Por aqui se vê


Sérgio de Almeida Correia,

“Pelas contas de Simão Ribeiro, dos sete deputados do PSD que foram indicados pela “jota”, “pelo menos seis” estão a favor das alterações à lei propostas pela esquerda. O presidente da JSD assume que é favorável a esta alteração, admitindo que, na votação na generalidade, poderá votar a favor de todas as propostas, para depois, em comissão, “analisar com mais cuidado” cada uma das diversas propostas.” – Expresso

 

Está tudo aqui neste trecho da notícia do Expresso. São uma espécie de partido dentro do próprio partido, vivem à sombra das quotas internas, e dão-se ao luxo de assumi-lo e vincá-lo publicamente. Têm sete deputados, e apesar de aparentemente integrados numa coligação funcionam como uma espécie de Verdes dentro do PSD. Nunca foram a votos e têm eles próprios o seu “grupo parlamentar” informal, com mais deputados do que os Verdes e com a vantagem de não terem de ser verdes para serem tratados como Verdes. Depois é só uma questão de ir negociando lugares, apoios, contrapartidas e influência para irem singrando na vida e construindo uma “carreira” até chegarem a ministros e aos “negócios”. Como Passos Coelho, Miguel Relvas ou Miguel Macedo. E com os brilhantes resultados que temos visto em termos de imagem e reputação da classe política e dos próprios partidos.

A reforma dos partidos devia começar por aqui. Não me refiro à JSD, que é apenas uma de entre várias, mas às juventudes partidárias em geral e ao peso (desproporcionado, em meu entender) que têm nas estruturas internas dos partidos.

Faz sentido que os partidos tenham secções ou departamentos vocacionados para questões de juventude, como para a terceira idade ou questões laborais, por exemplo. Também faz sentido que os partidos tenham uma função pedagógica e formativa e que ela se exerça desde logo em relação aos mais jovens, embora em relação a estes isso devesse ser feito pela família e pela escola. Mas faz algum sentido, pergunto eu, que um partido não seja um todo uniforme e que depois dos dezoito anos se possa continuar a militar numa juventude partidária? Faz algum sentido que matulões bem criados, alguns precocemente anafados e cheios de tiques adultos, já instalados na vida e gozando dos benefícios da meia-idade continuem a ser tratados como “jovens” para efeitos partidários, gozando do estatuto e da influência que isso lhes confere no seio do partido? 

0 comentários em “Por aqui se vê”

  1. Que tem o Sérgio que se imiscuir na vida interna de um partido que (presumo) não é o seu?
    O PSD lá sabe com que linhas é que se cose. Nem o Sérgio nem eu temos nada a ver com isso.
    Se o Sérgio não gosta da forma como o PSD se organiza, faça como eu: não vote nele.

    1. Creio que o Luís não está a ver bem a questão.
      Eu não me estou a “imiscuir” na vida interna do PSD. Estou a imiscuir-me, se quiser, com organizações que contribuem para a organização do poder político, são entidades públicas e não privadas, que têm os fins que lhes estão consignados no art.º 2.º da Lei dos Partidos Políticos, que desempenham funções relevantes para o exercício dos direitos e liberdades políticas dos cidadãos, com personalidade jurídica e que vivem na grande maioria dos casos quase exclusivamente do dinheiro pago pelos contribuintes, visto que recebem generosas subvenções públicas.
      Era só o que faltava que um cidadão não se pudesse pronunciar sobre a estrutura interna de organizações que recebem acolhimento constitucional, estão sujeitas a fiscalização jurisdicional e que estão obrigadas a respeitar todos os princípios constitucionais atinentes à sua actividade.
      Portugal não é uma “república das bananas” embora haja muita gente dos partidos e fora deles, em relevantes posições do Estado, a esforçar-se para que assim não seja.

      1. Estou em total desacordo consigo.
        Penso que os partidos devem ser tratados como entidades essencialmente privadas e devem gozar da sua independência. O Estado não tem nada que se andar a imiscuir na sua vida e organizações internas.
        Ou, pelo menos, que se imiscua na medida do estritamente necessário – para evitar casos de corrupção, por exemplo.

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