Por estes rios acima (34)


Pedro Correia,

Freiroa-05[1].jpg

lqhmkfdlij-750x_[1].jpg

 

 

RIO CAIMA 

 

Nascente: Serra da Freita, freguesia de Albergaria da Serra, concelho de Arouca

Foz: Rio Vouga, na povoação de Sernada do Vouga, concelho de Águeda

Extensão: cerca de 50 km

 

«Faltava-me liberdade para determinados gestos e o meu orgulho nascente sofria com isso. Sobretudo, no Verão, quando eu ia tomar banho ao rio. Éramos sempre quatro ou cinco. Saíamos da escola no período do segundo recreio e, galgando ínvios caminhos, saltando combros e rompendo milharais, íamos mergulhar nas águas frias e azuis do Caima, entre amieiros sussurrantes.»

Ferreira de Castro

10 comentários em “Por estes rios acima (34)”

  1. “Os Homens São Como os Rios”

    Um dos preceitos mais enraizados e mais geralmente admitidos é o de acreditar que os homens possuem em si qualidades imutáveis: há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e por aí adiante. Ora, os homens não são assim. Podemos, apenas dizer que um homem é mais vezes bom que mau, mais vezes inteligente que estúpido, mais vezes enérgico que apático, ou o contrário; mas classificar um homem, como sempre fazemos, de bom ou inteligente e um outro de mau ou estúpido é um erro. Também os rios, todos de água, são umas vezes mais estreitos, outros rápidos, outros largos ou calmos, transparentes ou frios, caudalosos ou tépidos. Ora, os homens são como os rios. Cada um traz consigo a semente de todas as qualidades humanas, de que revela, em certos passos, umas características, noutros, outras, chegando mesmo, em certas ocasiões, a mostrar-se sob uma forma completamente oposta à sua natureza íntima, que, não obstante, mantém.

    ( Leon Tolstói in Ressurreição )

    1. “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”
      Bertolt Brecht

      1. Quando um Rio se sente comprimido e oprimido, pelas margens que o aconchegam e aninham, galga-as, possui-as, toma-as como suas num arroubo que nenhuma força detém…
        …por esta união – de facto – rios e margens se entendem tão bem…

        Maria Antonieta.

  2. Os Homens São Como os Rios

    Um dos preceitos mais enraizados e mais geralmente admitidos é o de acreditar que os homens possuem em si qualidades imutáveis: há homens bons ou maus, inteligentes ou estúpidos, enérgicos ou apáticos, e por aí adiante. Ora, os homens não são assim. Podemos, apenas dizer que um homem é mais vezes bom que mau, mais vezes inteligente que estúpido, mais vezes enérgico que apático, ou o contrário; mas classificar um homem, como sempre fazemos, de bom ou inteligente e um outro de mau ou estúpido é um erro. Também os rios, todos de água, são umas vezes mais estreitos, outros rápidos, outros largos ou calmos, transparentes ou frios, caudalosos ou tépidos. Ora, os homens são como os rios. Cada um traz consigo a semente de todas as qualidades humanas, de que revela, em certos passos, umas características, noutros, outras, chegando mesmo, em certas ocasiões, a mostrar-se sob uma forma completamente oposta à sua natureza íntima, que, não obstante, mantém.

    Leon Tolstói in Ressurreição

  3. Não gosto de recordar porque não conheci o Caima, são memórias tristes.
    Ia passar uns dias a Entre-os-Rios, precisamente um ano antes da ponte ruir, e tinha planeado ir ver a Frecha da Mizarela. Só que estava a chover e não me atrevi a fazer o caminho à chuva, até porque estava sózinha.
    E nunca mais parou de chover…
    Visitei Arouca e Penafiel, sempre à chuva. Lembro-me de estar na ponte a ver o Douro e o Tâmega, de chapéu de chuva aberto e a tirar fotografias com a Nikon que tinha nessa altura.
    Também me lembro de ver todo aquele movimento dos camiões a retirarem as areias das margens…
    Acabei por antecipar o regresso, que foi todo feito à chuva desta vez por Resende, Trancoso, Guarda, Covilhã, sempre, sempre à chuva.
    Em Alpedrinha apareceu o sol!
    Foram as piores mini-mini-férias da minha vida.
    Nunca mais voltei lá, embora não me faltasse vontade de o fazer…

    E esse texto do Ferreira de Castro é de que livro?

    1. Bem a compreendo, atendendo às circunstâncias. O destino prega-nos por vezes as partidas mais inesperadas.
      Por coincidência, já passei excelentes férias em Alpedrinha. E várias vezes nadei naquela bela piscina virada para a vertente sul da Gardunha. Apesar da água sempre muito fria, em criança e adolescente nunca me cansei de lá nadar.

      (tomei há tempos o apontamento de Ferreira de Castro sem anotar a obra: ainda não consegui localizá-la com precisão.)

  4. Curiosamente, há uma “[Fábrica de] Celulose do Caima” que nada tem a ver com o rio Caima, uma vez que fica na margem do rio Tejo, mais de uma centena de quilómetros a sul do Caima.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *