(À entrada do gabinete) – Lamento mas temos que suspender estas sessões, doutor.
– Quer suspender as sessões?!
– Sim, pelo menos durante seis meses.
– Mas porquê logo agora, que isto estava a correr tão bem?
– Não posso. Com o aumento da Contribuição Extraordinária de Solidariedade fiquei com um défice nas minhas contas.
– Outra vez com a obsessão do défice?!
– Não me vai citar outra vez o Jorge Sampaio, pois não?
– Eheheh (a provocá-la) E dizer-lhe que há mais vida para além do défice?
– (ameaçando sair) Se continua com essas piquenas provocações, eu…
– Venha cá, não se zangue (com um gesto largo convida-a a deitar-se no divã)
– (desconfiada entra e senta-se à beirinha) Prefiro ficar sentada.
– Deitada descontrai-se mais.
– (nervosa) Ai isso é que não.
– (trespassando-a com o olhar) Não quer deitar-se porquê?
– Não me apetece.
– Não me tente enganar.
(baixa os olhos, morde o lábio, não responde)
– Não quer deitar-se porque associa o divã à cama e na cama agora não se sente bem porque voltaram os terrores nocturnos. É isso?
– (quase inaudível) Sim.
– (de um lado para o outro, mãos atrás das costas) Curioso, muito curioso.
– (voltando-se para a paciente) Vá, não se reprima. Desabafe!
– (hesitante, num fio de voz) Voltei a sonhar com o monstro.
– O velho monstro?! Mas isso já nós analisámos vezes sem conta, pelo menos desde o tempo em que a senhora foi ministra das Finanças! Pensei que o problema estava sanado.
– É que agora há uma diferença.
– Qual?
– O monstro quer-me a mim!
– (espantado) Como assim? Arrebata-a com ideias libidinosas, assim como se fosse a presa do King Kong?
– (ofendida, ergue-se de um salto) Mas por quem me toma? Sabe muito bem que para mim essas coisas só em família e com vista à procriação!!
– Então não estou a entender.
– (à beira de um ataque de nervos) O que o monstro quer é levar-me a reforma TODA!!!


Excelente.(I didn’t know you could speak sarcasm so fluently. Congratulations.)
Tanq iu
excelente!!
Ó Teresa esta tua série é fabulosa.
Já me vou preparando para o divã da família…
Esse vai ser o caso mais bicudo, Helena. E depois, se me atiras pela janela?
Ri com gosto. Que terá dado na ‘senhora’ para andar tão azeda com o governo de Passos Coelho? A vingança serve-se fria, é?
O amor é recíproco.
Ai, Teresa, tens de fazer um livro com esta série, o mundo bem que merece um gargalhada. Bem hajas! Beijo
Eu, apolítica, adoro esta série.
Obrigada, Teresa.
Mais uma vez, óptimo!