A braços com casos sucessivos de corrupção, o Brasil tem proporcionado à Imprensa brasileira abundantes manchetes sobre o tema. Na última Veja, mais um escândalo envolvendo políticos é pretexto para uma bela reportagem seguida de um top ten das causas que propiciam actos de corrupção, elaborado a partir de uma consulta feita a várias figuras com idoneidade para se pronunciar sobre a matéria.
Comecei a lê-lo:
1ª causa – Impunidade (também temos)
2ª causa – Morosidade da Justiça (eh!eh! Isto é melhor nem comentar!)
3ª causa – Distribuição política de cargos (eh!eh!eh!eh!)
4ªcausa – Conivência da sociedade. E especificam: políticos "enrolados" mantêm-se nos cargos e com elevados índices de popularidade (já quase a meio da tabela, continuo a achar muita graça a este jogo).
5ª causa – Excesso de burocracia. E traduzem: permite a funcionários criar dificuldades para depois "vender facilidades" (gostei do eufemismo. Há 5 a 5 no marcador).
6ª causa – Financiamento irregular de campanhas políticas (novo ataque de riso).
7ª causa – Ausência de políticas anti-corrupção. E explicam: políticos dão ênfase ao combate à corrupção nas campanhas mas deixam o tema de lado quando chegam ao poder (também já vimos aqui este filme. Agora parece que querem fazer uma sequela, mas ainda não sabemos como acaba)
8ª causa – Falta de informação. Eles dizem que o eleitor brasileiro tem pouco acesso a informação de qualidade e não se interessa por política, só decidindo o seu voto nas vésperas das eleições. (E nós por cá? Aceitam-se palpites)
9ª causa – Tolerância política. E esmiuçam: partidos permitem que políticos suspeitos de corrupção vão a eleições, uma vez que são políticos que ajudam a financiar os partidos. (humm… dejà vu)
10ª causa – Falta de renovação. Diz que no Brasil os partidos são comandados pelos mesmos grupos há mais de uma década. (Mas isto – nova risadinha – é no Brasil, claro)
Posto isto acho que temos reunidas todas as condições para ao menos neste capítulo poder brilhar entre os melhores. Certo?


Cara Teresa, com um sorrisinho amargo, faço meus os seus comentários, com um ligeiro acrescento à 10ª causa – Falta de renovação – diz que em Portugal os partidos são comandados pelos mesmos grupos há mais de três décadas, e que o país possui os piores índices de mobilidade social dos chamados “países desenvolvidos”.
Assim, Ariel, fico é com vontade de chorar :)))
Teresa, só um comentário: hehehe…
Qual a surpresa, Teresa? Então não somos irmãos?
…permite a funcionários criar dificuldades para depois “vender facilidades” (gostei do eufemismo…
A primeira vez que ouvi este eufemismo foi a Samora Machel, em 1974.
Pois… o que é que a baiana tem, que não haja por cá??
Fiquei indecisa entre o ataque de riso e o de lágrimas, por isso… olha, fica uma tragicomédia!
Teresa, o que não temos, talvez, é a atitude da baiana ou de tantas outros que, independente da sua situação precária, dançam e cantam com a maior das alegrias…
Há uma frase que a mim diz muito sobre “essa” atitude – “não há problema, estamos providenciando”- ouvi-a muito em resposta a qualquer dificuldade que surgisse – quando estive no Brasil em trabalho há uns anos largos…;))
É caso para dizer, rimando:
Lá, como cá, tem “tico-tico no fubá”.
Para quando a defenestração, no mínimo, temporária, já que exterminação total…
Teresa: gostei muito.
Muita coisa importante que fica muito mais bem escancarada com a ajuda do olhar sobre o “outro”. Apesar do mar …
Vá lá saber-se porquê veio-me à memória uma canção batida:
TANTO MAR
Chico Buarque – 1975
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
TANTO MAR
Chico Buarque 1978
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E ida guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim
Mas afinal aprenderam com quem, Teresa?
Não é por acaso que eles são descendentes nossos, Teresa. Até o maior símbolo do Brasil, a Carmen Miranda, era afinal natural cá da terrinha.
Até dói Ou não sabe o que é o Brasil ou não conhece Portugal.
Venha até o Maranhão (mero exemplo) e veja como a família Sarney governa à décadas … nem compinchas têm.
Está visto, quem sai aos seus não é de Genebra 🙂