Post-it


modosdever,

Primeiro foi o Halloween, agora é o Thanksgiving. A seguir será o Mamby on the Beach na praia de Carcavelos, o Bay to Breakers na Ponte 25 de Abril, o Fun Fun Fun Fest no Meco, o Saint Patricks Day, e, por fim, o 4 de Julho e majoretes na Avenida da Liberdade? Que país tão poroso, raios!…

41 comentários em “Post-it”

    1. Heheh. Mas é normal.

      A religião foi-se, é preciso qualquer coisa onde se agarrar e como o que as pessoas vêem é quase tudo feito nos EUA…

        1. Hmm, então este blogue não está cheio de evangelistas ou ex. ?

          Os jornalistas tomaram o lugar dos padres, quem define hoje a moral são os jornalistas, os media. A função do “telejornal” é como a missa outrora…
          Jornalismo “de referência” não passa de evangelização política pois é essa a neo-religião: acreditar no processo político como se acreditava em Deus.

          1. Comete o maior dos pecados: a generalização. Não assino nem uma letra do que acaba de afirmar. Se há quem aja assim há também quem não aja.

          2. Qual é o jornal que notícia criadores e inventores, já nem falo de os promover?

            Tirando o futebol onde há uma cultura de base que promove a excelência e por isso é a área em que o país é mais competitivo não há.

            A cultura do pais que o jornalismo criou limita-se ao processo político para dividir a riqueza pelo Estado.

            Não se discute criar, inventar, fazer.

            Ora uma das razões porque Portugal existe sem quase existir é precisamente essa. Por exemplo quantas palavras foram inventadas em Portugal. Um pais que cria, inventa tem de criar palavras também.

            —-

            Se o pais não fosse tão poroso teria um partido da “extrema direita”.
            A não existência é que nos faz aceitar tudo. Ao contrário a assertividade, ou seja menor tolerância implica obviamente dizer mais vezes não.

            Lembra-me aquelas mães que protegem o filho de tudo mas depois querem que ele ao mesmo tempo seja adulto…

  1. País poroso? O país, coitado, dá-nos o que pode e o que não pode; nós é que temos no sangue o espírito de embarcadiços – e se antes eram caravelas e sextantes, agora são redcarpets e modas. O que faz falta é embarcar a malta

      1. Não o pretendo contrariar – mas todos temos o mesmo sangue, não fôssemos humanos e, por isso, potencialmente curiosos. Felizmente, não embarcamos todos nas mesmas viagens (segundo consta, a última vez que tentaram meter a humanidade no mesmo barco foi uma trovoada tal que o barco andou à deriva, encalhou num monte e o no fim tudo mudou para ficar igual… consta!)

        Eu nem o Carnaval importo, sou mais dada ao Entrudo

          1. Percebi-o perfeitamente no postal.
            E gostei do “pais poroso”, não apenas pela permeabilidade mas também pela fragilidade resultante de tal erosão.
            O que quis realçar, aparentemente sem sucesso, foi o sermos nós, estas gerações de agora – e não o país, que era há 40 anos o mesmo d’A Cidade e as Serras. Nem tampouco o Fernando, eu ou os muitos outros que recusamos tais perdas de identidade cultural.

  2. Estou admirado, finalmente alguém disse algo de importante!
    Ver aqui mais:
    Como está na moda falar de assuntos com pouco ou nenhum interesse ou divertidos e eu não gosto de estar na moda e gosto de resistir vou desiludir alguns, deixo aqui este artigo para ler e refletir:

    Limites entre jornalismo e entretenimento
    https://medium.com/observat%C3%B3rio-de-m%C3%ADdia/limites-entre-jornalismo-e-entretenimento-82b95a7cb644

    O artigo é brasileiro mas o mesmo se aplica ao que acontece cá!

    E aqui está uma parte:
    O grande questionamento feito com base nestes casos, é com relação a esta exposição exacerbada dos meios jornalísticos, de dados irrelevantes para o bem estar social, ou seja que modifiquemos rumos da sociedade, quando temos fatos relevantes que afetam a comunidade em geral e são deixados de lados para satisfazer interesses privados, sendo ocultados e vítimas de manipulação da mídia.

    Estas notícias tratadas nesta análise como ‘’inúteis’’, acabam ocupando espaço de outras que seriam importantes para os rumos sociais. O jornalismo tem a função de informar, ao passo que o entretenimento tem a função de divertir.

    Ou seja o que é irrelevante e divertido passou a ser a prioridade pois dá mais audiências e mais vendas!

    Conclusão: O povo é infantil o os media aproveitam-se disso!

    1. Abarca aqui uma série de temas caros ao jornalismo porém temo não ter vida suficiente para os discutir. Mas fico satisfeito que tenha achado oportuna esta minha pequena pedrada no charco da aridez nacional.

  3. Bom post!

    Agora está na moda dar valor a tudo o que é insignificante como manobra de diversão para desviar a atenção do que é importante e manipular as pessoas

    Já não bastava os media publicarem “lixo”, isto é tudo o que é insignificante, fútil, etc., agora com a moda das ‘fake news’, alguns verificam o que é verdadeiro ou falso. Até aí tudo bem, o problema é que parece que verificam tudo independentemente de ter valor ou não. Já tive vontade de lhes pedir para verificam se eu ontem jantei em casa ou fora!

    Eu ontem jantei em casa. Alguém está interessado em saber se é verdade?

    Já agora pergunto, quem está interessado no jornalixo?

    1. Percebo as suas indignações, creia que sim. Peço-lhe apenas que se mantenha aberto àqueles que mesmo no meio da confusão ainda acreditam e trabalham pela verdade – a verdade possível, evidentemente, ou aquela que percepcionamos como possível.

      1. Ainda bem que me compreende. Alguns não percebem ou não querem perceber que a situação é mesmo grave, está muita coisa em causa:
        – A civilização
        – A democracia
        – A verdade
        – A transparência
        – O dever de informar

        E enquanto isto acontece alguns calmamente divertem-se a discutir o “sexo dos anjos”. Quando se perde tempo a discutir isto, depois não sobra tempo para o que é importante.

        E os reguladores olham para o lado!

  4. Pois também faço coro com os descontentes do modismo importado dos USA. Prefiro as lusas tradições; os saldos mesmo que antecipados e em data improvável; os rituais que pertencem ao nosso rectângulo breve; os preceitos familiares por agregado; e até os pequenos pormenores que cada um decide observar.
    E quero que a black friday se lixe que não tenho pachorra para multidões extravasadas e não me apetece obedecer a sugestões sem raiz.

  5. BORBA COM ÁGUA PELA BARBA
    Agora pergunto eu:
    Qual a entidade a quem competia a fiscalização da segurança da extração do mármore, para os trabalhadores envolvidos e para terceiros?
    Como foi possível terem deixado chegar os cortes com descalce até à prumada da borda da estrada?
    Se aquela via foi entregue, parece que mal, à autarquia, não era a esta que competiria, e bem, fazer regular inspeção dos trabalhos zelando pelo cumprimento de todo o normativo aplicável.
    Qual a tutela da entidade fiscalizadora que devia ter atuado?
    COSTA À VISTA!

    1. Eheheheheheheh… Andei a tirar retratos às montras em inglês e é um verdadeiro escândalo o que se está a passar, Pedro. Não imaginas. Em dez, nove são em inglês. Até o Dia do Pai desapareceu. Agora temos o Father´s Day.

    1. Vento o provincianismo é tão antigo como o mundo e subsistirá enquanto as sociedades forem aglomerados demasiado desiguais em todos os ítens do índice do desenvolvimento humano. Não conheço nenhuma no planeta onde o provincianismo não esteja. Cabe-nos a nós mudar as coisas assim acreditemos nisso e tenhamos força. Não sou catastrofista, bem vê. Como também não denuncio o provincianismo no quadro de uma linguagem elitista ditada pelo dinheiro, que aliás não tenho, nem na qualidade de estrangeirado, que também não sou. Enfim penso que isto que acabei de escrever cabe de alguma maneira no que também acha.

      1. FS, se me permite o trato, o IDH nada tem que ver com este aspecto. Aliás, se aferíssemos o provincianismo actual por esse quadro chegaríamos à conclusão que todo esse relato que faz em seu post se deve efectivamente à melhoria desse IDH.
        O provincianismo ocorre também quando perdemos a noção do contexto cultural e buscamos um snobismo bacoco à conta de um pseudo-avanço cultural.
        Em conclusão, provinciano também é aquele e aquela que não é capaz de distinguir que, por exemplo, o folclore não é bom nem é mão, é genuíno. Faz parte de um contexto e de uma cultura. Procurar sobrepor um folclore a outro é o modelo (a)típico do provincianismo.

        1. Caríssimo não tenho dúvidas em relação à segunda parte da sua argumentação relativamente ao provincianismo enquanto snobismo bacoco a que me referi também. Aliás se reparar a acusação de provincianismo vem sempre dos níveis letrados. Em particular estamos de acordo no caso do folclore. Já em relação à primeira não vejo como é que a importação de festas, festejos e hábitos em tão larga escala e ocupando por vezes o espaço de outras tradicionais possa corresponder à melhoria do IDH tendo até em conta que este processo entre nós tem acompanhado o recuo do país na tabela. Mas não insisto neste raciocínio.

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