A conclusão é correcta, mas várias das pistas seguidas para chegar à conclusão são erradas, Pedro. Em 2004, 2005 e 2007 escrevi diversos artgos sobre o assunto. Demasiado extensos para caberem num blog, porque envolvem dados estatísticos e comparativos, mas um dia destes dias- se para tal tiver paciência- voltarei a abordar o assunto.
A velha questão das vantagens dos funcionários públicos face aos privados. Surpreendeu-me a notícia quando a ouvi, pensei que era exactamente o contrário no que toca a salários: menos trabalho e emprego mais seguro, mas também mais mal pago. Estava enganada.
“Em Portugal, os salários dos funcionários públicos, em especial no caso das mulheres, são significativamente superiores aos salários dos trabalhadores do sector privado que são dotados de iguais qualificações. A existência de um prémio salarial associado com o exercício da função pública é comum na generalidade dos países da União Europeia. O que é notável no caso português é a magnitude desse prémio. Do conjunto dos países da UE, Portugal apresenta, folgadamente, o mais elevado diferencial de salários entre trabalhadores do sector público e do sector privado.”
Isto foi escrito em 2001, num relatório do Banco de Portugal de Pedro Portugal e Mário Centeno. O que Maria Manuel Campos e Manuel Coutinho Pereira vem agora demonstrar é que o problema acentuou-se ainda mais depois disso. Nada de estranhar. Este ano com o aumento de 2,9% dos salários dos funcionários públicos ainda piorará um pouco.
Este é, sem dúvida, um dos problemas do estrangulamento português: sucessivos governos enxertaram consecutivas levas de funcionários num aparelho administrativo que não cessava de crescer. Em muitos concelhos do País, fruto de uma divisão administrativa que já pouco tem a ver com a realidade nacional, a Câmara é a principal entidade empregadora, num autêntico cenário de terceiro mundo. Quem paga a festa, naturalmente, é o contribuinte. Nenhuma reforma importante em Portugal se concretizará sem a reforma da administração pública.
É como dizes, compadre: excelente. Não sei é se toda a gente acha o mesmo.
A conclusão é correcta, mas várias das pistas seguidas para chegar à conclusão são erradas, Pedro. Em 2004, 2005 e 2007 escrevi diversos artgos sobre o assunto. Demasiado extensos para caberem num blog, porque envolvem dados estatísticos e comparativos, mas um dia destes dias- se para tal tiver paciência- voltarei a abordar o assunto.
Acho óptimo que o faças, Carlos. Este é um daqueles temas que merecem reflexão permanente.
A velha questão das vantagens dos funcionários públicos face aos privados. Surpreendeu-me a notícia quando a ouvi, pensei que era exactamente o contrário no que toca a salários: menos trabalho e emprego mais seguro, mas também mais mal pago. Estava enganada.
A propósito disso, Pedro, vale a pena ler isto:
http://www.isegi.unl.pt/ensino/doce ntes/pportugal/ficheiro.asp?file=132.pdf
“Em Portugal, os salários dos funcionários públicos, em especial no caso das mulheres, são significativamente superiores aos salários dos trabalhadores do sector privado que são dotados de iguais qualificações. A existência de um prémio salarial associado com o exercício da função pública é comum na generalidade dos países da União Europeia. O que é notável no caso português é a magnitude desse prémio. Do conjunto dos países da UE, Portugal apresenta, folgadamente, o mais elevado diferencial de salários entre trabalhadores
do sector público e do sector privado.”
Isto foi escrito em 2001, num relatório do Banco de Portugal de Pedro Portugal e Mário Centeno. O que Maria Manuel Campos e Manuel Coutinho Pereira vem agora demonstrar é que o problema acentuou-se ainda mais depois disso. Nada de estranhar. Este ano com o aumento de 2,9% dos salários dos funcionários públicos ainda piorará um pouco.
Este é, sem dúvida, um dos problemas do estrangulamento português: sucessivos governos enxertaram consecutivas levas de funcionários num aparelho administrativo que não cessava de crescer. Em muitos concelhos do País, fruto de uma divisão administrativa que já pouco tem a ver com a realidade nacional, a Câmara é a principal entidade empregadora, num autêntico cenário de terceiro mundo. Quem paga a festa, naturalmente, é o contribuinte. Nenhuma reforma importante em Portugal se concretizará sem a reforma da administração pública.