Normalmente, defendo a teoria de que essas pessoas, que repelem de forma tão violenta a homossexualidade, estão a reprimir orientações semelhantes. Seria bom que o MP levantasse uma acção qualquer contra esse pai, não só pelos actos discriminativos e negligência enquanto pai, mas, sobretudo, por violência doméstica.
Se eu fosse polícia de serviço, naquela noite, teria dito ao pai: “O miúdo pode regressar a casa, mas você fica de molho, numa das nossas celas, até vir um psicólogo avaliar o seu estado!!!” No mínimo!
Pergunto-me qual a reacção da mãe… Não conheço a situação familiar, até pode haver outros filhos menores. Mas eu, assim a frio, deixava o marido, saía de casa, para ficar com o filho!
Também já me tinha perguntado qual o papel da mãe no meio disto tudo, mas não se fala dela na notícia. O pai devia ser criminalmente responsabilizado por uma enormidade destas.
E como seria aquele pai posto de molho numa cela se não se tivesse apresentado com o filho?… Essa é a questão: aquele pai, transtornado e violento, certamente com pensamentos insanos a cruzarem-lhe a mente, ainda assim teve a lucidez, talvez já em desespero, de solicitar ajuda à polícia para lhe tirarem o filho da frente antes que cometesse a maior loucura da sua vida. E que fez a polícia? Depois de constatar nada poder fazer (a burocracia não o permite), mandou o filho de volta para casa, para junto do pai. O que é de esperar nos próximos dias? Possivelmente que um deles apareça morto. Surgirá então o comissário da polícia e a responsável da segurança social a lamentarem-se por ter sido impossível precaver tamanha desgraça. E no quentinho da blogosfera despontará mais uma onda de indignação perante um Portugal tão pouco moderno e tolerante…
Lemos a mesma notícia. Mas não a interpretámos da mesma forma.
Para si, tratou-se de um pai que humilhou o seu filho perante as autoridades policiais, e o renegou, mostrando assim toda a sua intolerância e mesquinhez perante a orientação sexual do filho.
Já eu vejo um pai de cabeça perdida, com um historial de violência, dando sinais de se sentir desonrado por um filho também violento, e que faz troça da capacidade intelectual do pai. E que a história daquele dia não acabou, como seria quase certo, com uma caçadeira a ser disparada, mas com o pai a entregar o filho à polícia. Surpreendente. E uma oportunidade de ouro para impedir mais um desfecho trágico. Que parece ter sido desperdiçada. O pormenor do filho ser gay, merecendo ser discutido, na notícia é um fait-divers. Daria o mesmo se ele fosse do Sporting ou tivesse entrado para os Jeovás. A fúria que ele despertou no pai, e que tem os ingredientes certos para se tornar uma raiva homicida, isso é que merece atenção. Ou devia merecer. Diante de uma panela de pressão prestes a explodir, de pouco adianta lastimar que não seja moderna, ou que devia ser mais tolerante às batatas espanholas.
Não sei se lemos, porque agora que a fui ler outra vez percebi que já a tinham completado. Seja como for, sim vejo o absurdo de um pai não aceitar a alegada homossexualidade do filho e a atitude inominável de o entregar à polícia, mas agora que explicou também concordo que, dadas as circunstâncias, talvez tivesse valido mais que o jovem tivesse ficado entregue a quem o protegesse e não a um agressor. Mas não concordo que a homossexualidade do filho seja irrelevante.
Há dias, num curto espaço de tempo, quatro mulheres foram assassinadas pelos seus maridos. Entrevistaram-se familiares, vizinhos, conhecidos e desconhecidos. Todos condenaram, todos se mostraram convictamente contra a violência doméstica. Questionados sobre se suspeitavam que algo pudesse acontecer, indicaram algumas desconfianças; mas diziam terem sido surpreendidos com o sucedido, que ninguém esperava tal desfecho, que fulano e sicrano até eram pessoas muito pacatas e cordiais. Ninguém parece compreender do que é capaz um homem em fúria e que se sinta desonrado. Ninguém parece ser capaz de ler os sinais. E as coisas acontecem. Depois todos se indignam, todos têm pena. Para quem morreu, já é tarde.
Subscrevo inteiramente. A escalada de violência doméstica é aterradora.
Também fui ler a notícia actualizada. Trata-se de um drama familiar, baseado na incapacidade de o pai entender o seu filho e ser, eventualmente, capaz de ter atitudes violentas. Mesmo que o filho também seja violento, acho que isso é da responsabilidade do pai, foi nesse ambiente que o filho viveu e foi com o progenitor que terá aprendido a ser assim. Na minha opinião, o filho, por ser menor, devia ser protegido e procurar um outro abrigo; o pai talvez devesse fazer uma psicoterapia, para aprender a lidar com os seus instintos violentos. Da mãe, mal se fala, na notícia. O miúdo referiu ser vítima da violência do marido (ou companheiro) e, se é verdade, ela talvez viva tão subjugada, que não se atreve a agir. O que não augura nada de bom para a família…
São sempre situações delicadas, difíceis de resolver. Onde estará a solução? E até que ponto familiares, amigos, vizinhos, assistência social se devem intrometer? Quando alguém pede ajuda, deve-se ajudar. Mas normalmente, para quem está de fora, é muito difícil de saber até que ponto a situação pode escalar.
Mantenho a minha opinião: a mãe deveria procurar ajuda, junto com o filho, ter a coragem de sair de casa e procurar uma outra solução para a sua vida.
Precisam todos de ajuda, Cristina, e são de facto situações muito delicadas e para as quais por cá não há solução à vista. Os entraves burocráticos sobrepõem-se ao que é realmente importante. Seja como for, aquele pai assusta-me.
Horrível, Leonor!
Que será desse jovem? Marcado para uma vida infeliz, rejeitado pela própria família, precisamente quem o devia proteger e acarinhar…
Sem palavras mesmo, Cristina. Que raio de pai faz isto a um filho? Que raio de pessoa faz isto a alguém?
Normalmente, defendo a teoria de que essas pessoas, que repelem de forma tão violenta a homossexualidade, estão a reprimir orientações semelhantes.
Seria bom que o MP levantasse uma acção qualquer contra esse pai, não só pelos actos discriminativos e negligência enquanto pai, mas, sobretudo, por violência doméstica.
Só penso no adolescente, mas concordo consigo, Helena, obviamente. Bolas, há vidas horríveis.
Serei o único a ser capaz de elogiar aquele pai pela atitude de tentar entregar o filho aos cuidados da PSP?
Espero que sim, sampy!!!
Se eu fosse polícia de serviço, naquela noite, teria dito ao pai: “O miúdo pode regressar a casa, mas você fica de molho, numa das nossas celas, até vir um psicólogo avaliar o seu estado!!!” No mínimo!
Pergunto-me qual a reacção da mãe… Não conheço a situação familiar, até pode haver outros filhos menores. Mas eu, assim a frio, deixava o marido, saía de casa, para ficar com o filho!
Também já me tinha perguntado qual o papel da mãe no meio disto tudo, mas não se fala dela na notícia. O pai devia ser criminalmente responsabilizado por uma enormidade destas.
E como seria aquele pai posto de molho numa cela se não se tivesse apresentado com o filho?…
Essa é a questão: aquele pai, transtornado e violento, certamente com pensamentos insanos a cruzarem-lhe a mente, ainda assim teve a lucidez, talvez já em desespero, de solicitar ajuda à polícia para lhe tirarem o filho da frente antes que cometesse a maior loucura da sua vida.
E que fez a polícia? Depois de constatar nada poder fazer (a burocracia não o permite), mandou o filho de volta para casa, para junto do pai. O que é de esperar nos próximos dias? Possivelmente que um deles apareça morto.
Surgirá então o comissário da polícia e a responsável da segurança social a lamentarem-se por ter sido impossível precaver tamanha desgraça. E no quentinho da blogosfera despontará mais uma onda de indignação perante um Portugal tão pouco moderno e tolerante…
Estou cheia de pena do pai. Não devemos ter lido a mesma notícia.
Lemos a mesma notícia. Mas não a interpretámos da mesma forma.
Para si, tratou-se de um pai que humilhou o seu filho perante as autoridades policiais, e o renegou, mostrando assim toda a sua intolerância e mesquinhez perante a orientação sexual do filho.
Já eu vejo um pai de cabeça perdida, com um historial de violência, dando sinais de se sentir desonrado por um filho também violento, e que faz troça da capacidade intelectual do pai. E que a história daquele dia não acabou, como seria quase certo, com uma caçadeira a ser disparada, mas com o pai a entregar o filho à polícia. Surpreendente. E uma oportunidade de ouro para impedir mais um desfecho trágico. Que parece ter sido desperdiçada.
O pormenor do filho ser gay, merecendo ser discutido, na notícia é um fait-divers. Daria o mesmo se ele fosse do Sporting ou tivesse entrado para os Jeovás. A fúria que ele despertou no pai, e que tem os ingredientes certos para se tornar uma raiva homicida, isso é que merece atenção. Ou devia merecer. Diante de uma panela de pressão prestes a explodir, de pouco adianta lastimar que não seja moderna, ou que devia ser mais tolerante às batatas espanholas.
Não sei se lemos, porque agora que a fui ler outra vez percebi que já a tinham completado. Seja como for, sim vejo o absurdo de um pai não aceitar a alegada homossexualidade do filho e a atitude inominável de o entregar à polícia, mas agora que explicou também concordo que, dadas as circunstâncias, talvez tivesse valido mais que o jovem tivesse ficado entregue a quem o protegesse e não a um agressor. Mas não concordo que a homossexualidade do filho seja irrelevante.
Há dias, num curto espaço de tempo, quatro mulheres foram assassinadas pelos seus maridos.
Entrevistaram-se familiares, vizinhos, conhecidos e desconhecidos. Todos condenaram, todos se mostraram convictamente contra a violência doméstica. Questionados sobre se suspeitavam que algo pudesse acontecer, indicaram algumas desconfianças; mas diziam terem sido surpreendidos com o sucedido, que ninguém esperava tal desfecho, que fulano e sicrano até eram pessoas muito pacatas e cordiais.
Ninguém parece compreender do que é capaz um homem em fúria e que se sinta desonrado. Ninguém parece ser capaz de ler os sinais. E as coisas acontecem. Depois todos se indignam, todos têm pena. Para quem morreu, já é tarde.
Subscrevo inteiramente. A escalada de violência doméstica é aterradora.
Também fui ler a notícia actualizada. Trata-se de um drama familiar, baseado na incapacidade de o pai entender o seu filho e ser, eventualmente, capaz de ter atitudes violentas. Mesmo que o filho também seja violento, acho que isso é da responsabilidade do pai, foi nesse ambiente que o filho viveu e foi com o progenitor que terá aprendido a ser assim.
Na minha opinião, o filho, por ser menor, devia ser protegido e procurar um outro abrigo; o pai talvez devesse fazer uma psicoterapia, para aprender a lidar com os seus instintos violentos.
Da mãe, mal se fala, na notícia. O miúdo referiu ser vítima da violência do marido (ou companheiro) e, se é verdade, ela talvez viva tão subjugada, que não se atreve a agir.
O que não augura nada de bom para a família…
São sempre situações delicadas, difíceis de resolver. Onde estará a solução? E até que ponto familiares, amigos, vizinhos, assistência social se devem intrometer? Quando alguém pede ajuda, deve-se ajudar. Mas normalmente, para quem está de fora, é muito difícil de saber até que ponto a situação pode escalar.
Mantenho a minha opinião: a mãe deveria procurar ajuda, junto com o filho, ter a coragem de sair de casa e procurar uma outra solução para a sua vida.
Precisam todos de ajuda, Cristina, e são de facto situações muito delicadas e para as quais por cá não há solução à vista. Os entraves burocráticos sobrepõem-se ao que é realmente importante. Seja como for, aquele pai assusta-me.
Há pais e mães que não são dignos desse nome…
Verdade, infelizmente.