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RIO CORGO
Nascente: Serra da Padrela, concelho de Vila Pouca de Aguiar
Foz: Rio Douro, no Peso da Régua
Afluentes: Rios Cabril, Sordo, Tanha
Extensão: cerca de 44 km
«Ontem, a CP encerrou as linhas do Corgo e do Tâmega sem avisar ninguém. Contava com o silêncio de todos e fê-lo pela calada, desprezando toda a gente. Mas a culpa não é da CP; é, antes, de todos os pacóvios que transformaram o país num tapete de asfalto, bom para a camionagem, para as empresas de obras públicas e para o consumo de gasolina. (…) Há alcatrão, cimento, camionagem e gasóleo. Tudo caro. Os comboios portugueses inventaram um país, povoaram-no, desenharam a nossa geografia. Era um país mais bonito do que este.»
Francisco José Viegas

Há qt tempo é q o FJV não anda de comboio?
Desde a semana passada, tanto quanto sei.
Era um país mais bonito do que este.
Que visão romântica.
O país do passado era muito mais pobre do que o atual. E não era mais bonito – havia muito menos árvores do que atualmente. Todas as terras eram exploradas até ao tutano.
Sr. Luís Lavoura,
a) Como mede a riqueza dum país?
(se for pelas reservas de ouro do Banco de Portugal e o não endividamento externo se calhar o Portugal de Salazar era mais “rico” que a república portuguesa de Centeno e Marcelo).
b) Não era mais bonito, pois existiam menos árvores.
(a beleza de um país mede-se pela quantidade de árvores? Quanto mais eucaliptos, mimosas/acácias e outras pragas que se possam abraçar mais bonito é o país?)
c) As terras eram exploradas até ao tutano.
(percebe muito pouco de terras, apesar do nome lavoural, os ossos têm tutano, as terras, não).
Por acaso é bem verdade. Portugal até aos anos 40 era praticamente careca. É o Estado Novo que faz a florestação (da qual muita gente ainda hoje vive incluindo os que não a conseguem proteger)
A consciência da paisagem é um fenómeno urbano. A palavra “paisagem”, aliás, vem da pintura. Era o equivalente a uma “marinha” para uma vista sobre os campos. Só de depois disso é que o termo se torna mais abstracto e adquire o sentido que hoje lhe damos.
Por aqui, os rios têm pressa de chegar ao mar.
Vejo que já vai na oitava volta e ainda não vi o rio anterior.
Irei lá ver a seguir.
O Francisco José tinha toda a razão. As vias rápidas, são apenas isso; o meio mais rápido de se chegar ao destino, mas a beleza da paisagem ficou perdida do olhar do viajante.
A primeira foto está um mimo, com o cobre das folhas outonais a reflectirem-se no rio…Adorei!
Um rio por dia. Fora os afluentes.
E o outro Rio, que não conta para este campeonato.
Toda a rede de via estreita encerrada (e tanta outra, além dessa), com a excepção de parte agonizante da linha do Vouga e de um derradeiro vestígio da linha do Tua, reduzido à condição de “metro”. Eis um dos mais brilhantes legados desta terceira república: a CP – e quem quer que por estes dias mande na infra-estrutura – transformada em empenhada e metódica comissão liquidatária do caminho de ferro em Portugal (pode ler-se hoje, noutro local da Internet, que vai sendo conhecida como Camionetas de Portugal); o país rendido aos interesses de certas empresas de construção civil, verdadeiras companhias imperiais; a decadência extrema e já irreversível de uma desprezada rede ferroviária cheia de História.
Auto-estradas para lado nenhum ou redundantes, mas gerando receita de portagens de usura, indemnizações e outros apetecíveis proveitos de contratos mais do que questionáveis; barragens pouco mais do que inúteis à luz dos argumentos invocados para a sua construção. Sinais de uma “via original” e assaz venal para o progresso e a civilização.
Um comentário que nada tem a ver com este rio, com esta série de postais. Ou talvez tenha: é ver os nomes de tantas das linhas ferroviárias encerradas. E ligar, na nossa literatura, comboios e rios.
Costa
Talvez tenha, sim. Ou melhor: tem mesmo.
sem duvida este é o melhor comentario e ao mesmo tempo o mais certeiro pois reflete com lucidez e objectividade uma importante realidade que foi destruida: a ferrovia regional que tanta vida e suporte socio economico dava a estas terras. Sem duvida. E esta destruição das vias estreitas destruiu a tal “cola” regional entre as vilas, aldeias e pequenas cidades das regioes.
Com efeito a ferrovia, nomeadamente a ferrovia regional é um dos maiores valores acrescentados para o interior e que parece que ninguem neste país ainda conseguiu entender.
Tudo, ou quase tudo, neste país, é feito pela noite e contestado pela calada. E não é uma questão de ser pouca a gente, mas mais o longo apoucamento dessas mesmas gentes. E todos ficam, no final, convencidos das suas alturas tiradas. É assim, como nos dizem….
Quanto às fotografias e à série iniciada….muito boa!!
Vai continuar. Pelo menos até ao fim do mês.
Coro
Vila Real, oh que linda és
Tens o Corgo aos pés, em adoração
Vila Real, como és gentil
Canta-te Cabril, beija-te o Marão
VILA REAL. VILA REAL. VILA REAL
A Marcha de Vila Real, do Monsenhor Minhava. A minha mãe teve de cantá-la no liceu. A verdade é que Vila Real, infelizmente, não é assim tão bonita (falando em paisagem humana das últimas décadas).
Ainda fiz viagem de comboio a vapor nesta linha, não me recordo é se foi no sentido norte sul: Chaves – Régua, se no sentido inverso. Num distante 1974. E como esta data está tão longínqua!
Saudações e boas viagens. De comboio.
Francisco.
Viva, Francisco. Um abraço.
Pedro, peço desculpa. É só para avisar que já deixei por aí o comentário da semana. Desculpe,mais uma vez. Cumprimentos
Vou ver se o descubro.
Já não bastava o outro, agora este também?!
Ainda bem que sou vizinha da sua prima, caso contrário ficaria impremiada…
Fale baixo. Não vá a Maria Dulce ouvir!
Sou vizinha, vou lá a casa verificar-lhe as plantas quando ausente… por isso é que às vezes consigo chegar perto do pódio, senão…
Este rio conheço eu bem, Pedro. Até Vila Real tem umas margens relativamente macias, e depois entra por uma enorme garganta, com várias dezenas de metros de altura, que o conduz entre colinas de vinha até ao Douro. Ainda cheguei a fazer o troço Régua-Vila Real, já de automotora, com imensas curvas.
Belo rio, João Pedro.
(Vontade de voltar lá muito em breve.)
Estava a rever o post e só agora reparei aí numa gralha, Pedro: o último afluente é Tanha, não Canha (isso é mais para o Alentejo).
Obrigado, João Pedro. Vou emendar.