Persistência


jmmcc,

Fala-se muito da “ética republicana”, como se houvesse um catálogo de éticas à escolha de cada um, e dos “valores republicanos”, coisa difusa que cada um interpreta a seu modo na ausência de valores. Não é preciso inventar. A grande qualidade da república é a persistência, aquela vontade firme de fazer o país melhor. Ao fim de um século, é caso para perguntar: então por que é que não faz?

17 comentários em “Persistência”

  1. João Carvalho,
    Ainda que descontando os primeiros 16 anos, conturbados, mas durante os quais, ainda assim, se fez vasta obra, na saúde, educação e escolaridade; descontando os seguintes 50 anos, uma monarquia absolutista, onde era arriscado falar publicamente em “ética republicana”, tem os últimos 35 anos.Se não basta olhar em volta, e um bocado de memória dos tempos, podemos sempre recorrer aos muitos estudos escritos sobre o assunto, incluindo estatisticas de toda a espécie, indicadores sociais, económicos, etc. Portugal em 1910 e Portugal e, 2010, são planetas diferentes. Pode-se é dizer que se poderia ter feito mais (pode-se sempre faer mais e melhor), o que não pode é dizer que o país não melhorou.

    1. Pedro, V. é assim mesmo ou anda momentaneamente com dificuldade para aceitar uma ironia simples com um sorriso?
      Se quer que lhe diga, melhorou muito, mastas vezes. Mas também recuou demais, muitas mais.
      Ainda há cinco (e há dez e há 15) anos vivíamos melhor. E não saberemos tão cedo quando voltaremos ao que éramos há cinco anos.

      1. O texto era irónico? A sério? Eu, quando muito, tomava-o mais com hipérbolico, à VPV 😉 Mas pronto, já aqui não está quem falou, sendo assim. E sim, eu pelo menos vivia também melhor à cinco anos. Há um ano, até. Meti-me ai nuns créditos e tal. Mas falávamos num periodo um bocado mais longo.

  2. «Ética» é um vocábulo que vale por si, não necessita de ser adjectivado. Do catálogo das chamadas virtudes republicanas, destaco uma, que anda a ser totalmente depreciada nos últimos anos pelos agentes políticos: a austeridade. Teófilo Braga, que foi PR em 1915, ia para o Palácio de Belém de eléctrico.

    1. Pedro,´concordante. Ética é…ética. Ética e a circunstância de ser republicano, enfermeiro, politico ou outra vale zero. Juntar algo que se faz, que se pratica uma profissao ou ideologia omite algo de virtuoso do restante ou do seu contrário.
      Ética é fundante na radicalidade do não incomodar e no cuidar. O resto virá por acréscimo.

  3. A República, com todos os defeitos que a sua prática revelou, é o sistema que em teoria abole os privilégios de sangue, e nesse sentido sou, sem qualquer sombra de dúvida, republicano.
    Quanto à Ética, a dita republicana, enquanto conceito específico, é-me relativamente indiferente; a Ética deve valer por si mesma. Até surgir melhor, fico-me pelo ‘imperativo categórico’ de Kant: «Age apenas segundo aquela máxima que possas ao mesmo tempo desejar que se torne lei universal. (…) Age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.»

  4. Talvez pela razão que sugiro na mais recente mensagem do meu blogue: porque a república foi instaurada há cem anos mas até hoje ainda não foi construída; e consequentemente porque o regime em que vivemos não é uma república, mas sim uma confederação de micro-monarquias.

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