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RIO ERGES
Nascente: Serra da Gata (Extremadura, Espanha)
Foz: Rio Tejo, perto de Alcántara (província de Cáceres, Extremadura)
Extensão: durante cerca de 50 km faz fronteira entre Portugal e Espanha, na zonas das Termas de Monfortinho, Salvaterra do Extremo e Segura.
«Quando os homens partiram da vila, em grupos separados, disfarçando o seu propósito por atalhos, ainda a noite se escondia na espessura das nuvens. Chegariam, dia claro, perto do Rio Erges e aí deviam aguardar novamente a cumplicidade das trevas.»
Fernando Namora, A Noite e a Madrugada

O Erges também é um velho conhecido meu e até tenho uma fotografia igualzinha à primeira -será que não é a minha?

As vezes que eu atravessei essa ponte para ir mostrar a amigos outra ponte mais grandiosa: a de Alcantara, já no rio Tejo.
A Sierra de Gata tem uns pueblos encantadores (por exemplo Trevejo e San Martín de Trevejo). Quando vim viver para a Beira fartei-me de descobrir sítios preciosos do lado de lá da fronteira, embora continue a preferir Monsanto, Sortelha ou Castelo Novo.
Coincidência. Gostei de saber, logo eu – coleccionador de coincidências.
O Erges é um dos meus “primeiros” rios.
Fica mesmo junto à aldeia do meu avô, Salvaterra do Extremo.
Passei lá várias vezes na minha infância. Estive lá em 2013 pela última vez.
Férias de infância em Monfortinho, inesquecíveis, em meses de Setembro com ondas de calor inimagináveis (dariam horas de noticiário televisivo actual).
Aprendi a nadar, “sem pé”, não no Erges – quase seco no Verão, entrava-se em Espanha a salto – mas ali bem próximo, na bela piscina do Clube de Tiro, então ainda propriedade do Conde da Covilhã.
Gostei muito desta partilha de ‘recuerdos’.
Fui duas ou três vezes a Salvaterra do Extremo. Antigamente, sabe-se lá porquê, tinha a mania de ir a todas as aldeias e vilas para fotografar os pelourinhos. Há-os lindíssimos nas aldeias mais pequenas. Embora inicialmente associados a práticas nada recomendáveis, depois passaram a ser o símbolo do poder local, sempre em frente às antigas Casas da Câmara. Concluíndo, era um pretexto para eu conhecer o país, e não só, cheguei a ir a Olivença e vim de lá encantada, não com o pelourinho mas com a Igreja da Maria Madalena (manuelino do melhor que há) ou a da Misericórdia (toda de azulejos portugueses e talha dourada). Absolutamente a não perder!

Aldeias históricas e não históricas, se tivessem pelourinho, aos sábados lá ia eu à descoberta do Portugal desconhecido…
E eu, que de recordações infantis, ligadas a rios, apenas possuo raras e vagas lembranças do Guadiana, quedo-me por aqui, embevecida, a admirar as bonitas fotografias e a ler as recordações de quem as tem, do Rio Eges…gostei!
A fotografia de baixo deve ter sido tirada em dia de cheia. Que eu saiba, o Erges é, boa parte do ano, um rio sem água. Pelo menos, eu andei-lhe no leito, completamente seco, quando estive nas termas de Monfortinho há uns anos.