Graves, graves, são os crimes contra o património. Bater e violar mulheres e crianças desde que não resulte em mortes, já é coisa de somenos. Sempre assim foi e pelos vistos é para continuar. Apesar de crescente, a indignação que a pedofilia e a violência doméstica despertam na sociedade não chega para inverter a tendência para encarar os crimes sexuais com uma enorme complacência. A cultura e a tradição pesam na balança como o caraças.
Pesos e medidas
Teresa Ribeiro,


A insensatez habitual no que se refere à violência doméstica (nomeadamente a classificação do crime como público) com pouco uso de outros instrumentos (as “restraining orders” anglo-saxónicas – que deveriam ter graves consequências, caso desrespeitadas) levam, depois, a estes retrocessos.
Tudo seria melhor se a lei, em vez de querer educar, pusesse à mão dos ameaçados mecanismos expeditos para pôr fim e evitar situações. tudo passa igualmente, pela formação da polícia, que é deficientíssima.
Quanto à preferência pelos crimes patrimonias, sempre assim foi e é em terra de gente pobre.
Plenamente de acordo.
Muito bem. E incluí o Aborto. Aí até tem a violência até tem a protecção da Lei.
Reclama contra a protecção que a lei dá às mulheres que engravidam na sequência de uma violação, ou que correm graves riscos de saúde se não interromperem a gravidez, ou nestes casos é mais complacente em relação às assassinas? É só para saber.
Há gente que imagina que a propalada “violência doméstica” é crime de violência doméstica. Os conceitos infelizmente equivaleram-se por força de um jornalismo medíocre, pouco dado ao estudo, numa comunidade em que se elogia que por ter boca tem direito a dar bitaite sobre tudo.
O que o Correio da Manhã qualifica vale zero num discurso que se pretende amadurecido.
Talvez fosse interessante aferir a quantidade de homens e mulheres que usam este crime para outros interesses (partilhas de divórcio, arrebatamento judicial do outro, etc., etc.).
O mesmo se passa numa percentagem não desprezível de crimes sexuais.
(com isto não quero diminuír a gravidade de um crime sexual ou de violência doméstica (algo evidente, mas num país em que o que se diz pode ser entendido “a contrario”, como vontade do emissor, o que, reitera-se, não é o caso) só que num país de gente que elogia a batota e ainda para mais com apoio judiciário, isto é, de borla, usufruindo de todos os recursos sem pagar nada…impõe-se não dar bitaite o imaginado tido como certo).
Nos crimes patrimoniais, por regra, a prova a obter é mais contundente (apreensões, impressões digitais, reconhecimentos, testemunhas, etc.), nos crimes sexuais ou dentro de portas a prova é de âmbito mais reduzido (depoimento da vítima, exame pericial, por regra e perante a hipocrisia geral de outros contarem o que viram e não “quererem” ser testemunhas, como se houvesse “quereres”).
Destarte, a exigência à vítima é maior. Não há outra forma.
Quanto ao castigo.
Se trabalhar uma vida, e o rendimento dessa vida for retirado por conduta legalmente prevista como crime, o que conclui?
Conceitos gambozino? Ou realidades concretas?
O ter e o ser são importantes dimensões do ser humano: unem-se ao fazer.