Por acaso li esta notícia. Por acaso li-a até ao fim. Por acaso diz respeito a um conjunto de factos e de pessoas que nos entram pela casa adentro, sem pedir licença, quando todas as noites, diante de um ecrã de televisão, tentamos perceber a roda do mundo, os seus acasos. Por acaso a história mete arguidos, advogados, um ex-bastonário da Ordem dos Advogados, juízes, campanhas eleitorais para associações públicas e uma universidade privada já encerrada. Por acaso mete dinheiro de origem e destinos sombrios. Por acaso refere uns quantos tipos criminais. Por acaso são habituais nas páginas dos jornais. Por acaso também fala em deputados, em viagens, em cursos de inglês. Por acaso tudo se passa entre nós. Talvez, também por acaso, sejamos um país. Quem sabe se, por acaso, essa notícia nos diz respeito? Enfim, não sejamos pessimistas. Neste país tudo acontece por acaso. Até o inexplicável. E, pensando bem, por acaso, até é capaz de ser bom que tudo se passe assim. Por acaso.
Por acaso
Sérgio de Almeida Correia,

Por acaso, é mais um forrobodó.
Por acaso já nada me espanta neste país de acasos. É só mais um.
Por acaso partilho da tua perplexidade a propósito deste e de muitos outros assuntos.
Por acaso esta notícia é só mais uma daquelas notícias do «diz que disse». Factos? Que factos? «Lima de Carvalho explicou», «Lima de Carvalho disse» corresponde ao conceito de «factos»? E será que o jornalista se deu ao trabalho de pedir ao declarante cópia do despacho pelo qual foi determinado o cancelamento da inscrição na Ordem antes de publicar esta notícia? E será que se deu ao trabalho de pedir ao declarante para esclarecer as circunstâncias em que foi instaurado o processo de cancelamento da inscrição? Não me parece…