Nascem poucas crianças no interior de Portugal. Há aldeias e vilas que poucas crianças vêem nascer por ano, havendo anos em que ninguém nasce. Resultado? O Estado fecha-lhes as escolas. Resultado? Os poucos pais com crianças mudam-se para as sedes de concelho – e eventualmente para aquela terra ninguém que são as cinturas de Lisboa e Porto. As aldeias e vilas ficam então sem ninguém abaixo dos 50 anos.
Elemento surreal: escolas fechadas acabadinhas de construir, com gimnodesportivos e tudo. Tenho sempre uma certa sensação de Chernobyl, ao passar pelo interior português.

Tantas, tantas…
Aqui onde moro à dois anos remodelou-se uma escola (primária), abriu em Setembro de 2010 como nova, fechou em Junho de 2011 para sempre, pois o novo centro escolar, construído a dois passos veio substituir. Aqui, nesta pequena terra onde vivo, é o costume e quem diz escolas, diz centros de saúde…
E há escolas com recursos humanos, físicos e alunos onde se fecham turmas. Não entendo esta política.
Horrível, de facto… Ainda há dias uma amiga holandesa dizia que acha que deve ser difícil ser criança em Portugal, por aquilo que observou…
E quem diz escolas diz tribunais, por exemplo, como aqueles serviços de Amarante que querem agora transferir para as suburbanas Valongo e Gondomar.
Não percebo bem o que pretende a Ana Margarida. No primeiro parágrafo parece criticar o Estado por estar a fechar as escolas. No segundo parágrafo parece estar a criticar o Estado por ter construído escolas de boa qualidade, com gimnodesportivos e tudo.
Qual é o mal, exatamente, de as aldeias ficarem sem ninguém com menos de 50 anos?
Se nelas não há postos de trabalho, produtivos e rentáveis, para jovens, então é naturalíssimo que lá não haja jovens.
Repare-se que há muitos países (por exemplo, a Escandinávia) onde também há vastas extensões de território sem nenhum habitante. Qual é o mal se em Portugal acontecer o mesmo?
O que a Ana Margarida deveria criticar não é o facto de em Penamacor não haver crianças. O que deveria criticar é o facto de o concelho de Lisboa estar cheio de velhos. Num país racional, os velhos, que já não precisam para nada de viver em Lisboa, iriam viver para Penamacor, onde em princípio as rendas seriam muito mais baixas.
Estás aqui estás a dar-lhe uma injecção atrás da orelha…
É isso mesmo.
É curioso que os governos gostam muito de falar dos recursos humanos, da formação, de como os jovens são o futuro. Mas nunca foi implementada em Portugal uma política de apoio à natalidade. No país mais velho da Europa. E ainda cortam no abono de família, essa fortuna que custa rios de dinheiro ao estado.