Ponto de situação


Teresa Ribeiro,

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Depois de um ano em que as eleições substituíram na agenda política a governação propriamente dita, infere-se que nos espera em 2016 igual vazio. Até que a crise se resolva, provavelmente através de novo sufrágio eleitoral, os tempos não estarão para iniciativas governativas. A começar pelas do governo recém eleito: os que transitaram do governo anterior para o que está agora em funções admite-se que até podem dar seguimento a algumas matérias que deixaram em pousio, mas os que se estrearam, além de alindarem o currículo pessoal vão ter oportunidade e motivação para fazer o quê?

A seguir não se sabe o que vai acontecer, mas o que for, será transitório.Teremos um 2016 completamente político, com o país em autogestão até engatilharmos em ponto morto e voltarmos a fazer eleições. Contas feitas serão dois anos passados assim. O ano que agora acaba e o próximo. A política tem destes efeitos colaterais, mas o país é demasiado frágil para permanecer tanto tempo manietado por ela.

 

0 comentários em “Ponto de situação”

  1. Já desde há uns 2 meses que se nota na publicidade muita coisa parada.
    O que só demonstra o extremo poder da política.

    Quem está internacionalizado e tem clientes ou coisas a correr la fora será quem se safará melhor da paralisação que se vai seguir.

  2. “A política tem destes efeitos colaterais, mas o país é demasiado frágil para permanecer tanto tempo manietado por ela.” Bem dizia o Marcelo Caetano: o povo português não está preparado para a democracia. Se lhe derem liberdade estabelece-se a confusão. No nosso Parlamento só falta andarem à bofetada como já se viu em países de democracia muito antiga. Faz falta o respeitinho, não acha?

  3. Atendendo ao rumo seguido até aqui no passado recente, penso que uma “pausa” no impeto “reformador” é bem vinda.

    Em relação ao elenco ministerial, é mais do mesmo e até pior pois saiu de lá o unico ministro que trabalhava quando o deixavam que era o da Saúde, embora uma certa esquerda não o entendesse exactamente pelo facto de ter sempre a perna os aparelhistas a minarem o seu trabalho nomeadamente o ex-secretário de estado que agora foi promovido a ministro da Saúde.

      1. Do socialismo reformador !

        Brincadeiras á parte você conhece a minha posição, não vou estar a repeti-la eternamente, uma pessoa também se cansa de teclar.

        Nada foi feito em 4 anos e depois ainda existe gente que acha que se fez pouco, ora se nada foi feito como pode ter sido pouco, enumere uma reforma de fundo nas atribuições e funcionamento do Estado que tenha sido feita e que tenha originado redução efectiva de despesa ……………..

        Até a treta das 40 horas para os FP foi logo furada nos Açores assim como os cortes e em compensação vendeu-se tudo e espezinhou-se quem não se podia defender ou não pertencia a lobbys.

        ” Não é de patriota nem de político abandonar o futuro às contin­gências da sorte, não criar para uma obra condições de duração e de estabilidade. Por definição só fica feito o que perdura. “

        1. “enumere uma reforma de fundo nas atribuições e funcionamento do Estado que tenha sido feita e que tenha originado redução efectiva de despesa …………….”

          Você usa o discurso de quem quer continuar com este funcionamento do estado, não se pode queixar que o confundam com eles.

          Quanto à frase acima não há discordância alguma.

          Mas isso nada tem que ver com aritmética pura e simples. Quer seja com este ou outro Estado aquilo que se colecta não pode ser menor que o que se gasta.

      1. Eu percebi, mas até que ponto a “defesa com afã da estabilidade” não é resignar-mo-nos ao “subsolo pobre”? Não tem sido um problema de estabilidade. Vamos a esse governo do PS suportado na esquerda. Vamos a ver o que faz. Não tenho nenhuma fé. Eu votei (pouco convicto) na coligação, mas não me venham com ditaduras de partidos ou caminhos únicos. Com discursos de “ordem”, “paz”, “equilíbrio social”, “legitimidade das leis”, “consciência nacional”. Tretas. Tretas com vista a manter este conspurcado status quo, esta ordem assimétrica que sistematiza as nossas vidas.

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