Pregar aos peixes


cadernoelastico,

Já tinhamos um presidente pro bono, agora temos uma presidente da Assembleia da República pro bono. Independentemente do valor inqualificável das reformas, o que importa aqui é o desprezo pelo cargo. Os salários dos políticos são pagos ao valor a que são por vários motivos. Um deles é a independência. Estes presidentes reformados representam o quê? A Caixa de Aposentações? Isto estraga a qualidade da democracia. E é errado, do ponto de vista institucional. Mas sinto-me sempre a pregar aos peixes, quando realço estas coisas.

6 comentários em “Pregar aos peixes”

  1. “Os salários dos políticos são pagos ao valor que são”. Os salários dos políticos, especialmente aqueles com algum poder (e não o mero deputado) são bastante baixos. Um presidente de um conselho de administração numa qualquer empresa pública ganha mais que o primeiro ministro. O Fernando Mendes (!!!) que trabalha numa empresa pública, ganha mais que o presidente da republica e o primeiro ministro, juntos.
    Nisto concordo consigo, o cargo (de político) é desprezado por todos, pelos ocupantes, e pelos votantes.

  2. Não foi essa senhora que arbitrariamente atribuiu ao deputado Mota Amaral (que já vem do tempo da outra senhora…) um BMW topo de gama, com motorista? Foi – e, portanto, está tudo certo.
    É fartar, vilanagem! Até um dia, claro…

  3. o que é o salário de um político, na realidade, e particularmente no caso dos deputados?

    veja-se a biografia de miguel relvas, no site do parlamento, e respectivo registo de interesses:
    http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?BID=124

    veja-se a sua actividade profissional de consultor enquanto deputado.

    visitemos o site de qualquer grande escritório de advogados deste país e observemos as biografias dos sócios e consultores. o que encontramos aí: profissionais exclusivos do ramo, sem dúvida, e uma percentagem significativa de cidadãos que se dedicaram ou dedicam à causa pública, à custa de grandes sacrifícios.

    sim, discutamos as reformas dos políticos, e isso já levou à reformulação desses regimes, mas não esqueçamos as outras questões dos “interesses” e a desculpa de que os deputados têm que manter uma actividade profissional extra- parlamento para manterem um nível de vida que não se afaste daquele que tinham na actividade profissional privada, sob pena de isso o afastar da vida pública.

    vamos a ver e muitos deles “sobem” na vida profissional privada à conta da “experiência” política.
    afinal, o que é o salário de um político?

  4. Diz a notícias que destacas: “Assunção Esteves pôde reformar-se muito cedo, aos 42 anos, porque a lei de então contemplava um regime muito favorável para todos os juízes do Tribunal Constitucional. Podiam aposentar-se com 12 anos de serviço, independentemente da idade, ou com 40 anos de idade e dez anos de serviço.”
    Uma coisa é o que é legal e outra, bem diferente, o que é moral. À segunda figura da nação exige-se que tenha uma conduta que não contemple só o primeiro parâmetro, e não há deformação profissional que lhe sirva de desculpa.
    Além disso, concordo contigo: já não faltará muito para termos um parlamento de reformados, o que é, no mínimo, absurdo.

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