Ouço e leio que Sampaio da Nóvoa, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores, “cumpriu os seus objectivos”. O jornal Público, para meu espanto, chegou a incluí-lo entre os vencedores da eleição presidencial. Pensava eu que o maior objectivo do antigo reitor era passar à segunda volta. Afinal estava enganado.
Pós-eleitorais (1)
Pedro Correia,

Eles já estão tão habituados a ter “poucochinho” que daqui a pouco estão como o PCP: por pouco que tenham ganham sempre…
Uma derrota monumental, com 30 pontos percentuais abaixo do vencedor, dá direito a seta para cima num jornal de referência. Estamos sempre a aprender.
Um jornal de “referência” é por definição um jornal dedicado a vender a importância da Política.
E a Política é a melhor maneira de conseguir negar a realidade sem passar por maluco ou imbecil.
Considerar Sampaio da Nóvoa “vencedor” da eleição presidencial de 2016 equivale a proclamar vencedores os seguintes candidatos das eleições precedentes:
2011 – Manuel Alegre
2006 – Manuel Alegre
2001 – Ferreira do Amaral
1996 – Cavaco Silva
1991 – Basílio Horta
1986 – Freitas do Amaral
1980 – Soares Carneiro
1976 – Otelo Saraiva de Carvalho
Sampaio da Nóvoa, rejeitado por mais de três quartos dos eleitores
Esta é uma interpretação errada dos resultados de uma eleição. Numa eleição, os eleitores votam no candidato que preferem, o que não quer dizer que rejeitem todos os restantes.
Talvez queira dizer que sentiam um secreto fascínio pelos restantes candidatos mas eram demasiado tímidos para votar neles.
O Lavoura decidiu aplicar a teoria do poliamor à política.
Ou talvez poliódio. Já li muitos posts em que os autores diziam que votavam em Marcelo por ser o mal menor.
De qualquer forma, nada nos permite afirmar que as pessoas rejeitam os candidatos em que não votam. Podem simplesmente achar que outro candidato é melhor.
Tino de Rans foi muito votado na sua freguesia e isso não se deveu certamente a as pessoas dessa freguesia rejeitarem Marcelo.
Olha-me este: não sabe o significado de “escolher”.
Querem ver que o Lavoura anda a votar nulo desde que se descobriu cidadão eleitor?…
O jornal Público, para meu espanto, chegou a incluí-lo entre os vencedores da eleição presidencial.
Portanto, o Pedro considera que houve apenas um vencedor da eleição, certo? Ao contrário de seus colegas de blogue, que consideram que Marisa foi uma das vencedoras (ela que foi “rejeitada” por 90% dos votantes) e que Tino foi outro (apesar de ter sido “rejeitado” por 96% dos eleitores), o Pedro considera que apenas Marcelo foi vencedor!
As interpretações do Pedro são de uma plasticidade comovente!
Claro que houve apenas um vencedor desta eleição: Marcelo Rebelo de Sousa.
Os que estão a fazer o pino dirão que foi Sampaio da Nóvoa quem venceu. Daí a seta a subir.
Marisa Matias disputava um campeonato diferente. Com o candidato do PCP. E venceu-o, naturalmente.
O Tino de Rãs ganhou o campeonato dos últimos. Mas perdeu em comparação com os 4,5% obtidos por José Manuel Coelho nas presidenciais de 2011.
Caro Pedro:
Quando fala do seu último ódio de estimação perde toda a racionalidade, saber e bom senso, que são brilhantes, os quais costumam enformar os seus restantes textos.
Há muita maneira de analisar os resultados, deixo-lhe 9 boas razões para se informar e reflectir:
1 – Era um candidato desconhecido para a esmagadora maioria do eleitorado;
2 – Para uns, não dizia nada, mas para outros era muito perigoso pelo que dizia: o que era contraditório;
3 – Disputava metade do eleitorado mais um voto, num eleitorado fragmentado sensivelmente a meio entre direita e esquerda;
4 – Na sua área (esquerda e centro-esquerda), ou que dela eram oriundos, tinha, pelo menos mais 6 concorrentes (Maria de Belém; Marisa Matias; Edgar Silva; Henrique Neto; Vitorino Silva e Cândido Ferreira);
5 – No partido da esquerda que o apoiava (informal encapotadamente) tinha uma concorrente forte e histórica, que fora sua ministra, deputada e presidente;
6 – Concorria contra um único candidato da outra metade do eleitorado, que tinha um mediatismo público ímpar;
7 – Teve sempre a má vontade explícita dos principais jornalistas e da maioria dos «media», desde o início e até ao fim;
8 – Enfrentou um rol de acusações absurdas e infundadas:
a) Terrorista da LUAR, quando fez por lá uma passagem fugaz aos 19 anos, como são normalmente fugazes e irresponsáveis as opções dos 19 anos;
b) Refractário à tropa quando nunca foi chamado ao SMO, apesar de ter feito a inspecção no pós-25 de Abril;
c) Comparado ao Dr. Instantâneo Relvas na licenciatura, outras vezes não licenciado, outras licenciado em palhaçadas (teatro), quando as suas habilitações académicas são todas obtidas em instituições credíveis, por processos claros e escrutinados, e são do melhor que há:
– licenciatura em Educação conferida pela Universidade de Aveiro, por equivalência ao Curso de Estudos Avançados da Universidade de Genève (universidade criada em 1549 e classificada recentemente como a 32.ª melhor do mundo);
– Doutoramento em Ciências da Educação pela Universidade de Genève (onde foi Assistente do Prof. Pierre Furter), cuja tese é pública, está publicada em Portugal pelo antigo INIC (antecessor da actual Fundação para a Ciência e Tecnologia): «Le Temps des Professeurs – Analyse Socio-Historique de la Profession Enseignante au Portugal (XVIII-XX Siècle)», Lisboa, Instituto Nacional de Investigação Científica, 1987, 2 volumes, 939 páginas.
– Doutoramento em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Sorbonne – Paris IV.
– Além de ter trabalhado ou colaborado em instituições como a University of Wisconsin Madison (1993/1994), a Columbia University New York (2002). onde foi Professor Convidado, ou o INRP/Université de Paris V (1995) e a University of Oxford (2001), onde foi Investigador Visitante, ou as universidades de Barcelona, Genève, Montreal, São Paulo, etc., onde colaborou em programas de doutoramento.
9 – Apesar de tudo isto, ficou a 1,9% de conseguir a única vitória possível na 1.ª volta: que era a passagem à 2.ª volta.
E o Pedro classifica este resultado como uma pesada derrota por não ter cumprido os objectivos a que se propôs, a passagem à 2.ª volta, mas antes refere-o como rejeitado por 3/4 do eleitorado.
Podia ter tido um resultado muito melhor?
Em que ficamos?
O objectivo era passar à 2.ª volta ou ganhar com 50% mais um voto?
Concluindo: ficou a 1,9% de cumprir o objectivo, apesar das condições tão difíceis que enfrentou: quase todos contra ele.
Retire as suas conclusões.
Com essa verve, meu caro, você habilita-se a ser jornalista/analista do ‘Público’: tudo está bem quando acaba mal.
Qualquer desaire nas urnas, com 30 pontos percentuais de distância, garante a setinha a subir.
Caro Pedro:
Algo do que digo é falso?
A prova de que não é falso é a sua ausência de refutação.
Penso que fui suficientemente factual e objectivo na enunciação dos meus itens.
Portanto, alguma razão hei-de ter, não a quero ter toda: afinal, ele foi derrotado no único objectivo que tinha (para já), a passagem à 2.ª volta.
Por pouco, 1,9%, mas derrotado.
Devido a erros políticos na condução da campanha, em minha modesta opinião.
Meu caro: as coisas são como são, não como gostaríamos que tivessem sido. Não existe nada de mais fútil do que debater “vitórias morais” na política. De resto, trinta pontos de diferença é expressão mais do que suficiente para travar qualquer debate pós-eleitoral do género “ele ganhou, mas por pouco”.
Marcelo enfrentou nove rivais. Nove. Nunca nada de semelhante tinha acontecido na democracia portuguesa.
E a verdade é que venceu à primeira volta. Os factos são teimosos, como dizia o outro.
Caro Pedro:
Não o reconheço nos seus habituais e lúcidos comentários.
Paciência, também tem direito a um momento menos conseguido.
Amigos como dantes.
Sim, amigos como dantes. Mas se entende ser controverso o que escrevi, sinta-se à vontade para contestar.
Algo está muito, muito mal quando se acha “normalmente fugazes e irresponsáveis as opções dos 19 anos”.
Idade em que já se é oficialmente adulto. Idade em que se pode votar e conduzir um automóvel, por exemplo, entre tantas coisas que se não compatibilizam – não deviam ser vistas como compatibilizáveis – com uma espécie de irresponsabilidade com beneplácito geral e obrigatório. Inexperiência, imaturidade (e ainda assim com considerável moderação na tolerância que mereça: a pertença, mesmo que breve a uma organização terrorista não é coisa menor), talvez.
Irresponsabilidade, e mais ainda com a predisposição da sociedade para tudo apagar e relevar por conta da idade (ou de se achar, o próprio, no direito de tudo ver apagado ou relevado, por ter sido “jovem”), diz muito de muitos de nós.
Eternas cigarras, inchadas de direitos adquiridos.
Costa
Pior que isso é alguém perder a virgindade política aos 60 anos e ambicionar logo assentar praça em general.
O mote da campanha era derrotar sem dó nem piedade o Marcelo…
Não conseguiram. logo todos os outros perderam!
Quod erat demonstrandum.
Agora, aos que perdem as eleições chamam-lhes vencedores e os que claramente as ganham nas urnas se se descuidam ainda acabam perdendo …. e digam lá se isto não é uma paródia!
Se a moda pega o pessoal acaba por ficar em casa no dia das eleições.
Quem ganha, perde. Quem perde, ganha.
É o costume. Andamos nisto há 40 anos. Um certo partido caiu mesmo no anedotário nacional porque, não tendo nunca ganho qualquer eleição nacional, reclamou sempre vitória.
Ainda agora voltou a acontecer.
“E não porque seja isso assim, mas porque andam sempre entre nós uma caterva de encantadores que todas as coisas mudam e trocam, e as volvem segundo seu gosto e segundo lhes apraz favorecer-nos ou destruiir-nos; e assim, isso que a ti parece bacia de barbeiro, parece-me a mim o elmo de Mambrino e a outro paracerá outra coisa. “
Sabedoria centenária.
Eu acho graça á direita toda contente com a vitória do Marcelo,direita essa que ele se borrifou, ou pensam que ele se esqueceu do Portas, e do catavento do PPC???? Parecem as criancinhas a disputar o brinquedo! Eu para o sucesso deste governo prefiro o Marcelo a qualquer um!!! Por isso votei nele e sou de esquerda! Já viram a capa do Económico de hoje? Finalmente acabou o “carnaval” e esta governo com um presidente eleito vai governar os 4 anos!
Eheheheh. Só falta você dizer que Marcelo é de “esquerda” e que a vitória eleitoral nas presidenciais foi da “esquerda”.
É espantosa a quantidade de truques retóricos a que vocês recorrem para evitarem reconhecer as derrotas.
Mas, por muito que não queiram, foram derrotados. As coisas são o que são.
Marcelo não é de esquerda, mas é a esquerda da direita, dito por ele mesmo. A vitória de Marcelo deve-se a ele mesmo e não aos partidos de direita, com os quais nada quis. As pessoas votaram Marcelo, não votaram nos partidos. Não vá por aí porque se vai por aí, a direita também perdeu porque o próprio não quis nada com eles nem tão pouco os quis a ladeá-lo.
“A vitória de Marcelo deve-se a ele mesmo”. Eis uma frase acertada. Que poderia ter sido escrita também por Monsieur de La Palice.
Realmente,ele o ano passado até foi á festa do Avante!!! Ia lá todos os anos não ia??? Ai não, foi só o ano passado!!
E qual a relevância disso? Só quem tem cartão de militante pode ir à festa do Avante?
A relevância se as quisermos ver são bem evidentes. Marcelo está de bem, com a direita e esquerda e não tem vergonha nem medo, de ir a festas de comunistas. Outros há que nem pensar, ir a uma festa dessas! Basta ler os comentários de desdém, feitas aqui, por muitos.
“Medo de ir a festas de comunistas”? Mas as festas dos comunistas metem medo a alguém?! Só se forem as “festas” comunistas da ditadura norte-coreana, armada até aos dentes e pronta a espezinhar qualquer indício de rebeldia.
Deixe lá a Coreia do Norte que de comunismo não tem nada, mas de estupidez e loucura tem tudo. Medo que os outros digam, aquele anda com os comunistas. Não desconverse porque entendeu perfeitamente. Será que esta UE não está a preparar-se para espezinhar os outros até aos dentes? Cabe na cabeça de alguém o que os dinamarqueses e outros os vão seguir, em retirarem aos refugiados os valores que eles possuem. Falou-se hoje do holocausto, mas esqueceram-se da hipocrisia que reina nesta Europa, onde os valores humanos, dão lugar à estupidez e ganância.
Medo de “andar com comunistas”? Medo de quê?! Cada vez percebo menos a sua tese. Só se esses comunistas forem norte-coreanos, armados com a bomba atómica.
Não perceba. Deixe-se ficar nessa ignorância falsa, de que tanto gosta que fica bem.
Esta mania que certos sectores têm de negar as realidades, a prazo tem os dias contados; e aliado a dificuldade de arrepiar caminho, tem feito que o PCP, por ex. tenha deixado que uns liricos, lhes tenham ocupado 10% do seu espaço natural, e duam forma categorica e afirmativa penso que o vão segurar. Com esganiçadas ou sem esganiçadas engraçadinhas é uma força instalada que vai provavelmente ajudar a que o PCP não volte a crescer e mesmo que agora arrepiasse caminho (um milagre?!!) já perdeu o comboio da historia.
É algo normal. Os partidos comunistas italiano e francês, outrora os mais poderosos do Ocidente, desapareceram do mapa. Deixaram de apresentar-se com as suas siglas (o que, de resto, também o PCP faz desde 1979) e viram os eleitores, em certos casos, transferir o voto directamente para a direita nacionalista e soberanista. Também em Espanha o PC deixou praticamente de existir. O mesmo sucede nos países do Leste da Europa, até há um quarto de século submetidos ao jugo comunista.
Os 4% agora obtidos pelo candidato do PCP são o pior resultado desde sempre registado por esta área política em Portugal. Mas, apesar de tudo, são muito superiores à média eleitoral dos comunistas na Europa.
“… rejeitado por mais de três quartos dos eleitores,…”
Realmente o forte do pessoal no Público não é a matemática.
Rejeitar …. eleitor,
1.033.000 votos em 9.700.000 indicia que 90% dos eleitores ou rejeitaram ou ignoraram o candidato Sampaio.
Eleitores com voto expresso é uma realidade.
Eleitores sem voto expresso é uma, outra, realidade. Ambas as realidades existem antes e depois das eleições. TODOS são cidadãos.
O vencedor convenceu 24% dos eleitores a votarem nele.
O vencedor não convenceu 76% dos eleitores a votarem nele.
51% dos eleitores não simpatizou com nenhum dos candidatos.
25% dos eleitores até votou expressamente contra o vencedor.
O vencedor será por Lei PR de todos os portugueses.
Não se deve esquecer que na realidade só convenceu, e está suportado, por 24 %.
E que até 76 % não votaram nele.
Ó filho, quem não vota não conta.
Também andaste com o Nóvoa a estudar matemática?…
Este anónimo chega aqui de calculadora em punho pretendendo fazer “análise política” a partir de quem não votou. E elege um número ridículo para lhe servir de base ao raciocínio. Sem perceber que essa base vale tanto como a areia dos castelos que os miúdos constroem à beira-mar.
Basta dois dedos de testa. Se Portugal tem 10,4 milhões de habitantes (dados de 2013) como poderá haver 9,7 milhões de eleitores sabendo nós que o direito de voto só existe a partir dos 18 anos e que larguíssimos milhares de portugueses nunca se inscreveram como eleitores?
Os cadernos eleitorais estão falseados. Não correspondem minimamente à realidade. Os mortos continuam a contar. E por isso as taxas de “abstenção” tendem a ser cada vez maiores, de eleição em eleição.
A partir daí tudo quanto o anónimo escreve vale tanto como estes cadernos eleitorais que permanecem por expurgar. Nada.
Cada um usa a bitola que lhe convém usar. Normalmente, usa a grande quando quer comprar e a pequena quando quer vender.
1- Perca de tempo tentar complicar e inventar sobre estas eleições, porque o candidato da direita foi o prf.Marcelo e da esquerda foram os restantes.
O resultado foi claro e pode ser interpretado como uma resposta igualmente clara à geringonça.
2- O maior partido da esquerda concorreu com 2 candidatos e não com 1. E não vale a pena tentar fazer reinar a ideia de que isso não aconteceu, porque aconteceu.
Resultado é que a esquerda não venceu, nem por poucochinho e muito menos o maior partido da esquerda, que apenas conseguiu mostrar que está dividido em dois. E a esquerda dividida em 4.
As chamadas esquerdas quiseram medir forças nas presidenciais. Perverteram o espírito deste escrutínio, transformando-o numa segunda volta das legislativas (e em novo ‘round’ das primárias do PS, no caso do confronto Nóvoa/Belém). Alegavam que só a multiplicação das candidaturas conseguiria travar o passo ao “candidato da direita”. Pura mistificação, como a linguagem das urnas demonstrou: as esquerdas somadas valem hoje 38,1%. Em política o aumento de parcelas costuma produzir resultados destes: subtrair em vez de somar.