Confesso que começo a ficar cansado da palavra “populismo”. Não há hoje análise política em Portugal sem que este famigerado termo se multiplique à velocidade dos pães bíblicos, servindo para nomear tudo e o seu contrário. “Populismo” passou a abarcar quase tudo quanto mexe. E quando se pretende criticar alguém sem saber muito bem justificar tal crítica, logo irrompe o nefando vocábulo, tão previsível como as ondas do mar a bater na praia. Rapidamente a fórmula, de tão generalizada, ficou esvaziada de conteúdo.
Afinal o que é o populismo?
Também Churchill poderia ser acusado de “popularizar” a actividade política com as suas fórmulas simples e certeiras, bem sonantes em cabeçalhos de jornal (nada mais natural em quem exerceu o jornalismo antes da política), e aquele V da vitória que ficava excelente em qualquer fotografia. Já sem falar do general De Gaulle, que tinha o hábito de fazer plebiscitar as suas políticas, o que lhe valeu a acusação de pretender “governar por referendo”, em permanente adulação das massas. Hoje ninguém nega que foram ambos estadistas, Churchill e De Gaulle – dos maiores que o século XX conheceu. “Populismo”, portanto, vale para tudo: para o pior – e para o melhor. Seria bom que começássemos a usar outros termos. Para percebermos melhor do que se fala.

Pedro, sou levado a concordar consigo (os exemplos que utiliza também ajudam). Populismo, hoje em dia, não quer dizer rigorosamente nada, ou é deixado ao critério de cada um, o que vai dar no mesmo.
Ora cá estamos nós em sintonia, para não variar.
Estou a achar este post um bocado populista.
Acho que V. está a ser um bocado populista.
Nota-se populismo em cada linha deste blogue. A começar pelos nomes dos leitores que aparecem aqui. Antonio, nome muito populista.
hoje em dia é mais ‘populismo popularucho’. Ou o populismo já não é o que era dantes.
Não sei… Isto está tudo ligado…
O populismo está em cima da mesa? Talvez seja preciso mudar o paradigma.
Há que aproveitar a janela de oportunidade.
Populista é aquilo que a Esquerda chama à Direita quando esta explora emoções básicas que a Esquerda julga que lhe pertencem no seu naipe de truques. Ou por outras palavras é a tentativa de monopólio de certas técnicas de comunicação pela Esquerda.