Políticos no divã – 5


Teresa Ribeiro,

– Bem sei, eu era um colérico, mas isso foi no passado. Agora estou muito zen.

– Paris fez-lhe bem.

– Ah, foi porreiro, pá. Paris, como disse Audrey Hepburn, “é sempre uma boa ideia” ou, como escreveu Hemingway, “é uma festa”. Se os portugueses fizessem uma temporada lá, passava-lhes logo a depressão.

– Os portugueses infelizmente não têm dinheiro para esses luxos.

– Não têm dinheiro, não têm dinheiro. Acha que essa narrativa põe alguém para cima? Se não têm dinheiro não pagam. Toda a gente sabe que há dívidas que não é preciso pagar.

(tosse seca) – Por falar nisso, não me leve a mal mas já me deve umas quantas sessões.

– Ah, mas já nos estamos a desviar do assunto. Falava-lhe de Paris, não era?

– Pois e eu do dinheiro que me está a dever.

– Ahahah! Diga-me lá isso em inglês técnico que é para eu treinar.

– Para quem tirou o curso a um domingo quer-me parecer que está muito fluente é a engenharia financeira.

– (a irritar-se) O que é que quer dizer com isso? Não é lá muito ético estar a recordar-me algumas das campanhas negras que me levaram a ter que fazer psicanálise! Veja lá se não quer também mandar-me uma piadinha sobre o Freeport.

– Pelos vistos ainda temos que nos ocupar dessa sua mania da perseguição.

– (a crescer para ele) Mania da perseguição o caraças!

– Não cresça para mim. Lembre-se que eu conheço todos os seus pontos fracos.

– Eu sou um animal feroz, não tenho pontos fracos!!

– Ai não? (aproxima-se do ouvido e sussurra-lhe) És o comentador político com menor audiência na televisão!

– Nãaoooooooo!!!! 

7 comentários em “Políticos no divã – 5”

  1. Soube hoje que os reformados da CP deixaram de ter direito a viagens grátis. E pelos vistos já é assim há um ano.
    A MESQUINHEZ deste governo não tem paralelo. Parece que se sentiam incomodados com qualquer pequeno prazer que um pobre reformado da CP pudesse ter. Como se, com esta medida, os reformados da CP passando a pagar fossem motivo de lucro para a companhia. Que gente IGNÓBIL!
    Sei que o insulto não é argumento mas perante isto qualquer argumento, que não o insulto, seria estúpido.

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