Poucos ou muitos?


Patrícia Reis,

Os doentes com lúpus, diagnosticados e identificados, são quinze mil. Os medicamentos deixaram de ter comparticipação. Como é uma doença invisível, uma doença que a maioria não entende e que afecta sobretudo mulheres, pois não se diz nada. Entre corticóides, imunosupressores, medicamentos para as articulações e de protecção solar, venha o Diabo e escolha. Este é mesmo o Estado a que chegámos.

16 comentários em “Poucos ou muitos?”

  1. Salário de trabalhador ucraniano nas estufas algarvias de framboesa por um mês de trabalho, SEM INTERRUPÇÕES ( as plantinhas não sabem quando é domingo ou feriado – é a justificação da “engenheira”) – QUINHENTOS E SETENTA euros.
    Pois, “cada um é pró que nasce” não é mesmo?

  2. Situação semelhante com a medicação para a esclerose múltipla (mas esta comparticipada a 100 %, julgo), que é cedida pelos hospitais e não é fácil ( senão mesmo impossível) consegui-la fora deles. Tenho um caso na família, de um jovem com 28 anos, e cuja condição tem vindo a degradar-se devido à falta de medicação no hospital que o “fornece”…

    1. Lamento imenso a situação, decerto existem outros casos e doenças, não mesmo a menor dúvida. Esta chamou-me a atenção por ser algo perto de casa, como se costuma dizer.

  3. Como é uma doença […] que afecta sobretudo mulheres, não se diz nada.

    Não me parece que esta afirmação tenha fundamento. Há muitas doenças que afetam sobretudo mulheres – o caso mais conhecido é o cancro da mama, que apenas atinge um número residual de homens – e que são faladas. E há muitas doenças que atingem sobretudo homens e de que quase não se fala.

    1. Há doenças que afectam as mulheres em particular e outras os homens? Evidente, não acho que exista qualquer erro na forma como me expressei, mas se leio de outra forma, pois peço desculpa.

  4. Patrícia, este governo é de tal maneira autista que não vê nada, além deles mesmos. É dramático, ao ponto onde chegámos, em pleno século XXI e mais dramático é, quando o ser humano deixou de ter valor, valor esse que hoje é dado ao dinheiro e nada mais. Dinheiro, dinheiro, mercados, mercados, é disto que se fala, o ser humano não interessa e até incomoda, quando aborda assuntos que podem atrapalhar-lhes o rumo que levam.

  5. Apenas para esclarecer: um ou uma doente com um rendimento de 55 000 € anuais que sofra de lúpus deve ter os seus medicamentos participados na mesma proporção de quem tenha um rendimento de 5 500 € anuais?
    Deve alguém que tenha 350 € por mês contribuir, através dos impostos – do IVA, por exemplo -, para que alguém que em Portugal teria uma vida agradável, fique ainda com mais rendimento disponível?

  6. Patrícia, isso parece-me tão estranho que estou a tentar verificar. Tem mesmo a certeza? Palpita-me que o que se passa é que, sendo uma doença multissistémica, os doentes consideram que muito mais medicamentos do que os que são actualmente comparticipados deveriam ser incluídos. Provavelmente com carradas de razão. Mas não é bem a mesma coisa que “Os medicamentos deixaram de ter comparticipação”.

    1. Isabel, é a informação que tenho e de uma fonte que considero fidedigna, mas quem sabe e quem sou eu? Pelos comentários que tantas vezes aparecem, dou por mim a pensar que o melhor é ficar calada.

  7. Perguntei há dias, aqui, tudo comparticipado, na mesma proporção, a uma mulher com 50 000 euros de rendimento e a uma outra com 5000.
    Teriam o mesmo desconto?
    E tudo pago com o IVA de quem até pode só ter 300 euros por mês?
    É óptimo ver como gosta de abordar estas questões.

    1. Meu caro, não entendo a ironia do seu comentário, mas quer saber? Não faz mal, devo ter de tomar um comprimido. E como não ganho nem 50 mil, nem cinco mil. A minha avó tem uma reforma terrível e uma doença de coração. Nós ajudamos? Sim, ajudamos. E ainda bem. Quanto a frase: “é óptimo ver como gosta de abordar estas questões”, como não sei quem é, escuda-se num nome que não o identifica, não sei como reagir, logo é melhor não o fazer.

      1. O meu “protesto” é com a comparticipação por doença e não por doente.
        E não creio que haja discriminação por ser uma doença mais frequente no sexo feminino. Creio, até, que as investigações das doenças auto-imunes estão entre as mais avançadas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *