(Reprodução de um postal colocado no ma-schamba, mesmo sabendo que o DO não é um blog muito dado a futebóis. Pois este texto não é, exactamente, sobre futebol.)
Ao longo dos anos de bloguismo várias vezes me insurgi face às direcções do Sporting. O estado calamitoso do clube advém das práticas que estas assumiram ao longo de quase duas décadas. Sufragadas por sucessivas eleições. Pois, tal com em tantos outros contextos, manteve-se na massa associativa a crença que as elites sociais e financeiras têm alguma ligação (afectiva, ética) com o “bem comum” das comunidades a que aderem ou pertencem. Tudo isso sublinhado, potenciado, pelo “poder simbólico” que ser da “elite” possibilita. E, tal como em tantos outros contextos, torna-se agora certo que essa ralé elitista é uma corporação criminosa. E, pior, traidora de tudo o que pode trair.
Dito isto, quanto ao Sporting, muito há mais do que isso. Este ano é exemplo. Uma enorme trapalhada vinda de uma direcção carregada de problemas criminais (o presidente, com mácula de cidadania; Luis Duque com as trapalhadas municipais; o pérfido Ricciardi, acho que autor de processo contra o “Correio da Manhã” por este jornal o ter noticiado como arguido; o até novelesco polícia “vigilante”. Enfim, uma catástrofe de gente). Ene treinadores. Uma “remodelação” de plantel no Natal. A sombra da descida de divisão. Depois Jesualdo forma uma equipa, jovem, limitada, e vem ao de cima. Tentando levar o clube até às competições europeias de futebol, um pequeno balão de oxigénio diante de um horizonte tétrico. Pois num cenário de clube arruinado, com “500 milhões de euros de défice”, como disse esta semana o presidente Bruno de Carvalho.
Depois disto, na ascensão com a pax jesualda, apenas dois insucessos: a) contra o Benfica: o árbitro João Capela trucida as leis. Dois penalties por marcar, para além de tanta outra coisa (livres não marcados; aquelas entradas a matar sem serem vistas nem expulsões acontecidas). Como alguém disse “errar sempre para o mesmo lado não é humano”; b) hoje, contra o simpático Paços de Ferreira, não assinalado um penalti para aos 60 minutos poder passar para a frente. Como pode um juiz-de-linha, aka “árbitro assistente” não ver aquilo? Como pode o “melhor árbitro do mundo” não entender assim? Só não querendo.
Sem mais, o Sporting, ainda por cima nesta situação económica-financeira, está a ser abatido. Estes árbitros não são “limpinhos” como se diz. São poachers. Assassinos da instituição. Haverá um feixe de causas para estas acções. Nenhuma “limpa”.
Tão maus como eles seguem os “intelectuais” portugueses, tantos deles vozes públicas assalariadas ou ajornadas, que olham para isto com a flatulência mental do apenas clubismo, reduzindo esta minha mágoa à azia do adepto de sofá. Acredito, firmemente, que quem gosta desta aldrabice, gosta dela em tudo o resto. É gente sem princípios. Por isso mesmo o país está como está. Com estes “intelectuais” no “arco da governação”. Meros receptores deste tráfico criminal de sensações futebolísticas, de proto-orgasmos esfuziantes. Disponíveis, com tal, para todo outro tipo de mercadoria roubada, ilegítima ou anti-ética.
A pele acima será a do clube. Cada vez mais me parece que assim será o seu futuro, e por isso preparo o luto. Mas não me parece que seja só o dele, clube. Há muito mais a extinguir. E esta gente não sossegará enquanto não o conseguir. É omnívora. E voraz.


Calma. Um árbitro não pode matar um clube. No caso vertente, pode quanto muito fazer com que ele não vá à Liga Europa. O que não é nenhuma tragédia (essa liga dá pouco ou nulo retorno financeiro aos clubes que a frequentam). Se o Sporting acabar, é por falir, e tal falência não se deverá certamente aos árbitros.
Obrigado pelo comentário. Mas:
a) “Ao longo dos anos de bloguismo várias vezes me insurgi face às direcções do Sporting. O estado calamitoso do clube advém das práticas que estas assumiram ao longo de quase duas décadas. Sufragadas por sucessivas eleições.” – é o início do postal. Penso que assim injustificando em grande parte o seu “apelo” à calma;
b) “Tragédia”? O insucesso de um clube desportivo ou mesmo a sua falência ou encerramento não é uma tragédia (que bom seria que os males do mundo fossem esses). Utilizo no postal “mágoa”, o que indicia algo diverso, menos gravoso.
c) com a importância relativa que estas coisas do associativismo desportivo, e das identidades que se lhe colam, têm: prejudicar ou mesmo impedir que uma instituição secular, que teve (e ainda tem) um papel importante na sociedade (no fomento desportivo, na vida associativa, nas festividades colectivas), consiga mitigar a estrondosa crise em que vive é uma forma de a terminar. Por isso digo que os “árbitros” são poachers.
Não a “caça industrial” – essa está identificada, repito, no início do texto. Mas a “caça furtiva”, emboscada, clandestina, e já ilegal. Terminando os últimos exemplares, impedindo a manutenção.
E, para mal dos nossos pecados, satisfazendo a turba.
Mas porque é que não falam que foram beneficiados quando receberam o Braga? Não convém ou a memória é fraca?
Uma pequena nota sobre este comentário: o texto está assinado e eu nunca uso o plural majestático. Como tal o plural usado pelo comentador poderia ser visto como totalmente descabido. Mas não o é, será mais ilustrativo do que passa pela cabeça de quem não consegue, seja lá sobre o que for, assinar o que escreve. A turba, a que aludo acima, é, por definição, anónima. Como digo acima, o que denota a abissal irrealidade nacional é este fenómeno dos “intelectuais” turbulentizados. Sem se perceberem como tal. Sem serem menosprezados (ou mais) porque tal.
Qual é a diferença entre “assinar” Anónimo e JPT?
Será o JTP : José das Tripas do Porto?
Ou julga-se tão conhecido mundialmente, que três letrinhas somente são suficientes para o identificar?
A diferença entre “assinar” anónimo e jpt é simples. V. está a ler um blog, na coluna da direita tem uma lista dos autores e pode consultar o perfil de cada um deles, bastando para isso pressionar (clicar) no nome de cada um deles. No caso dos comentários nem precisa de ir a essa lista, basta pressionar (clicar) no nome do comentador (o tal jpt) para aceder ao perfil, ou seja, aos detalhes que lhe dizem quem é o tipo com quem está a “dialogar”. Não sou conhecido, no sentido de célebre, mas dou-me a conhecer, V. fica ciente do interlocutor.
Depois há outra dimensão: a qualidade e a pertinência dos comentários nos blogs têm uma correlação com o facto de virem assinados ou não. Mas essa é uma discussão velha no bloguismo.