«Seguindo em direcção ao Cais do Sodré à procura de uma cadeira e um café, a única coisa que me acompanha, depois de passar a Portugália, é o rio, um barco ou outro e um cheiro intenso a – peço desculpa pela linguagem – mijo.
Eu sei que não faz parte das funções da CML ou da Junta de Freguesia da Misericódia dar lições de civilidade ao bando de energúmenos que se alivia na rua, mas não me parece que, numa altura em que toda a gente enche a boca com o turismo e jura a pés juntos que não temos turistas em excesso, se possa aceitar que uma parcela da margem do Tejo seja um urinol a céu aberto.»
Edgardo Pacheco, no Correio da Manhã (24 de Março)

É o que eu tenho dito. A Câmara de Lisboa e as juntas são primeiramente instrumentos corporativos de recompensa e carreirismo dos partidos e são usadas infamemente como instrumentos de propaganda, intromissão nas actividades comerciais, perturbação desniveladora das várias economias da cidade, como o arrendamento, o comércio, agora os transportes (como faz o Estado, aliás) tendo em muito terceiro ou quarto plano as competências e tarefas que lhes são atribuídas pela sua legislação fundadora. Alguma coisa justifica que as pessoas sejam obrigadas a guardar lixo em casa e havendo inclusivamente ameaças e a perspectiva de multas para quem não separa os lixos que é um trabalho da competência das Câmaras. E os grafittis que Costa nunca apagou e que ia apagar no primeiro dia de trabalho? E as ciganadas na junta de Arroios? A ausência de um plano de fundo e apenas obras feitas aqui feitas acolá sem critério? Tudo isso comprova que a orientação dada à gestão e os seus desígnios estão ao sabor da partidarite e não de uma vontade de organizar a cidade. Anos e anos já foram perdidos, entregues à ganância de uma casta política sem visão e sem qualidades. No fundo, também essa ganância é sinal da pobreza à qual o regime (por existir) nos condena eternamente: os nossos concidadãos —as chefias— que actuam na política não têm espírito de missão, tem espírito de salvação (querem riqueza). São os próprios mecanismos partidários e as formas de chegar às chefias que criam este problema. Além disso, os cursos de gestão autárquica deviam ser sub-divisões das faculdades de arquitectura e não de organismos corporativos como o CEFA e coisas do género onde os partidos têm os seus tentáculos e usam também para carreirismo e recompensas.
Infelizmente é um problema um bocado insolúvel.
E não afeta somente Lisboa. Ainda no outro dia li sobre a recente instalação em Paris de um novo tipo de urinol público (gratuito, claro – isso é crucial) precisamente para as pessoas se aliviarem sem dar origem a mau cheiro. É que parece que Paris, a cidade-luz, também padece do mesmo problema… talvez seja por isso que os turistas não se importam de o encontrar em Lisboa!
“Ainda no outro dia li sobre a recente instalação em Paris de um novo tipo de urinol público (gratuito, claro – isso é crucial) precisamente para as pessoas se aliviarem sem dar origem a mau cheiro. É que parece que Paris, a cidade-luz, também padece do mesmo problema.”
Errado. Vim de lá a semana passada. Paga 70 cêntimos para se aliviar. E não cheira a mijo. O mijo francês, ao contrário do luso, parece ser solúvel.
É da comida muçulmana que eles já são obrigados a comer. Começou nas barbas homo-eróticas inspiradas na púbis do profeta e passou para todo o resto da fisiologia. Cheira a deserto.
Mas o raio da comida do deserto é boa, sobretudo em Montmartre.
Por falar em mijo:
O V.Excia pediu- me a foto do tal “banco falido” com o verso errado do FPessoa…Enviei.
A pergunta:
Estava gozar comigo ou não acreditou ???
Para a próxima ( que espero não haver) enviou-lhe uma foto do penico que o meu avô usava! ( Fabrica de Sacavém)… Vá gozar a tia!!!
Vossa Indecência pode ter “enviado”. Mas não faço ideia para quem. Acontece que não recebi foto alguma.
Quanto à forma e ao conteúdo destas suas linhas, nem vale a pena perder tempo a qualificá-los. Por serem inqualificáveis.
Pedro, mas é por cheirar a mijo que Lisboa atrai tantos turistas. Para monumentos têm Paris, Viena, Praga, Roma, Florença….
Para p…Amsterdão.
O que os turistas procuram em Lisboa, é igual àquilo que procuramos, nós portugueses, quando decidimos ir ao campo. O cheiro a animais e a inocência bruta da ruralidade. Ir a Lisboa é para os turistas, do mundo ocidental, uma viagem aos idos 1800 e troca o passo
Eu diria que, mis do que a mijo, Lisboa está cada vez mais com um pivete a motores diesel. À medida que mais e mais portugueses se passam para os carros a gasóleo, o número de vezes que uma pessoa é atingida pelo pivete insuportável desses motores cresce.
Acho um bocado surpreendente que cheire a mijo nessa zona da cidade, porque ela está cheia de bares e restaurantes nos quais uma pessoa facilmente pode entrar para se aliviar numa casa-de-banho. (Ou então, sou eu que não estou a ver bem a zona.) Ademais, não há nessa zona muitas árvores nem sítios escondidos onde se possa mijar com um mínimo de privacidade.
Lavoura, hoje, o pessoal já não tapa o Ego atrás de uma árvore. Fazem gala de mostrá-lo.