Por estes rios acima (26)


Pedro Correia,

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RIO TEJO

 

Nascente: Serra de Albarracim (Aragão, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Lisboa

Afluentes:  Rios Erges, Ponsul, Ocreza, Zêzere, Almonda, Alviela, Jamor, Trancão, Sever, Sorraia

Extensão: cerca de 1000 km

 

«Olho o Tejo e de tal arte / Que me esquece estar olhando, / E de súbito isto me bate / De encontro ao devaneando – / O que é ser-rio, e correr? / O que é está-lo eu a ver?»

Fernando Pessoa

12 comentários em “Por estes rios acima (26)”

  1. O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,

    O Tejo tem grandes navios

    E navega nele ainda,

    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha

    E o Tejo entra no mar em Portugal.

    Toda a gente sabe isso.

    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

    E para onde ele vai

    E donde ele vem.

    E por isso, porque pertence a menos gente,

    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

    Para além do Tejo há a América

    E a fortuna daqueles que a encontram.

    Ninguém nunca pensou no que há para além

    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada

    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

  2. E assim, pé-ante-pé, chegámos ao maior Rio de Portugal, aliás, da Península Ibérica. Ultimamente, tão maltratado com resíduos tóxicos.

    Não, Tejo,
    não és tu que em mim te vês…
    ….. sou eu que em ti me vejo!

    Dizia isto, Alexandre O’Neill

  3. Também gosto do poema de Alberto Caeiro:

    «O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

    O Tejo tem grandes navios
    E navega nele ainda,
    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha
    E o Tejo entra no mar em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E para onde ele vai
    E donde ele vem.
    E por isso, porque pertence a menos gente,
    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
    Para além do Tejo há a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.

    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.
    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

  4. Não resisto:
    Tancos também foi meu quartel e o Castelo de Almourol ali tão perto.

    Tejo Que Levas As Águas
    Adriano Correia de Oliveira

    Tejo que levas as águas
    correndo de par em par
    lava a cidade de mágoas
    leva as mágoas para o mar

    Lava-a de crimes espantos
    de roubos, fomes, terrores,
    lava a cidade de quantos
    do ódio fingem amores

    Leva nas águas as grades
    de aço e silêncio forjadas
    deixa soltar-se a verdade
    das bocas amordaçadas

    Lava bancos e empresas
    dos comedores de dinheiro
    que dos salários de tristeza
    arrecadam lucro inteiro

    Lava palácios vivendas
    casebres bairros da lata
    leva negócios e rendas
    que a uns farta e a outros mata

    Tejo que levas as águas
    correndo de par em par
    lava a cidade de mágoas
    leva as mágoas para o mar

    Lava avenidas de vícios
    vielas de amores venais
    lava albergues e hospícios
    cadeias e hospitais

    Afoga empenhos favores
    vãs glórias, ocas palmas
    leva o poder dos senhores
    que compram corpos e almas

    Leva nas águas as grades
    .
    Das camas de amor comprado
    desata abraços de lodo
    rostos corpos destroçados
    lava-os com sal e iodo

    Tejo que levas nas águas

  5. Lamento o desmancho do encantamento.
    Pessoa esqueceu o Mestre Caeiro.
    Aconteceu mais vezes apesar das juras de fidelidade.

    …é como que um terrasso sobre outra coisa ainda
    —essa coisa é que é linda.
    E tudo se refaz na complexa unidade.

  6. Não percebo de que forma estão listados os afluentes. Não é por ordem alfabética nem por ordem da nascente para a foz. Por exemplo, o Sever é afluente na fronteira com Espanha.

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