sei de cor dezenas de canções que ele compôs. E confesso-me admirador da ficção que tem publicado: vai fazer três anos, cheguei até a analisar no DELITO um desses livros, Leite Derramado, de que muito gostei.

Em 2016, quando foi anunciado o Nobel da Literatura a Bob Dylan, na caixa de comentários de um texto meu elogiando tal escolha, deixei esta observação: «Em português, elegeria sempre Chico Buarque.»

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Recordo isto só para que fique bem claro: aplaudo o prémio a Chico, como aplaudi o de Dylan. Nada contra, tudo a favor.

Mas registo omissões nesta lista de premiados que já leva três décadas – algumas das quais considero chocantes.

Do lado brasileiro, destaco as três que me parecem mais gritantes: Nélida Piñon, Adélia Prado e Luís Fernando Veríssimo. Tanto mais que entre os distinguidos do Brasil figura pelo menos um, Raduan Nassar, que não tem obra nem currículo para merecer o Camões: publicou quatro títulos em 21 anos, não tem um original editado desde 1994 e a obra completa deste autor não excederá 500 páginas. Ele próprio, aliás, não escondeu a sua admiração no discurso de agradecimento, em 2016: «Tive dificuldade para entender o Prémio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri.»

Também eu tive.

 

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Graça Moura: esquecido pelo júri

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Quanto aos portugueses, o essencial do cânone está cumprido. Alguns até fora do cânone mais óbvio, como esse singular poeta das pequenas emoções quotidianas que foi o Manuel António Pina. 
Faltou Fernando Assis Pacheco, que já não foi a tempo: este prémio não é concedido a título postúmo. Vasco Graça Moura, infelizmente também já falecido, é uma omissão escandalosa. E (só por factores cronológicos) talvez seja ainda um pouco cedo para o meu amigo Francisco José Viegas, autor daquele que considero o melhor romance português da primeira década deste século: Longe de Manaus.

 

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Mário de Carvalho: prémio já tarda

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Por mim, não hesitaria em atribuir o Prémio Camões a Mário de Carvalho, de longe o melhor romancista (mas também contista e ensaísta) português vivo, autor de obras-primas como Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde e Era Bom que Trocássemos umas Ideias Sobre o Assunto. Omissão que também já começa a ser escandalosa. 

Caramba, alguém julgará que Pepetela (premiado em 1997) merece mais que ele?

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Fora dos trilhos canónicos, daria sem pestanejar o galardão a Vasco Pulido Valente, para mim o mais brilhante – desde logo porque controverso, iconoclasta – ensaísta, historiador e cronista português contemporâneo.

Muito mais merecido que certas “glórias” efémeras das letras lusófonas, condenadas num futuro pouco distante a dissolver-se como bolhas de sabão. 

 

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Vasco Pulido Valente: se pudesse, votava nele

0 comentários em “Prémio Camões: Mário de Carvalho é uma omissão chocante”

  1. Sobre o resto não tenho opinião, mas Vasco Pulido Valente é horrível! Como aliás a fotografia dele aqui colocada demonstra. Alguém quer como Prémio Camões um gajo que faz questão de se deixar fotografar de cigarro caído ao canto da boca, barba mal feita, cara de mau, e cheio de rugas? Arrenego!!!

    1. Eu nem subscrevo a escolha do Pedro, mas essa sua apreciação é de uma parlapatice exemplar. Então para si um candidato a prémio Camões tem de se apresentar com um sorriso esmaltado, um peeling facial e de preferência um atestado de boa saúde ao lado? Isso são requisitos de uma Missa Universo (agora nem isso, parece), não de alguém que se destaque nas letras. Aposto que se vir uma foto, qualquer que ela seja, do André Malraux, vai pensar que o homem era um assaltante de estradas.

  2. Os prémios são mesmo assim, raramente merecem a unanimidade, Pedro.

    Neste caso particular, acho que o Prémio Camões fica bem a Chico Buarque. Mas também ficava bem a Mário de Carvalho.

    Agora se fosse dado ao Vasco Pulido Valente, também podia acrescentar uma longa lista de gente que merece muito mais o prémio que ele…

      1. isso do número de páginas …. Rimbaud, Cesário Verde ou Juan Rulfo também não deixaram assim tantas … isto é só um aparte, pois não conheço esse autor.

        1. Rimbaud, coitado, esticou o pernil aos 36 anos. Cesário marchou aos 31.
          Tiveram poucos anos para escrever assim tanto.
          Já o senhor Nassar vai nuns provectos 83. Algo improfícuos, convenhamos.

          1. Eh lá!, até os putos da primeira classe sabem que o Rimbaud despachou a poesia entre os 16 e os 21, e depois dedicou-se ao tráfico de armas por terras de África. O que não ficou foi à espera de ganhar um ‘Montaigne’.

          2. Não importa para o efeito a idade em que escreveu. Se não lhe tivesse dado o badagaio aos 36 poderia ter voltado à escrita em idade grisalha, cumprindo os critérios aplicáveis ao Prémio Camões.
            Todos menos um: o rapazinho não escrevia em português. Razão mais que suficiente para o exemplo que invoca não fazer qualquer sentido.

          3. Lá por isso… iam o Cesariny, o O’Neill e o Henrique Leiria por ele. Não é póstumo, já sei.

            Mas essa do Rimbaud voltar às lides é boa … já estou a ver o Breton pelos boulevards passeando-se com as obras completas de Rimbaud debaixo do braço: ‘Une saison en enfer’ (saisons I, II, III, …, XII); o celebérrimo soneto ‘Les Consonnes’, ‘Le bateau sobre’ e a ‘La lettre du malvoyant’.

      1. O Boaventura é um intelectual muito respeitado e prestigiado internacionalmente.
        Mas em Portugal desperta muita dor de cotovelo. Não sei explicar.

  3. Faltam também muitos outros como Al Berto:

    “Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida”

    há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
    pensava eu…como seriam felizes as mulheres
    à beira-mar debruçadas para a luz caiada
    remendando o pano das velas espiando o mar
    e a longitude do amor embarcado

    por vezes
    uma gaivota pousava nas águas
    outras era o sol que cegava
    e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
    os dias lentíssimos… sem ninguém

    e nunca me disseram o nome daquele oceano
    esperei sentada à porta… dantes escrevia cartas
    punha-me a olhar a risca do mar ao fundo da rua
    assim envelheci… acreditando que algum homem ao passar
    se espantasse com a minha solidão

    (anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração, mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

    um dia houve
    que nunca mais avistei cidades crepusculares
    e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
    inclino-me de novo para o pano deste século
    recomeço a bordar ou a dormir
    tanto faz
    sempre tive dúvidas de que alguma vez me visite a felicidade

    Al Berto

        1. Há uma regra neste Prémio: distinguir alguém supostamente no culminar de uma obra. Isto explica o facto de a galardoada mais jovem, até agora, ter sido Hélia Correia, com 56 anos em 2015.
          Al Berto morreu com 49. Supostamente, não cumpriria tal critério.

    1. Gosto tanto deste poema, Pedro Vorph.
      Obrigada por tê-lo posto aqui.
      Gostava tanto do Al Berto, com quem às vezes tomava um café lá em Sines…
      ⚘
      Maria

        1. Thanks again!
          O CD “Os Poetas” é uma pérola, tenho-o há muitos anos, bem como um outro só do Al Berto, gravado na Casa Fernando Pessoa em 1995.
          Sou mesmo fã 🙂
          ⚘
          Maria

  4. Tantas e tão variadas sugestões! Ainda acabam por sugerir o meu nome: então não consegui escrever um comentário que foi considerado (para minha surpresa e gáudio dos meus netos) o comentário da semana? É obra!!

      1. ” ficará com uma obra tão extensa como a do escritor Raduan Nassar.” Convenceu-me. Vou tentar. Idade tenho e … sei que postumamente não dão o prémio mas por enquanto não vejo problema nesse aspecto.

  5. Vasco Pulido Valente é um clássico carismático de Portugal. Diz o que tem a dizer. Já não se fala em jornalistas “fortes” em opiniões também de força, que não se enuncie VPV.
    O L.Antunes também anda sempre a exibir o cigarro malcriadamente para quem o entrevista e para quem o observa e também cá anda a ver se alguém o propõe, até, para Nobel…
    …E as rugas fazem parte do retrato da vida…

    1. Leio Vasco Pulido Valente desde que ele assinava a célebre coluna de última página do ‘Expresso’. “O País das Maravilhas”, que deu livro. Excelentes textos, relidos à distância: os grandes autores são assim.

  6. Cada um terá a sua opinião, haverá as mais conhecedoras e outras que nem tanto, as mais fundamentadas e outras mais atrevidas. Agora sem qualquer fundamento é afirmar que alguém que tem um cigarro, na boca ou na mão, é malcriado

      1. Claro que não, e o Churchill estava bem acompanhado … : Fidel, Che, Welles, Godard também davam umas charutadas valentes, é uma vasta iconografia acima de qualquer suspeita. O tal de Nogueira é que não chega a este campeonato, pudera se para ele o Churchill era um perigosíssimo esquerdista (a democracia como o menos mau dos regimes, cruzes credo!…)

    1. sem qualquer fundamento é afirmar que alguém que tem um cigarro, na boca ou na mão, é malcriado

      Má-criação não é, de facto.

      Mas é de péssimo gosto exibir publicamente o vício sujo que se tem.

      Além de que o ato de fumar está frequentemente associado ao desrespeito dos outros. Quase sempre, quem fuma incomoda os outros. Mostrar-se que se fuma mostra, implicitamente, que se está disposto a incomodar os outros.

      1. Caro Lavoura,
        Se olhar para a fotografia do Valente com atenção, vê que o homem não está a fumar, o cigarro está apagado.
        Mais explicações sobre o que fazer com cigarros e charutos apagados ou como fumar sem inalar recomendo-lhe a biografia de William Clinton.
        Saudações culturais

      2. Cuidado com os puritanos!! Regra geral escondem mais do que mostram. Frequentemente caiados por fora, e imundos por dentro.

        O acto de fumar está associado a um manifesto público de liberdade individual, perante um mundo, apodrecido, incapaz quer de grandes virtudes, quer diabólicas vontades. Antes incomodar, sujar, cuspir, cagar nos limpos, que ser um deles, um reles assim-assim…

      3. então era o comentador LLavoura, aqui há atrasado, que me quis obrigar a apagar um cigarro numa esplanada… ora viste!?

  7. Acho que tenho andado por inconclusivos caminhos e assim não vou lá, não.
    Vou oferecer um dos meus livros ao Pedro Correia e depois o Pedro vem para aqui exaltar incomparáveis deleites nunca dantes imaginados, e está feito.
    Prémio Camões para o Corvo, devida e justamente atribuído.
    Fica combinado, Pedro Correia?

    1. “Prémio Camões para o Corvo, devida e justamente atribuído.” Há um primeiro degrau a subir: tem de conseguir um comentário da semana (que eu saiba nunca chegou tão longe). Só depois pode aspirar ao Prémio Camões.

      1. Caríssimo rival.
        Tenho sim senhor, não um mas sim dois comentários em destaque, e podia ter um terceiro se forças imensuráveis do destino não se tivessem metido de permeio roubando-me a justa glória a favor do vencedor, com quem, aliás, mantive acesa peleja quase até final onde só soçobrei porque, justiça ao vencedor, seria muito difícil, se não mesmo empreitada empírica roubar a glória a um distinto degustador de bosta.
        Portanto outorgo-me legitimamente habilitado para o prémio, e se o distinto e estimado rival A. Matos quer travar justa nobre, então vamos à liça.
        Ou, o que preconizo ser melhor para todos, não nos malquistemos por tão pouco, e dado que por aqui indícios percursores afiançam que estão muito longe de atingir um consenso, abdiquemos voluntariamente da glória e sugiramos nós a atribuição do prémio ao Samaris, que se na verdade não escreveu, mais verdade é que se exprime num português capaz de envergonhar muitos pretensos gramaticistas que por aqui, por ali e por acolá, proliferam.

          1. Lá se enganou mais uma vez o Pedro.
            Não quereria ter dito, o prémio campeões?
            E afinal? Fiquei sem resposta.
            Aceita ou não?

  8. Concordo em absoluto com quase tudo o que escreve e confesso-me agoniado com alguns dos comentários que fizeram às suas escolhas… O VPV estar-se-á seguramente nas tintas para o prémio Camões e definitivamente que se estará nas tintas para os analfabetos que os outorgam (a pluma caprichosa fará parte do raminho?). Já no que se refere ao Mário de Carvalho, não estou certo. Do que estou absolutamente certo é de que em língua portuguesa, ele é seguramente um dos casos que fica qualitativamente a anos luz dos nomes que menciona, mesmo considerando que a par de coisas genialmente hilariantes tem coisas razoavelmente enfadonhas.
    O prémio tem a importância que possamos dar a quem o concede. E quem é essa gente?
    A pluma?
    Está lá a achar coisas?

    1. Tenho a certeza absoluta de que VPV se está mesmo nas tintas para o prémio Camões – ou qualquer outro.
      Mais um motivo que me leva a sugerir o nome dele. Indignado que ainda estou pelo facto de outro Vasco, Graça Moura, nunca ter sido contemplado.

  9. Margarida Rebelo Pinto e Pedro Chagas Freitas! Não entendo como ainda não ganharam…

    Estava a brincar (não vão os incautos pensar que falo verdade)

    Acredito que o facto de ter morrido em 1989 fez com que Fernando Namora não fosse considerado… E até dou um brinde àqueles que dizem que não vou com comunistas: Manuel Lopes Fonseca!

    Boaventura de Sousa Santos, como já afirmaram, não era má ideia… Se Manuel Alegre também ganhou pela poesia 🙂

  10. O Prémio Camões é uma iniciativa óptima. Porque honra escritores, e decerto que lhes é agradável (pelo menos para a maioria dos que o receberam) – isto partindo do princípio que quem nele atenta gosta de escritores. E porque dá a conhecer autores – por exemplo, eu nunca lera Trevisan antes dele ser premiado: e é um contista monumental. Abençoado prémio que lhe deram que me chamou a atenção.
    Discordo de ti em relação ao Nassar. Escreveu imenso. Pouco importa se poucas páginas e há muito tempo. É um dos autores da minha vida – ao blog que tive durante mais de 10 anos tive o atrevimento de lhe meter um sub-título (de facto uma epígrafe) que era uma citação dele: “…cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio…”, uma coisa paradoxal para quem se mete a blogar, mas a minha vénia para o tipo.
    Tens razão quanto ao relativo reconhecimento do cânone português. Mas como o prémio é relativamente recente e tem que abarcar várias literaturas não pode ser exaustivo sobre as gerações anteriores. O prémio teria sido abrilhantado se tivesse sido entregue a José Cardoso Pires. E a Maria Gabriela Llansol, nestes caso ainda mais, pois escritora menos “popular”, e que assim restou mesmo para iniciados. E foi uma escritora finíssima, muito interessante. E faltarão poetas, como Ramos Rosa ou Herberto Helder, mas sou demasiado superficial leitor de poesia para me meter a botar faladura sobre isso.
    Tenho imensa pena que o prémio nunca tenha sido atribuído ao angolano Ruy Duarte de Carvalho, uma obra única, excêntrica, muito diversificada, e riquíssima. E incomparavelmente mais interessante do que a dos seus compatriotas entretanto premiados, ainda que não precisasse desse critério nacional para ser premiado.

    Acho porreiro que a gente brinque com o prémio (este e com os outros) e resmungue sobre os premiados, os critérios, os jurados. Não há nada pior do que as coisas que se querem sacralizadas. Mas, caramba, para quê poluir uma conversa sobre livros e autores, lembrar os entretanto esquecidos ou pouco lembrados, protestar com decisões anteriores (premiar Alegre para mim foi surpreendente mas também denotativo) com o habitual fel in-blog? Os júris são rotativos, e internacionais. Conheço um punhado de pessoas que lhes pertenceram. Alguns, poucos, com especial intimidade: são pessoas excepcionais, intelectuais de enorme gabarito, com obras interessantíssimas, percursos profissionais heterogéneos e complexos, e que cumpriram o biénio de jurado com enorme honestidade. E para além desse seu valor intrínseco, das suas riquíssimas biografias, sabem muito mais e vivem muito mais de/a literatura que nós, outros, medianos comentadores de blog. Para quê vir abandalhar uma boa conversa sobre livros e seus autores com a merdinha do felzito da pequena lisboa, totalmente irrelevante?

        1. Não vou insistir (muito). Mas um tipo como Rimbaud parou de publicar muito cedo e não deixa de ser Rimbaud. E Lowry publicou 2 livros em vida o que não apouca em nada o Debaixo do Vulcão. As comparações valem o que valem mas o critério quantitativo também tem os seus limites.

          1. Sim, mas Lowry deixou-nos um romance genial – um só, mas basta para figurar entre os melhores do século XX em todas as listas que conheço (e na minha também).
            De qualquer modo, não se aplicaria ao critério do Prémio Camões, que pressupõe um ‘opus’ – uma obra desenvolvida ao longo de décadas (daí o mais jovem galardoado o ter sido aos 56 anos) não apenas em qualidade mas também em quantidade.

    1. Entre Ruy Duarte de Carvalho e Pepetela, nem hesito. A favor do primeiro, infelizmente já falecido (e que não passaria pelo crivo do comentador Lavoura, pois surgiu fotografado várias vezes de cigarro na mão).

  11. Pedro, mantenho tudo o que escrevi acerca do Chico, há 3 anos, no postal do Leite Derramado.
    Curiosamente, tanto o Chico como o Dylan são dois génios… do signo Gémeos
    ⚘
    Maria

    1. Está explicado.
      Dylan e Chico Buarque são gémeos.
      Donald Trump, também.
      Está explicada a genialidade ou se calhar os signos não explicam nada.

      1. Ou se calhar explicam muito, Sr. Figueira da Foz, perdão, Sr. Buarcos.
        Isto era uma private joke para o Pedro, mas obrigada pela sua simpática resposta.
        Ah, lembrei-me agora de outro génio Gémeos: Paul McCartney!

        Esse Trump que refere é que não estou a ver quem seja… será que é dos Supertramp?
        Que parva que sou!
        Vê-se logo que não sou Gémeos, sou do signo daquele senhor que foi muito falado hoje, acho que inventou uma teoria de não sei o quê…
        ⚘
        Maria

      2. John Kennedy era Gémeos. Como Sartre, Stravinski, Paul McCartney, Miles Davis, Cole Porter, Thomas Mann, Paul Gauguin, Jacques-Yves Cousteau, Marilyn Monroe, Nicole Kidman, Hergé, Clint Eastwood, John Wayne, Conan Doyle, Natalie Portman, Morgan Freeman.
        Parabéns por ter conseguido encontrar essa reles agulha neste tão prestigiado “palheiro”.

        1. E ainda Fernando Pessoa, William Butler Yeats e Maria Helena Vieira da Silva (todos a 13 de Junho); e Maria Bethânia também é uma genial Gémeos: só boas companhias, Pedro 🙂
          ⚘
          Maria

      1. Pois não, Pedro.
        E o Trump deve ter sido trocado à nascença lá nos States e depois meteram uma data ao calhas na certidão.
        Deveriam ter posto Dia de São Nunca à Tarde…
        ⚘
        Maria

  12. Jamais compreenderei, Pedro, esta cena dos prémios.
    Jamais.
    (bastaria que fossem, as pessoas, alegres, fazendo aquilo que mais gostam de fazer, sem reconhecimentos que servem mais as editoras e “leitores” seguidistas de premiados: quem leu Yehuda Amichai – por exemplo – que não quero saber de medalhas e taças em português, sequer de moedas?)

  13. Parafraseando “o” Craft , do seu amado Eça , VPV devia ser gratuito e obrigatório”.
    Entre as suas genialidades retenho a do ” Biblicamente estúpidos”.
    Uma frase que vale um tratado…
    E o Prof. Doutor L.Lavoura além de transportar em si um óbvio Salcede, também dá uma de Sousa Neto…

    JSP

    1. “Entre as suas genialidades retenho a do ” Biblicamente estúpidos”.
      Uma frase que vale um tratado…”

      É menos genial do que pensa. A cultura inglesa tem grande ascendente em Pulido Valente. O advérbio “biblically” é usado popularmente em discurso informar para significar algo grande, desmesurado. Daí outra expressão popular – “of biblical proportions”. Basicamente, ele quis dizer “incrivevelmente estúpidos” ou “enormemente estúpidos”. Se pensa que quis literalmente significar estúpidos numa forma bíblica, insinuando que a Bíblia é estúpida (e é), está a interpretar mais do que ele lá pôs.

      Quando há quem dê foros de “genialidade” a uma frase corriqueira que se ouve todos os dias em discurso informal anglo-americano, não me estarrece que não só haja quem premeie um mero cantor e péssimo romancista com o maior galardão literário da Língua Portuguesa, como haja ainda quem pense que um mero cronista e historiador ocasional o merece.

  14. Dylan e Buarque são excelentes músicos — e nada tendo contra o facto de estar na moda ser inclusivo e agora os músicos ganharem prémios literários, acho que nem um nem outro possuem qualidade literária suficiente para merecer um prémio literário pelo menos da suposta categoria de um prémio como o Prémio Camões (O Nobel é diferente já que sempre foi um prémio político sem grande interesse literário). Escreveram canções extraordinárias mas são poetas sofríveis porque as grandes canções normalmente não sobrevivem a muita profundidade nem a grandes construções plásticas (neste campo, por exemplo, estão muito atrás de David Mourão-Ferreira que se bem me lembro nunca ganhou nada mas que fez excelentes poemas que foram musicados).

    Não é por acaso a sua ofegante (e banal e aborrecida) defesa provém previsivelmente de intenções políticas e dos habituais patrulheiros e lavradores das ideologias que os defendem ou toleram por causa disso — sem os terem lido pelo crivo da análise literária. No fundo, escutando bem as suas justificações, nota-se perfeitamente que é o prémio que a geração dos “revolucionários” que agora são os senhores feudais dos ministérios está a dar a si própria.

    1. A propósito de David Mourão-Ferreira: não se encontra um livro dele nas livrarias, excepto na área dos livros em segunda mão – e mesmo aí é raro.
      Questão de direitos autorais?
      Problemas de herança familiar?
      Ruptura com a editora?
      Volatilizou-se. Como se nunca tivesse existido.
      É lamentável.

  15. O pior é se dão o prémio a algum poeta “estragado” dos que rondam por essa Lisboa.
    Há sempre apadrinhados…

    1. O amiguismo, em regra, é parte integrante dos júris literários cá do burgo – ora agora premeio-te eu, ora agoras premeias-te tu. Não de agora, mas de há muito tempo.
      Apesar de tudo, o júri (que creio não ser fixo mas itinerante) do Camões parece-me mais idóneo do que a média.
      Com escolhas controversas, é certo, e omissões igualmente polémicas, como acentuei. Mas isso esta na natureza de todos os prémios. Até naquelas estatuetas que se distribuem todos os anos em Hollywood.

  16. Hoje estou completamente de acordo com o Pedro Correia.
    O Lavoura é um cêpo. É um rapaz muito novo. Tem de meter mais estrume naquela cabeça para que a lavoura dê melhores frutos.

  17. Senhores, o Fernando Rosas vai lançar um livro e deu uma entrevista a propósito. O rapaz, apesar de tudo mais novo do que eu, percebe tanto de fascismo, socialismo e não sei que mais, como eu percebo de lagares de azeite: népia. Mas como o gajo usa suspensórios, escreve num livrinho vermelho (eu tenho um que é verdadeiro e que rapinei à Frelimo em 1971) e é boçal, acham que é inteligentíssimo. Não passa dum doutrinador obtuso, para quem o Kim da Coreia é o máximo e o Maduro um percursor. Espero que jamais lhe atribuam o prémio literário de que aqui se fala.

    1. “Espero que jamais lhe atribuam o prémio literário de que aqui se fala.”
      Já não percebo nada, então acha que o Prémio deve ser atribuído por razões ideológicas?

  18. Caro V.,
    Que me diz, assim de repente e ao calhas, às “letras” da americaníssima ” Gentle on my mind”, ou da mais universal “Speak Low” ( sugere-se a interpretação de Ann Sophie von Otter ) ou, mais próximo de nós, “Les mensonge dùn pére à son fils” ?
    Desconte , claro, o suspeitíssimo gosto de alguém vagamente surdo…

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