Por estes rios acima (8)


Pedro Correia,

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RIO CORGO

 

Nascente: Serra da Padrela, concelho de Vila Pouca de Aguiar

Foz: Rio Douro, no Peso da Régua

Afluentes: Rios Cabril, Sordo, Tanha

Extensão: cerca de 44 km

 

«Ontem, a CP encerrou as linhas do Corgo e do Tâmega sem avisar ninguém. Contava com o silêncio de todos e fê-lo pela calada, desprezando toda a gente. Mas a culpa não é da CP; é, antes, de todos os pacóvios que transformaram o país num tapete de asfalto, bom para a camionagem, para as empresas de obras públicas e para o consumo de gasolina. (…) Há alcatrão, cimento, camionagem e gasóleo. Tudo caro. Os comboios portugueses inventaram um país, povoaram-no, desenharam a nossa geografia. Era um país mais bonito do que este.»

Francisco José Viegas

25 comentários em “Por estes rios acima (8)”

  1. Era um país mais bonito do que este.

    Que visão romântica.

    O país do passado era muito mais pobre do que o atual. E não era mais bonito – havia muito menos árvores do que atualmente. Todas as terras eram exploradas até ao tutano.

    1. Sr. Luís Lavoura,
      a) Como mede a riqueza dum país?
      (se for pelas reservas de ouro do Banco de Portugal e o não endividamento externo se calhar o Portugal de Salazar era mais “rico” que a república portuguesa de Centeno e Marcelo).
      b) Não era mais bonito, pois existiam menos árvores.
      (a beleza de um país mede-se pela quantidade de árvores? Quanto mais eucaliptos, mimosas/acácias e outras pragas que se possam abraçar mais bonito é o país?)
      c) As terras eram exploradas até ao tutano.
      (percebe muito pouco de terras, apesar do nome lavoural, os ossos têm tutano, as terras, não).

    2. Por acaso é bem verdade. Portugal até aos anos 40 era praticamente careca. É o Estado Novo que faz a florestação (da qual muita gente ainda hoje vive incluindo os que não a conseguem proteger)

      A consciência da paisagem é um fenómeno urbano. A palavra “paisagem”, aliás, vem da pintura. Era o equivalente a uma “marinha” para uma vista sobre os campos. Só de depois disso é que o termo se torna mais abstracto e adquire o sentido que hoje lhe damos.

  2. Por aqui, os rios têm pressa de chegar ao mar.
    Vejo que já vai na oitava volta e ainda não vi o rio anterior.
    Irei lá ver a seguir.
    O Francisco José tinha toda a razão. As vias rápidas, são apenas isso; o meio mais rápido de se chegar ao destino, mas a beleza da paisagem ficou perdida do olhar do viajante.
    A primeira foto está um mimo, com o cobre das folhas outonais a reflectirem-se no rio…Adorei!

  3. Toda a rede de via estreita encerrada (e tanta outra, além dessa), com a excepção de parte agonizante da linha do Vouga e de um derradeiro vestígio da linha do Tua, reduzido à condição de “metro”. Eis um dos mais brilhantes legados desta terceira república: a CP – e quem quer que por estes dias mande na infra-estrutura – transformada em empenhada e metódica comissão liquidatária do caminho de ferro em Portugal (pode ler-se hoje, noutro local da Internet, que vai sendo conhecida como Camionetas de Portugal); o país rendido aos interesses de certas empresas de construção civil, verdadeiras companhias imperiais; a decadência extrema e já irreversível de uma desprezada rede ferroviária cheia de História.

    Auto-estradas para lado nenhum ou redundantes, mas gerando receita de portagens de usura, indemnizações e outros apetecíveis proveitos de contratos mais do que questionáveis; barragens pouco mais do que inúteis à luz dos argumentos invocados para a sua construção. Sinais de uma “via original” e assaz venal para o progresso e a civilização.

    Um comentário que nada tem a ver com este rio, com esta série de postais. Ou talvez tenha: é ver os nomes de tantas das linhas ferroviárias encerradas. E ligar, na nossa literatura, comboios e rios.

    Costa

    1. sem duvida este é o melhor comentario e ao mesmo tempo o mais certeiro pois reflete com lucidez e objectividade uma importante realidade que foi destruida: a ferrovia regional que tanta vida e suporte socio economico dava a estas terras. Sem duvida. E esta destruição das vias estreitas destruiu a tal “cola” regional entre as vilas, aldeias e pequenas cidades das regioes.
      Com efeito a ferrovia, nomeadamente a ferrovia regional é um dos maiores valores acrescentados para o interior e que parece que ninguem neste país ainda conseguiu entender.

  4. Tudo, ou quase tudo, neste país, é feito pela noite e contestado pela calada. E não é uma questão de ser pouca a gente, mas mais o longo apoucamento dessas mesmas gentes. E todos ficam, no final, convencidos das suas alturas tiradas. É assim, como nos dizem….

    Quanto às fotografias e à série iniciada….muito boa!!

  5. Coro

    Vila Real, oh que linda és

    Tens o Corgo aos pés, em adoração

    Vila Real, como és gentil

    Canta-te Cabril, beija-te o Marão

    VILA REAL. VILA REAL. VILA REAL

    1. A Marcha de Vila Real, do Monsenhor Minhava. A minha mãe teve de cantá-la no liceu. A verdade é que Vila Real, infelizmente, não é assim tão bonita (falando em paisagem humana das últimas décadas).

  6. Ainda fiz viagem de comboio a vapor nesta linha, não me recordo é se foi no sentido norte sul: Chaves – Régua, se no sentido inverso. Num distante 1974. E como esta data está tão longínqua!
    Saudações e boas viagens. De comboio.
    Francisco.

  7. Pedro, peço desculpa. É só para avisar que já deixei por aí o comentário da semana. Desculpe,mais uma vez. Cumprimentos

          1. Sou vizinha, vou lá a casa verificar-lhe as plantas quando ausente… por isso é que às vezes consigo chegar perto do pódio, senão…

  8. Este rio conheço eu bem, Pedro. Até Vila Real tem umas margens relativamente macias, e depois entra por uma enorme garganta, com várias dezenas de metros de altura, que o conduz entre colinas de vinha até ao Douro. Ainda cheguei a fazer o troço Régua-Vila Real, já de automotora, com imensas curvas.

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