No supermercado, secção de chocolates:
– Ajuda-me lá a escolher.
– Olha, estes são óptimos.
– Ah, nem pensar! São muito caros.
– E estes?
– Está melhor, mas mesmo assim não quero gastar tanto.
– Ehehe! Forreta!
– Ouve, afinal qual é a relação que eu tenho com os filhos do Jaime? Nenhuma! Os miúdos não querem saber de mim para nada. Vejo-os só no Natal! Para que hei-de então gastar dinheiro com eles? Levo um chocolate para cada um, só porque parece mal não lhes dar nada!

Se o Jaime sabe a relação periclita!
Ou…
Hipótese 1: O Jaime não sabe, nem quer saber
Hipótese 2: O Jaime retribui a (prima? amiga? cunhada? etc) com a mesma forretice
Faz ela muito bem.
Deve-se fazer assim mesmo, dar coisas baratas somente para não parecer mal não dar nada.
No poupar é que está o ganho.
Faz-me impressão saber que há muitas pessoas que a seguir ao Natal poupam no essencial (por exemplo, em tratamentos de saúde) porque no Natal gastaram demasiado no supérfluo (a dar presentes).
Oh, Lavoura! Além de razinza também é forreta?
Todas as pessoas são diferentes… existem até algumas
🎄🍿🍰🥂
que lhes parece mal receberem chocolates.
Não estão habituados a receber têm receio que lhes peçam
algo em troca. São muito sensíveis, gostam de poesia e etc e tal.
Essa sensibilidade serve para desconfiar dos outros.
Festas Felizes Teresa Ribeiro .
Obrigada, Kika. Boas Festas também para si.
que espírito tão pequenino. Qualquer criança merece atenção e carinho sobretudo nesta quadra que é do nascimento de um Deus que se fez homem. Se todos gostamos de nos sentir especiais por que não levar os outros a sentir o mesmo? Isso é que era.
Muito bem visto, Bea. Uma criança se receber um chocolate que custe 10 euros sente-se especial mas de receber um que custe 5 euros sente-se só meia especial.
Não é apenas nem sobretudo uma questão de preço nas prendas, a sagacidade das crianças capta sentimentos, elas sabem quando eles não existem ou são forçados. Não que meçam o amor pela verba dispendida, factor a que são geralmente alheias, mas, digamos, sentem o desamor como ninguém.
Ou com a atitude do “qualquer coisa serve porque não os vejo senão de ano a ano” pensa o senhor que haja atenção e interesse?! Dar produz um bem tão agradável no doador que nem entendo como podem as pessoas protelar prazer tão genuíno. Talvez não tenham aprendido o gosto da dádiva. Mas é sempre tempo de aprender.
Descrever assim o acto de dar caracteriza-o como algo egoísta que se faz para prazer próprio. Dar para nos sentirmos bem connosco, com a nossa consciência. Não considero errado que nos sintamos bem a fazer o bem, só quando dar se torna uma tentativa de encobrir algo errado dentro de nós.
E dar tornou-se complicado. Como já aqui foi notado, há quem não goste de receber porque não está em condições de retibuír. E há uma contabilidade natalícia – há quem escrutine quem deu o quê a quem e retire daí as conclusões mais absurdas.
Das experiências mais parvas que já tive, um pai ia dar um iPad ao filho, a versão básica com pouca memória, e propus-lhe contribuír para uma versão mais acima, o que nem era caro. Seria a minha prenda. Seria mas não foi, foi quase uma ofensa. Ganhou o orgulho de pai, perdeu o filho, e eu não percebo essa lógica.
Por causa de tanta mesquinhice não aprecio esta quadra. Tornou-se um estúpido barómetro para medir quem gosta mais de quem, baseado no preço do que se dá.
Vivo noutro planeta. Lá no meu sítio as pessoas gostam de dar e também gostam de receber. Não contabilizam preços, mas apreciam que os outros se preocupem com o que são os seus gostos ou necessidades pessoais. Na verdade, só conheço uma pessoa que julgo não necessitar de nada (materialmente falando) e não é do meu sítio. Entre gosto e necessidades é fácil acertar.
Mas que ideia é essa de darmos prendas para nos sentirmos bem?! É um Kantiano? Ou julga que eu o sou. Mas, nesse aspecto, não. Oferecer algo a alguém que precisa ou de quem gostamos, dá prazer sim, e nem o fim é egoísta, o fim é o bem estar da outra pessoa e não o bem estar subjectivo; ainda que o mesmo decorra do outro se sentir agradado. É uma alegria.
Confesso que essa noção também me pareceu estranha, mas lá que é sólida é. Talvez Bill Gates seja tão filantropo para não se sentir mal com o facto de todos os anos refazer a sua praia privativa perto de Nova Iorque com areia do caribe. De qualquer modo muitos milhares recebem educação e vacinas à conta dele.
Tiro-lhe o chapéu se nunca teve uma má experiência com o acto de dar. Acredite, também as há. E acredite, são bem amargas.
Acredito que dar e ser mal recebido não seja uma experiência gratificante mas julgo que não a tive, não me lembro de tal. Se a tivera, procuraria esquecê-la, por morrer uma andorinha não acaba a primavera. Há muitas outras situações em que dar é gesto natural e que provoca agrado mútuo, sobretudo se movido a sentimentos e laços que ligam as pessoas envolvidas. Prefiro guardar essas e as outras, as mais altruístas.
Haverá sempre quem tem mais e quem tem menos. Parece-me normal que os que têm mais se preocupem com quem foi, naturalmente, menos beneficiado. O motivo porque Gates o faz, só ele sabe; mas que os efeitos dos seus gestos altruístas salvam muita gente, é indubitável. E que dá lições ao mundo, é um facto. Ele nunca o saberá, mas sou-lhe grata pelo espírito humanitário.
Talvez eu mesma tenha sobrevivido por caridade alheia; sem ela, não sei quem seria hoje ou sequer se seria alguma coisa.
Bom Natal:)
Feliz Natal e Bom Ano Novo.
O verdadeiro espírito de Natal anda pelas ruas da amargura, Bea. Boas Festas!
Não viu a pub? O Verdadeiro Espírito de Natal está na Worten. E na FNAC. E no El Corte Ingles. E no Continente. E na NOS. E no MEO. E na CocaCola. E na Dior. E no BCP. E no Rei dos Pneus. E na Amazon. E na Wish.
Está por todo o lado. Pelo menos é o que a pub diz, e é melhor não contrariar, ou ainda levo com algum processo por difamação. Feliz Natal.