SOCIALISTAS
Num rápido olhar pelos noticiários televisivos, deparei hoje com três dos diversos Partidos Socialistas que teimam em existir e persistir em Portugal: o Partido Socialista crescidinho, o Partido Socialista lamuriento e o Partido Socialista apalhaçado. Vejamos o que aconteceu hoje para os ver quase unidos de uma só penada.
O Partido Socialista crescidinho é aquele que ora diz que percebe e aceita as medidas lançadas pela actual maioria, ora diz o contrário, mas sem convicção e apenas para se defender de modo medíocre e com vergonha de não ter sido sério na governação do passado recente. Este PS crescidote foi representado hoje pelo ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos, homem que nem sei se já teria passado a ser militante socialista, mas que veio a público garantir que concorda com as medidas adoptadas pelo Governo actual e até as apoia e subscreve. Claro que este PS, mais a mais com figuras como Teixeira dos Santos, está longe de ser recomendável, por motivos óbvios, mas é o melhor que pode arranjar-se.
O Partido Socialista lamuriento é aquele que levou hoje um deputado à tribuna do Parlamento para declarar esta coisa interessantíssima: o actual Governo conseguiu um acordo com assinaturas bastantes para lhe chamar concertação social, mas perdeu muito tempo para o obter. Por outras palavras: o PS choramingas tem necessidade absoluta de encontrar sempre um ponto de discórdia que lhe garanta um lugar na oposição, por mais absurdo que seja. No caso, tem de reconhecer-se o provável esforço, que não deve ter sido fácil a este PS, para encontrar um deputado capaz de subir à tribuna da Assembleia da República para perorar sobre nada, juntando uma lamentável vitória ao tempo lamentavelmente perdido para chegar a uma não menos lamentável vitória.
O Partido Socialista apalhaçado é aquele que consegue reunir, como hoje, três figuras que têm claramente em comum a sempre forte probabilidade de co-protagonizar as mesmas anedotas. A saber:
– Alberto Costa, o ex-ministro que um belo dia julgava que estava a ser conduzido para a Justiça sem perceber que estava a ser levado para a Administração Interna e que ficou tão furioso com isso que se zangou com os polícias depois de tê-los mandado investir contra cidadãos que protestavam;
– Vitalino Canas, o ex-porta-voz e ex-coisas-parecidas que já é muito grande para continuar a ser júnior e não se vislumbra que consiga um dia ser sénior porque nunca convence que já não é um júnior;
– Isabel Moreira, a jus-constitucionalista que, neste País de jus-constitucionalistas, só se distingue dos outros jus-constitucionalistas por falar invariavelmente do alto de uma cátedra que foi só ela que ergueu com as suas próprias mãos para seu uso exclusivo e também por se apresentar sempre despeitada e com cara de quem tem os salários em atraso.
Pois estas três figuras deste PS anedótico deram hoje nas vistas por se terem juntado a pedir ao Tribunal Constitucional que verifique a posteriori se os cortes de subsídios e quejandos são medidas constitucionais ou não. Querem eles dizer, no seu pensamento profundo e sem-mais-nem-para-quê, depois dos longos debates parlamentares que sabemos e nos quais nem demos por eles, que Portugal tem duas possibilidades: ou não passa cartão a este trio sem ideias, faz cortes e tenta recuperar, ou lhes dá razão e não faz cortes porque o País está constitucionalmente condenado a ser deitado ao mar sem botes e sem coletes salva-vidas.
É por estas e por outras de igual estilo que os socialistas, todos eles, de todos os Partidos Socialistas que temos, me deixam comovido. Fico quase sempre muito emocionado quando eles se mexem. Quando mexem os lábios, sobretudo.

Há muitos mais partidos socialistas infelizmente. CDS, PSD, Bloco, PCP todos fizeram os possíveis nos últimos 20 anos para passarem o Estado de 35% para mais de 50% do País.
Os últimos 20 mil milhões euro dos quase 90 mil milhões dívida de Sócrates e Teixeira dos Santos foram feitos com o inestimável apoio parlamentar do PSD com o devido empurrão da excelência que está em Belém.
Como no texto eu próprio escrevi, há «diversos Partidos Socialistas que teimam em existir e persistir em Portugal».
Pensei que se estivesse a referir aos 3 dentro do PS que designou.
Eu também fiz o exercício de pensar antes de escrever, meu caro.
Engraçado também pensei isso.
Parece-me que o disfarce não está totalmente conseguido.
Depois João, o seu texto é muito incisivo e óbvio (diria até demais ), o destinatário está bem exposto.
Enfim mas quanto a isto nada a fazer.
Gostos!
Pois é, CR. Engraçado, isto dos gostos…
Quanto ao PS penso que podíamos resumir a coisa no “PS patético”. Diria tudo. Subscrevo, por isso, o que referiu.
Já no ponto onde o meu caro defende que se deve aceitar a inconstitucionalidade porque não há outro remédio não posso concordar.
O pensamento que tem de ser dessa forma, que obriga o outro de que não haveria alternativa e vice-versa são, para mim, redutores e falsos.
Cumps.
Obrigado, Arame.
Quanto à constitucionalidade/inconstitucionalidad e, longe de mim achar que não há outro remédio. O que me espanta é ter havido um debate tão longo na AR e os três deputados em causa, à revelia do seu próprio grupo parlamentar, terem agora decidico pedir uma fiscalização sucessiva ao TC e não terem aproveitado a AR para apresentar alternativas com cabeça, tronco e membros.
Excelente post! Já o primeiro comentário acima é típico do socialismo idiota: lança culpas a toda a gente para tentar desculpar o indesculpável.
Excelente será exagero, mas obrigado, meu caro.
Muito bem observado e com uma pontinha de humor que é um acréscimo excelente. Estava muito inspirado, JC. Dos três PS, qual deles o mais definhado…
Destes três, o pior é bem capaz de ser o quarto…
Muito bom mesmo! É o que eu acho de comédia dramática: é triste, mas fez-me rir com vontade.
Também a mim me fez rir! Mas de que nos rimos? Guindámos para a mó de cima toda a espécie de bandalhos e agora vamo-nos rindo; mas dói como o caraças…
Rir faz bem, meu caro. E, no entanto, V. está carregado de razão.
Ainda bem.
Delicioso. Muito bem, Mr. Speaker, digno da House of Commons! Devíamos pôr um arauto numa esquina da rua de S. Bento a proclamar este post… Sempre contribuíamos para limpar a cabeça dos portugueses e dar-lhes um bem escasso: rir… 🙂
Que exagero. Mr. Speaker, da House of Commons? Lord Speaker, se faz favor!
Como queira, Lord Speaker. Mas saiba que a House of Commons é “só” a first chamber…
Mas saiba que sou avesso a tudo o que seja comum, Mylady…
´Tás a pedi-las, ’tás…
Post delicioso. Espero uma análise do mesmo tipo aos restantes partidos.
Sei que vou apanhar pancada familiar – quando não levo de um, levo do outro -,mas como sou masoquista, aguento.
:))
Obrigado, Helena. Não sei se terei engenho bastante para análise tão alargada como sugeres (temos nesta casa o hábito disseminado desde o início de nos tratarmos uns aos outros por tu e não fui avisado de qualquer excepção, pelo que espero não ser levado a mal ou considerado abusador).
Uma coisa é certa: a minha qualidade de cavalheiro jamais permitiria que apanhasses pancada. Nem de mim nem seja de quem for, enquanto tivermos esta morada comum.
Meu caro João
Tive um frisson com essa da morada comum…
Esse frisson é perfeitamente natural, Helena: como sabes, nos dias que passam, cada vez mais a privacidade de cada um está separada da privacidade do próximo por um simples tabique!
Lá se foi o frisson…
João:
Como diz o ditado “venha o diabo e escolha” qualquer um deles não é recomendável e então o PS anedótico a que eu acrescentaria mais alguns adjectivos como trapaceiro, oportunista, esse realmente não é recomendável de todo aliás basta ver quem o comanda à distância desde Paris, isto claro filosóficamente falando.
Certo, Carlos. Eheh…