– Mas essas tendências revelaram-se a partir de quando?
– Assim que eu me recorde foi antes de partir para Bruxelas.
– Sabe-se que foi nessa altura que começou a usar a expressão, mas provavelmente o seu fetiche tem uma origem mais remota.
– Refere-se ao meu período maoísta? Não creio. Apesar de esquerdista não era nada espartano, de modo que a tanga como metáfora do meu ideário socio-político de então não era nada que me entusiasmasse.
– Resta-nos nesse caso uma leitura estritamente freudiana dessa sua fixação. Além da Merkel mais alguém o surpreendeu de tanga?
– Que eu saiba só a Manuela Ferreira Leite, no dia em que anunciei que tinha aceite o convite da Comissão Europeia.
– (entredentes) Hum… Merkel e Ferreira Leite, não por acaso duas figuras femininas, maternais…
– Nessa ocasião fiquei tão eufórico que comecei a rasgar a roupa à saída de uma reunião que tivemos os dois, mas a Ferreira Leite, muito aflita, começou logo a tapar-me com a pasta das Finanças e nais ninguém me viu. Mais tarde, por ocasião da Cimeira das Lajes, tive uma recaída e fui surpreendido em trajes menores por dois assessores, junto a um farol.
(cogitando de si para si) – Farol, um símbolo fálico… Hum… isto anda mesmo tudo ligado.
– Acha que consigo superar isto antes que se defina o meu futuro, doutor?
– Bom, a ver vamos. Até lá, procure ser discreto, não faça ondas com a Merkel.
– Esteja descansado, doutor, eu com a Merkel nunca faço ondas. Estou decidido a continuar a minha carreira lá fora, mas… (ruboriza-se) confesso que por um lado tenho pena de desistir da corrida para a presidência da República. (remexe-se, nervoso) A ideia de chefiar um país de tanga… EXCITA-ME!!
– Vá, vá, por hoje terminámos. Não se esqueça é de tomar os comprimidos!


Muito bom! Queremos mais políticos no divã.
Esta tua série é excelente, Teresa. O doutor Segismundo, himself, gostaria certamente de a ler. Reclinado num divã.
apoiado
Grazie, Pedro.
Barroso no Farol, GRANDE IDEIA !!