Pior do que na Grande Depressão.


Luís Menezes Leitão,

 

 

Estas declarações de Paul Krugman demonstram bem o grande erro que tem vindo a ser a política de austeridade adoptada por Vítor Gaspar. Devo dizer que nunca tive ilusões em relação ao óbvio fracasso da suas políticas. Na verdade, como tive ocasião de registar aqui, logo na sua primeira comunicação ao país Vítor Gaspar fez o que não podia fazer: lançou um imposto extraordinário em vez de adoptar uma política de controlo da despesa. E no orçamento seguinte transformou o corte de despesa em corte de salários, o que não passa de um imposto sobre salários, que obviamente vai gerar menos consumo e mais recessão. Ora, como refere Krugman, no Economics de Paul Samuelson, que qualquer estudante conhece, consta que não se pode lançar mais impostos em épocas de recessão, o que só produz mais recessão, e consequentemente menos receita fiscal. É evidente que vamos entrar numa espiral de austeridade e recessão da qual o país não vai conseguir sair. É por isso que cedo ou tarde Passos Coelho vai ter que substituir Vítor Gaspar. Mas este ataque dos cavaquistas foi um péssimo serviço ao país, uma vez que colocar o Ministro das Finanças sob cerco do Presidente é a garantia segura de que o Primeiro-Ministro o vai manter no cargo. O que o Presidente devia fazer era exercer os seus poderes constitucionais em relação ao Orçamento, que foi para isso que foi eleito. Se o promulga pura e simplesmente, a partir daí que deixe o Governo em paz.

9 comentários em “Pior do que na Grande Depressão.”

  1. Em defesa de Vitor Gaspar… apresentaria mil anti- Krugmans… Há-os para aí os montes…
    Infelizmente, cada um com a sua biblia….
    Mas que o L M L dava um excelente ministro das Finanças … lá isso dava.
    Até eu… ( que sou burro) bastava citar as suas crónicas!

    Força camarada!

  2. Luis,

    Duvido muito que Krugman iria lançar as mesmas criticas a Gaspar, até que as soluções de Krugman passam por maior inflação e eurobonds, coisa que não é do nosso controle, mas sim da europa.

    E além disso cortar despesas em portugal é cortar salários. Não existe muito mais além de salários para reduzir.

    (não é que concorde com a solução encontrada, mas se há alguma coisa a criticar é as opções da UE, ou então o facto de o actual governo não parecer estar a fazer o suficiente para convencer a UE a alterar a estratégia. Agora, até lá não cumprir com o que foi acordado, é bancarrota e saída da união, e acho que até krugman considera isso a pior das opções (ou se não considera devia considerar))

  3. “Estas declarações de Paul Krugman demonstram bem o grande erro que tem vindo a ser a política de austeridade adoptada por Vítor Gaspar.”
    .
    não existe nenhuma politica de austeridade em Portugal, o que existe é que Portugal está falido…não há dinheiro…esse Krugman é trólaró, já se exprimentou essa ideia, com resultados trágicos para Portugal quando a crise de 2008 dos EUA, atingiu a Europa…Krugman deve sofrer de amnésia e da grave!!

    1. Portugal está falido, não há dinheiro? A sério? Não me diga. O que nos vale é V. ser um iluminado. A sua tendência para estar sempre ao lado dos pré-derrotados é por causa da crise da luz?

  4. Pelos vistos para Luís Menezes Leitão a economia com enormes quantidades de crédito era o nível normal de transações económicas…

    Continua a pensar como todos os Keynesianos que o dinheiro é que cria riqueza.
    Ora se cria riqueza onde está ela? onde está a que foi criada nestes últimos 10 anos com records de crédito?
    Se tivesse sido criada riqueza não teríamos problemas em pagar não é?
    Os défices de mais de 10% nos últimos três anos criaram que riqueza?

    Segundo Portugal não tem nenhuma política de austeridade e muito menos liberal é.
    Que eu saiba o Estado continua a ter défice.

    Ou seja continua a nos endividar mais. Os cortes no salários e pensões estatais não são suficientes e assim o suposto “liberal” Gaspar teve de aumentar os impostos penalisando ainda mais quem produz riqueza.

    O que é preciso é penalisar as pessoas certas os que não produzem riqueza. Porque quando não se produz para o dinheiro que se criou alguém tem de se pagar. Sempre.

    A escolha é entre Cortes, Impostos, Inflação ou 2 de 3 ou todos. É simples matemática.
    Como o Luís Menezes Leitão não quer cortes(mal) nem impostos(bem) tem de explicar como é que a inflação vai trazer crescimento, quando se sabe muito bem que a inflação prejudica menos comparativamente tudo e todos os que anda á volta do Estado. Ou seja os incentivos para a estatização do país ainda serão maiores.

    1. Acompanho-o na sua posição contra o Estado, mas não na rejeição liminar da inflação. Nesta fase de crise, a inflação produz um ajustamento muito menos doloroso. E pode induzir alguma dinâmica económica. Já ouvi economistas sustentar que uma inflação na dose certa é o sal da economia.

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