Tú me ofreces la vida con tu muerte
y esa vida sin Ti yo no la quiero;
porque lo que yo espero, y desespero,
es otra vida en la que pueda verte.
Tú crees en mí. Yo a Ti, para creerte,
tendría que morirme lo primero;
morir en Ti, porque si en Ti no muero
no podría encontrarme sin perderte.
Que de tanto temer que te he perdido,
al cabo, ya no sé qué estoy temiendo:
porque de Ti y de mí me siento huido.
Mas con tanto dolor, que estoy sintiendo,
por ese amor con el que me has herido,
que vivo en Ti cuando me estoy muriendo.
José Bergamín
Quadro: O Cristo de São João da Cruz, de Salvador Dalí (1951)


Belo poema de Bergamín, bela pintura de Dalí. Aqui deixo a minha “filtragem”:
São palavras tão sentidas
de dor e inquietação,
as dúvidas incontidas
de profunda lamentação.
Dessa paixão libertadora
em palavras enaltecidas
a acção purificadora
terá raízes fortalecidas.
Boa Páscoa!
Boa Páscoa para si, Amêijoa.
Este soneto é uma beleza.
(e que bem liga com o Dali!)
É a segunda vez que o trago aqui. E não me parece de mais. É um belíssimo soneto de um excelente poeta – infelizmente muito mal conhecido em Portugal, como quase tudo quanto é espanhol. Aqui tão perto e aún de espaldas…