Também não sou de disparar à toa contra a Igreja Católica, João, e reconheço-lhe uma obra social importante e insubstituível. Mas não suporto paninhos quentes e subterfúgios em assuntos deste calibre, e nisso o Vaticano (e não a Igreja missionária) é exímio.
Exactamente Ana. Muito bem. Nestes assuntos os eufemismos apoucam quem os apresenta na tentativa de camuflar a gravidade da questão. Como se o verdadeiro problema fosse o “escalão etário” (desculpas antecipadas ao Pedro Correia que não gosta deste sintagma), ou o sexo das crianças e adolescentes. Bem, se os tipos da Pedagogia seguem o exemplo não tarda nada teremos a Pedagogia masculina, a Pedagogia Feminina, a Efebologia, a ciência da educação da fase da menarca, a Juvenisiologia masculina, a Juvenisiologia feminina e por aí adiante….
Como se abusar de um adolescente não fosse igulamente imperdoável e grave, não é? É isso que me indigna, Maria do Sol. Uma Igreja que teve a coragem e a dignidade de pedir desculpas públicas pelos erros passados (refiro-me à Inquisição), não pode agora deixar de condenar duramente e sem equívocos os que, em seu nome, cometem crimes desta gravidade.
“Cidade do Vaticano, 01 Out. (Lusa) – O representante do Vaticano na ONU, em Genebra, defendeu as medidas da Igreja contra os padres pederastas, a quem prefere chamar efebófilos “, justificando que a maioria cometeu esses abusos sexuais com adolescentes dos 11 aos 17 anos.” Lusa Ana, não se trata de apontar o dedo, mas, sim de constatar um facto que ,até, como a notícia diz, já foi assumido pela Igreja , quando aos nomes a chamar serão ambos e ainda pedófilos. E em rigor pederastia – desde a Grécia antiga define-se pelo relacionamento erótico de um adulto do género masculino com um adolescente do mesmo género . A efebofilia designa uma preferência sexual por adolescentes e pode se referir a adolescentes do sexo feminino, masculino ou ambos, sendo que o adulto em questão pode ser homem ou mulher. E tratando-se, segundo a notícia, de jovens a partir dos 11 anos – então poder-se-á chamá-los de pedófilos livra, 11 anos é uma criança…
Em todos esses casos existe uma enorme desproporção de forças, Maria. Não necessariamente física, mas pelo menos de maturidade, responsabilidade e grau de influência no outro. Estamos a falar de padres adultos e de crianças ou jovens em formação, que lhes estão confiados e frequentemente os reverenciam. Por isso o crime é imperdoável.
Ana, não poderia estar mais de acordo – são abomináveis tais comportamentos, eu só quis mostrar que nem na designação, eles estavam com razão – atribuindo o outro nome.
Detesto a expressão pedófilo. ‘Pedófilo’, na sua raiz, é aquele que é amigo das crianças. Exactamente ao contrário do que se passa nos casos de ‘pedofilia’.
Pedro tem razão mas, então para sermos ainda mais rigorosos pedofilia é o sentimento experimentado pelo pedófilo segundo a génese das duas palavras que é a mesma – vêm do Grego e também sabemos que, segundo a cultura da Grécia antiga , esses comportamentos , a propósito da notícia ,eram vistos com outros olhos.
Claro, Maria. Na Grécia antiga estes relacionamentos eram frequentes e considerados normais para a cultura da época. O problema é que a humanidade evoluiu, ou, enfim, gostaríamos que tivesse evoluído…
Tens toda a razão.
(Por princípio, sou reflectido e reservado no que toca a apontar o dedo à Igreja. Mas sou pelos princípios, primeiro, obviamente.)
Também não sou de disparar à toa contra a Igreja Católica, João, e reconheço-lhe uma obra social importante e insubstituível. Mas não suporto paninhos quentes e subterfúgios em assuntos deste calibre, e nisso o Vaticano (e não a Igreja missionária) é exímio.
Muito bem, Ana.
Exactamente Ana. Muito bem. Nestes assuntos os eufemismos apoucam quem os apresenta na tentativa de camuflar a gravidade da questão. Como se o verdadeiro problema fosse o “escalão etário” (desculpas antecipadas ao Pedro Correia que não gosta deste sintagma), ou o sexo das crianças e adolescentes.
Bem, se os tipos da Pedagogia seguem o exemplo não tarda nada teremos a Pedagogia masculina, a Pedagogia Feminina, a Efebologia, a ciência da educação da fase da menarca, a Juvenisiologia masculina, a Juvenisiologia feminina e por aí adiante….
Como se abusar de um adolescente não fosse igulamente imperdoável e grave, não é? É isso que me indigna, Maria do Sol. Uma Igreja que teve a coragem e a dignidade de pedir desculpas públicas pelos erros passados (refiro-me à Inquisição), não pode agora deixar de condenar duramente e sem equívocos os que, em seu nome, cometem crimes desta gravidade.
Cá por mim parecem-me efabulações a mais, Ana.
Também acho, Ariel. Efabulação foi exactamente a palavra que me veio à cabeça quando li a notícia.
“Cidade do Vaticano, 01 Out. (Lusa) – O representante do Vaticano na ONU, em Genebra, defendeu as medidas da Igreja contra os padres pederastas, a quem prefere chamar efebófilos “, justificando que a maioria cometeu esses abusos sexuais com adolescentes dos 11 aos 17 anos.”
Lusa
Ana, não se trata de apontar o dedo, mas, sim de constatar um facto que ,até, como a notícia diz, já foi assumido pela Igreja , quando aos nomes a chamar serão ambos e ainda pedófilos. E em rigor pederastia – desde a Grécia antiga define-se pelo relacionamento erótico de um adulto do género masculino com um adolescente do mesmo género . A efebofilia designa uma preferência sexual por adolescentes e pode se referir a adolescentes do sexo feminino, masculino ou ambos, sendo que o adulto em questão pode ser homem ou mulher. E tratando-se, segundo a notícia, de jovens a partir dos 11 anos – então poder-se-á chamá-los de pedófilos livra, 11 anos é uma criança…
Em todos esses casos existe uma enorme desproporção de forças, Maria. Não necessariamente física, mas pelo menos de maturidade, responsabilidade e grau de influência no outro. Estamos a falar de padres adultos e de crianças ou jovens em formação, que lhes estão confiados e frequentemente os reverenciam. Por isso o crime é imperdoável.
Ana, não poderia estar mais de acordo – são abomináveis tais comportamentos, eu só quis mostrar que nem na designação, eles estavam com razão – atribuindo o outro nome.
Detesto a expressão pedófilo. ‘Pedófilo’, na sua raiz, é aquele que é amigo das crianças. Exactamente ao contrário do que se passa nos casos de ‘pedofilia’.
Pedro tem razão mas, então para sermos ainda mais rigorosos pedofilia é o sentimento experimentado pelo pedófilo segundo a génese das duas palavras que é a mesma – vêm do Grego e também sabemos que, segundo a cultura da Grécia antiga , esses comportamentos , a propósito da notícia ,eram vistos com outros olhos.
Claro, Maria. Na Grécia antiga estes relacionamentos eram frequentes e considerados normais para a cultura da época. O problema é que a humanidade evoluiu, ou, enfim, gostaríamos que tivesse evoluído…
Essa é talvez a maior perversão, Pedro: que se tenha distorcido o próprio conceito.
Também sabia bem o que lhes fazia….