– Penso que você tem um complexo de Édipo mal resolvido.
– Acha, doutor? Mas em que se baseia para tirar essa conclusão?
– Esse desejo de matar o pai não me deixa margem para grandes dúvidas.
– Desejo de matar o pai? Eu?!
– Sim, essa afronta sistemática aos valores social-democratas não é mais do que uma forma encapotada de matar o fundador do partido, seu pai político.
(irritado) – Ai sim? Então já agora diga-me: se o meu pai é o fundador do partido, quem é a minha mãe?
(risinho paternalista)- Estas coisas da psique não são lineares. A figura maternal por quem, de resto, está obcecado pode até nem corresponder a uma pessoa.
– Deixe-se de insinuações.
– Eu não estou a insinuar nada.
– Julga que não percebo onde quer chegar?
– Onde é que pensa que eu quero chegar?
– Não me devolva as perguntas!
– Se quer cumprir este programa de ajustamento emocional vai ter que colaborar.
– (ameaçando sair) As teorias freudianas que se lixem! Não tenho tempo para estas pieguices.
– (pegando-lhe por um braço) Depois não me venha pedir um segundo resgate desse seu ego tão tortuoso. Vá, deite-se e fale-me dela.
– (Deitando-se) Da troika?
– Sim, da sua mãe espiritual, por quem vive obcecado. Quis ser o seu melhor aluno porquê?
– Queria impressioná-la, ir mais além. Era um desejo irreprimível que me invadia como uma onda. Uma onda não, um tsu…
(ouve-se uma porta bater com estrondo)
– (num sobressalto) O que foi isto?!
– Deve ter sido uma corrente de ar.
(crispado) – Se há coisa que me enerva é ouvir PORTAS a bater.
– Mas prossiga, estava a falar da TSU.
– TSU?! Qual TSU?! (desconfiado) Olhe que não lhe admito provocações! Ia a dizer que… Olhe, sabe que mais? Já não me interessa o que lhe ia a dizer.
(levanta-se de rompante, puxa pela carteira furibundo, sem levantar os olhos) – Passe para cá mas é a factura com o número de contribuinte, vá!


Estado em Portugal 2014 : cerca de 50% do PIB
Estado em Portugal 1980 Governo AD do fundador: 33% do PIB
Por uma vez estamos de acordo, Lucky. Não havia nexexidade.
Tem razão o paciente: isto de ouvir portas a bater atrapalha qualquer um…
“(irritado) – … se o meu pai é o fundador do partido, quem é a minha mãe?”
versão tragédia grega
(sarcástico) – Quem mais poderia ser? A tua mãe é a Snu Abecassis! Um arrufo com o teu pai por causa duma meretriz a quem iam dar boleia naquele malfadado Cessna acabou por lhe salvar a vida. Em prol de uma linda história de amor, sujeitou-se a uma operação plástica complicada e adoptou a sua nova identidade……………… Paulo Portas!!!
(peremptório) – Ora essa? O Paulo Portas é o filho da Helena…
(viperino) – Sa ca dura Ca bral?!?
(apavorado) – Naaaaão!!! Quer então isso dizer que…?
(triunfante) – Que andas concubinado com a tua mãe!
(desditoso) – Ai de mim, casado com a minha mãe e fornicando-nos a toda a hora como se não houvesse amanhã!
(divertido) – O que não irão dizer os jornalistas, eheh! (esperançoso) E agora? Vais furar os próprios olhos?
(maquiavélico) – Para já tenho que mandar um SMS ao Port… à minha mãe a dar-lhe conta da tragédia. (sussurrante) Vai-se suicidar com o choque!!!
(eufórico) – Boa! Boooa!! Já está? E agora? (confiante) É agora que vais furar os próprios olhos?
(imperturbável) – Que horror, não! Agora vou instruir o emissário Hugo Soares que forneça aos senhores jornalistas mais umas palavras do novo léxico de politiquês que os nossos jotinhas andam a fazer, para eles terem com que se entreter até à próxima bronca.
Cai um pano pouco calibrado