poema de Margarida Ferra


Patrícia Reis,

Todos os que não sou
escolhem a camisa singular
de olhos fechados.
Trago no bolso dois poemas
e o desejo de toda a gente,
sou um discreto herdeiro
das relíquias que recolho de mesas de café
e em degraus de rua meio desfeitos.

Depois de me descalçar,
arranquei o arame tenso que vos ligava.
Do vértice tento avistar as caras,
queria ser eu e outro,
mas sei que não tenho valor de troca.
Se pensas vestir-me
debaixo do teu casaco
desapareces comigo.

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