Por uma Constituição livre de linguagem sexista e falocêntrica


Pedro Correia,

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Símbolo da República, no blogue E Deus Criou a Mulher

 

Na sequência da louvável proposta do Bloco de Esquerda de mudar a designação de Cartão de Cidadão para Cartão de Cidadania, e com a intenção de aprofundar este combate revolucionário contra a linguagem sexista e a misoginia gramatical, venho por este meio sugerir uma revisão sem demora da Constituição da República Portuguesa que estabeleça um tratamento simétrico entre os géneros.

Algumas alterações ao texto constitucional que considero mais urgentes:

Artigo 4.º: «São CIDADÃOS portugueses todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional.»

A palavra cidadãos atenta contra o princípio inatacável da igualdade de género, ofendendo a sensibilidade de mais de 50% das pessoas que possuem cidadania portuguesa.

O novo artigo 4.º deverá ser redigido desta forma: «Têm a CIDADANIA portuguesa TODAS AQUELAS E TODOS AQUELES que como tal sejam CONSIDERADAS E CONSIDERADOS pela lei ou por convenção internacional.»

Artigo 7.º: «Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do HOMEM…»

A menção exclusiva aos seres pertencentes ao género masculino está eivada de preconceitos sexistas que urge extirpar da Constituição.

O novo artigo 4.º deverá ser redigido desta forma: «Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos DA MULHER, DO HOMEM E DAS PESSOAS TRANSGÉNERAS…» 

Artigo 9.º: «São tarefas fundamentais do Estado: (…) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática dos CIDADÃOS na resolução dos problemas nacionais.»

Deparamos novamente com este termo, inaceitável numa Constituição verdadeiramente inclusiva e democrática, que combata os últimos resquícios dos privilégios patriarcais na nossa linguagem jurídico-política.

O novo artigo 9.º deverá ser redigido desta forma: «São tarefas fundamentais do Estado: (…) Defender a democracia política, assegurar e incentivar a participação democrática DAS CIDADÃS E DOS CIDADÃOS na resolução dos problemas nacionais.»

Artigo 10.º: “O POVO exerce o poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição.»

Vocabulário falocêntrico inaceitável: todos os substantivos de género masculino devem ser rasurados da posição dominante que conservam na linguagem exclusivista da lei fundamental.

O novo artigo 10.º deverá ser redigido desta forma: «AS ELEITORAS E OS ELEITORES EXERCEM o poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto e periódico, do referendo e das demais formas previstas na Constituição.»

 

Depois de extinguir os “cidadãos” há que eliminar o “povo”. Em nome da inclusão. É assim a revolução em marcha. 

0 comentários em “Por uma Constituição livre de linguagem sexista e falocêntrica”

  1. Sugestão: substituir “cidadãos e cidadãs” por “cidadões e cidadoas”. Para que as crianças sejam mais felizes na escola e no futuro.

  2. Caro Pedro, desculpe a repetição ( http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-comentario-da-semana-8278902?thread=64628598#t64628598 ), mas sobre o que escreve ocorre-me:

    «Calem-se!

    “Portuguesas e portugueses” não é apenas um erro e um pleonasmo: é uma estupidez.
    Cada vez que alguém, prestes a dirigir-se à população, arranca com “portuguesas e portugueses” dou comigo a gritar um grito fininho que me dá cabo dos ouvidos.
    Cerro os punhos e rosno quando são machos com aquela condescendência oiticentista de dizer “portugueses e portuguesas” com a entoação de quem se orgulha em mostrar que se é moderno ao ponto de não se esquecer das mulheres. Diz aquele sorriso meio-engatatão, meio-paternal: “Ah pois! Eu faço questão de incluir o mulherio!”
    Vamos lá por partes. Somos todos portugueses. Todos nós, seja de que sexo ou de que sexualidade formos, somos portugueses. Somos o povo português ou a população ou a nação portuguesa.
    Como somos todos portugueses quando alguém fala em “portugueses e portuguesas” está a falar duas vezes das mulheres portuguesas. As mulheres estão obviamente incluidas nos portugueses. Mas, ao falar singularmente das portuguesas, está-se propositadamente a excluir os homens, como se as mulheres fossem portugueses de primeiro (ou de segundo, tanto faz) grau.
    Somos todos seres humanos. As mulheres não são seres humanas. Quando se fala na língua portuguesa não se está a pensar apenas na língua que falam as portuguesas. É a língua dos portugueses e doutros povos menos idiotas.
    “Portuguesas e portugueses” não é apenas um erro e um pleonasmo: é uma estupidez, uma piroseira e uma redundância que fede a um machismo ignorante e desconfortavelmente satisfeitinho.

    Somos todos portugueses e basta»

    In: https://www.publico.pt/sociedade/noticia/calemse-1723007

  3. Tenho uma ideia mais simples que é assim. Não se mexe na Constituição e redige-se outra substituindo “cidadão” por “cidadã”, “todos” por “todas” “os” por “as” etc. Aprova-se como fazendo parte da Constituiçao, quero dizer a Constituiçao passa a ter o dobro das páginas, resultantes de duas partes. As duas partes têm a mesma dignidade e cada um lê a que quer. Se adoptarem isto, eu, como sou hetero, lerei sempre a das gajas e farei as devidas adaptações para mim. Não custa nada e é fácil.
    Nem é preciso escrever nada, basta que saia no Diário da República que passam a existir mais páginas (não é preciso materializá-las) construídas da maneira que proponho. Não dá trabalho e fica a malta toda satisfeita.

  4. Não é um problema “caseiro”, outro assunto que, curiosamente, se está a passar a nível Global. Seria bom começar a ver as tendências, a nível global porque, só assim, se começa a reparar onde “os maus ventos”(direção, rumo, orientação geral), nos estão a levar. Apenas um princípio, para começar a perceber, tudo aquilo que parece não fazer sentido.

    1. Do combate ao sexismo ao puritanismo sexual às vezes vai um curto passo. Ou seja: começamos a policiar as palavras e acabamos a policiar os costumes. De anátema em anátema é só uma questão de grau.

      1. Já se começou a policiar os costumes, a última é aconselhar a maneira de vestir das mulheres europeias e, arranjar carruagens para mulheres.
        A Europa vai ser islamizada, isto de começar a policiar, nem precisam de muito, basta pôr-nos uns contra os outros, está no Programa, aliás, é bom que se veja o que se passa na UE. Aqueles milhões, dos impostos de cidadãos europeus, dados à Turquia, para ela tratar do assunto dos refugiados e escolher quem entra… cristãos e curdos, não entram de certeza.

        É bom ouvir, o que se fala no Parlamento Europeu nem que seja por 24 minutos:
        YouTube:
        https://www.youtube.com/watch?v=w0yySHkGmKY
        Nigel Farage; “Europe Is Burning”

        Fica a pergunta, porquê islamizar, a quem interessa o caos ?
        Há ensinamentos que vêm… de há muito tempo:
        “…meanwhile the other nations, once more divided on this issue will be constrained to fight to the point of complete physical, moral, spiritual and economic exaustion…”
        Albert Pike (Masonic Lodge)

        1. Fala-me de quê?
          De um admirável mundo novo povoado de europeias de burca e nicabe em ilhas imunes à legislação comunitária, onde se tolerem figuras jurídicas estranhas ao nosso ordenamento constitucional, como o repúdio das mulheres por prática de adultério, os casamentos entre pré-adolescentes combinados pelos pais dos nubentes e em certos casos até a prática da mutilação genital feminina?
          Tudo sempre em nome do relativismo cultural e do combate ao famigerado etnocentrismo ocidental, pai e mãe de todos os males de que padece o globo?
          Hum. Isso é ficção… (ou não será?)

          1. Deixo-lhe apenas uma questão para ficar a pensar: O que acontecerá a uma UE, onde a taxa de natalidade dos europeus, em média, é 1,3 e a dos muçulmanos, em média é 3,5, onde às mulheres não lhes é permitido trabalhar porque a sua função é, apenas, ficar em casa a criar filhos e, agora, junte-lhe a segurança social para lhes “simplificar” o aumento do número de filhos. E, uma religião que permite ao homem ter mais do que uma mulher…
            Toda esta conversa da integração, já tivemos o exemplo dos que vieram antes e, pela Europa, há zonas só deles, as chamadas “no go zones”… no norte de África, estão perto de 4 milhões que só estão à espera de bom tempo, para virem para a Europa e, se quiserem entrar, não vai ser pela Turquia, arranjam outras portas de entrada, para um Continente sem fronteiras internas, os alemães já perderam 600.000, dizem não saber para onde eles foram… não é muito difícil de perceber que, no final, deste êxodo, serão os europeus que vão acabar assimilados.

          2. Não faço juízos de valor, só me interessam os factos e, sinais não faltam, basta andar atento.
            “CADBURY has also axed the word ‘Easter’ from its halal (Islamic-approved) Easter eggs and bunnies to … All references to the Easter on bunnies have been removed, too, Easter bunnies are now simply chocolate…”

      2. “Do combate ao sexismo ao puritanismo sexual às vezes vai um curto passo. ” É isso. Eu sou septuagenário e não vou aqui descrever como eram as coisas em matéria de sexo e namoro, quando eu estava nos meus vinte e tal anos, porque é difícil e ninguém jovem acreditaria. Tudo mudou muito. Mas hoje vêem-se passos em direcção ao passado, e pela mão da esquerda, que me pareciam totalmente impossíveis. Pasmo. Não sei como isto acabará. Não voltará a ser como na minha juventude mas, se ninguém tiver a coragem de dizer não e com energia, muita coisa vai acontecer (já está a acontecer) que seria inimaginável há uns anos.
        “começamos a policiar as palavras e acabamos a policiar os costumes”. É isso que eu receio e do que nos aproximamos.

        1. Os EUA como “centro do marxismo mundial” é linguagem de Guerra Fria que pensava há muito ultrapassada. Afinal enganei-me. A menos que o Donald Trump seja “marxista”.

          1. @V.

            Politicamente Correcto é Marxismo.

            Não confundir Comunismo directamente com Marxismo, Comunismo nasceu do Marxismo, se se quiser é um subproduto, mesmo pode ser reduzido a uma táctica do Marxismo adequada aos tempos que correram.

            Sendo um subproduto é muito menos flexível e menos adequado ao presente, pois mais violento e mais responsável.

            O Marxismo hoje não se quer dar o trabalho de controlar os meios de produção como o Comunismo. Excepto os que dão lucro fácil como produção de petróleo ou bancos.

            O Marxista hoje quer fazer de Moralista. Estar de fora a julgar o gerente/patrão da fábrica para não se comprometer se uma coisa correr mal.

            A táctica do Politicamente Correcto é uma consequencia desse desvio da Esquerda para as áreas menos comprometíveis com a realidade, áreas soft:
            Jornalismo: não são responsáveis por nada que tenha de funcionar, Universidades de “Humanidades” idem aspas aspas. Tudo áreas onde se foge facilmente à responsabilidade com um texto. Nada precisa de funcionar num texto de um jornal ou num paper de Universidade. Uma fuga da realidade.

            Isto tem a grande vantagem de estar sempre no topo do Olimpo a fazer de moralista, mas tem também custos. Custos de não contactar com o que se passa no terreno. Por isso é que os sindicatos perdem poder, os operários votam na Front Nationale e no Trump…enquanto a burguesia das universidades e do jornalismo corre a votar na extrema esquerda.

            O objectivo do Marxismo é o mesmo de sempre totalitarismo da igualdade. O controlo do que o outro pensa, faz.
            Para isso não são precisas espingardas, tanques Comunistas. É só preciso que o Marxismo domine a narrativa. E bastam as SIC, os Expressos, as TVI’s e Hollywood.

  5. E para se demonstrar como a Extrema Esquerda* muda a linguagem para mudar a realidade.

    O 11 de Setembro de 2001 foram “acidentes”:

    http://www.dailymail.co.uk/news/article-3547291/Sweden-s-deputy-PM-sparks-outcry-describing-9-11-Twin-Towers-attack-September-11-accidents.html

    * já agora qual foi a ultima vez que um jornalista usou a expressão Extrema Esquerda?

  6. Não gosto nada da obsessão bloquista pelas causas fraturantes.
    No entanto, neste caso concreto, até acho que “cartão de cidadania” não vai nada mal.
    Vai mais fundo, mais à raiz do conceito.

      1. Mais fundo e mais à raiz parece-me que era o bilhete de identidade, que é o que aquilo é e não incomodava ninguém. Mas quem sou eu para desfracturar…

  7. «O novo artigo 4.º deverá ser redigido desta forma: «Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos DA MULHER, DO HOMEM E DAS PESSOAS TRANSGÉNERAS …»

    Desculpará, mas é inaceitável. Os homens deverão sempre ficar em último lugar, como desgraçada inevitabilidade biológica que são, pois jamais expiarão as culpas próprias do seu sexo (ai!, género).

    Entre mulheres e transgéneros (ou será transgéneras , apenas, de facto; por transgéneros ainda ter uma componente masculina excessiva, marialva e homofóbica; ou será transgenerofóbica ?), e quanto ao que deva figurar em primeiro lugar, faça-se um referendo.

    Exclusivamente, claro, entre os (as?, aquilos?) militantes do BE , a vanguarda civilizacional da Pátria (desde há uns tempos a esquerda reabilitou e apropriou-se heroicamente da Pátria e o patriotismo). O resto do povo pova é demasiado estúpido para decidir sobre o assunto.

    Costa

    1. Tem razão: ‘mea culpa, mea culpa’!
      O critério que sugeri fundava-se na vulgar e rasteira maioria aritmética, por ordem decrescente: há mais mulheres que homens, e muito menos pessoas transgéneras que homens – pelo menos até prova evidente em sentido contrário.
      Mas, rendido ao seu imbatível argumento, admito que o critério deve ser diferente. De facto nós, homens, só podemos figurar em último lugar. Ainda por cima enquanto ocidentais devemos expiar culpas de incontáveis gerações por todo o mal causado no tempo e no espaço, ‘ad saecula saeculorum’.

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