A propósito do post do Luís Menezes Leitão, aqui mais abaixo, pode ler-se um artigo do El País que me parece bastante acertado e que vem ao encontro do que muitos brasileiros, entre os quais vários intelectuais, têm dito nos últimos dias.
Perguntas e algumas hipóteses de respostas
Ana Lima,

Este artigo desmonta completamente o artigo do Luís Menezes Leitão. COMPLETAMENTE!
A parceira de blog tentou uma saída airosa entre o passar a mensagem certa e não beliscar o parceiro. Não o devia ter feito. O seu parceiro de blog devia pensar duas vezes e ler mais um bocado antes de escrever.
“Quizás la paradoja se deba a eso: al haber colocado a los hijos de los pobres en la escuela, de la que no gozaron sus padres y abuelos; al haber permitido a los jóvenes, a todos, blancos, negros, indígenas, pobres o no, ingresar en la universidad; al haber dado para todos accesos gratuito a la sanidad; al haber librado a los brasileños del complejo antaño de culpa de “perros callejeros”; al haber conseguido todo aquello que convirtió a Brasil en solo 20 años en un país casi del primer mundo.”
Pois eu acho o contrário. O artigo do El País é que está errado, quando julga à partida que o crescimento económico que o Brasil eliminou as desigualdades. Há quem confunda descobrir petróleo com ficar igual ao Canadá do dia para a noite.
Não me parece que o artigo esteja errado pois não é essa a leitura que eu faço, Vasco. Ninguém poderá pensar, e duvido que o autor do artigo o fizesse, que o crescimento económico elimina desigualdades, muito menos em países como o Brasil. Ele só tenta chamar a atenção para o enquadramento mais global e para as alterações que aconteceram na sociedade brasileira e que, de alguma forma, favoreceram este “despertar”.
O artigo do El Pais é de um paternalismo apenas possível num país com uma longe ditadura (como cá): transmite a ideia de que, tudo devendo aos senhores políticos, que os tirou da miséria a uns e da mais abjecta pobreza a outros os brasileiros estão exigentes, como um pobre a que numa noite de gelo dão um casaco e se passa a queixar de calor. Atrevimentos.
Acontece que o povo nada deve aos governantes, que numa democracia estes estão obrigados a apresentar contas. . E o que os brasileiros estão a descobrir – para além da corrupção e da grunhice de apresentar um “mundial” como um grande feito e da política do fogo de artifício – é que a economia, não está afinal, muito distante do que era: dependendo da alta das matérias-primas.
O Brasil é uma democracia há 20 anos – e nesse lapso de tempo houve países bem mais desprovidos que foram bastante mais longe.
É certo que parece haver no artigo um certo paternalismo. É também claro que estas questões não são politicamente neutras. O Brasil é considerado um país que, em pouco tempo, melhorou significativamente alguns indicadores económicos e sociais e se uns ligam essa situação à chegada ao poder do PT, outros acham que o crescimento se faria de qualquer forma não sendo o factor político o decisivo. Seja como for o Brasil está longe de ser um país equilibrado e com uma história recente tão pouco edificante, motivos de sobra para o descontentamento não faltam. E enquanto uns fazem petições de apoio à “presidenta” contra a tentativa do que chamam de “golpe de sectores da elite burguesa” outros há que apresentam listas infindáveis de razões para os protestos… Elas não existem? Claro que sim. E elas são referidas no artigo. É graças aos últimos presidentes que se tem formado uma nova consciência? Também me parece abusivo dizer tal mas o artigo interessou-me sobretudo pelas pistas que lança.
Na realidade não tive qualquer intenção, nem de menorizar o post do meu colega de blogue, nem de evitar qualquer beliscadura.
O que diz o Luís faz sentido e não deixa de ser necessário repensar a forma como os estados utilizam o que é público conforme entendem, escudados na ideia de que foram eleitos e é o suficiente.
Só quis, chamando a atenção para este artigo, dar relevância às questões mais alargadas que estão presentes nestas situações complexas, mesmo que seja impossível subscrever todo o tom utilizado pelo jornalista…
Pois pois….
Aquilo que o seu colega de blog disse foi que os protestos que decorrem há semanas por toda a Turquia existem por causa do Parque Gezi.
Acha que isso está correto?
Vá lá, Pedro… Acho que percebo o que quer dizer e penso que o que diz está correcto. Mas não pode querer reduzir aquilo que o meu colega disse à totalidade do seu pensamento sobre esta questão que, obviamente, é vasta e complexa.
Não fui eu que reduzi, foi o seu colega no post que escreveu.
E reduziu-o com o propósito de poder fazer uma ponte com o Euro2004 (sobre o qual não ponho em causa a opinião do LML).
O seu post está muito bom, e não querendo aprofundar muito, faz o link para um artigo que trata o assunto muito mais pormenorizadamente. Isso é bom. O post do LML é mau.
Pedro Mendes
Vir de encontro = chocar com / Vir ao encontro = Estar em sintonia com. Just sayin’.
Tem razão! É daquelas expressões que, mesmo sabendo, continuam “a sair” sem que eu queira. Obrigada pela correcção. Espero que, depois desta chamada de atenção em público, para a próxima não cometa o mesmo erro…
Não era minha intenção ‘chamar atenção em público’; peço desculpa por esse facto inevitável. Mas como é uma gralha cada vez mais comum e tenho algum receio de que se torne verdade por força do uso (há quem pense assim, infelizmente) pareceu-me necessário fazer o reparo apesar da indelicadeza. Cumpts.
Não tem que se preocupar. Eu esforço-me por escrever da melhor forma mas não tenho pretensões a nunca cometer erros. E, neste caso, ainda bem que chamou a atenção.
… que vem AO ENCONTRO ! (vir de encontro ? contra quê ? contra quem ?) tu quoque, etc.
Já vi que os leitores do D.O. estão muito atentos. Eu já respondi a essa questão. Achei que, para manter o comentário, deixaria o texto como está mas talvez seja melhor corrigi-lo.
Qualquer dia ainda vão descobrir que trabalhar o ano inteiro pra tudo se acabar na quarta-feira não dá.
Pois… Por enquanto o Carnaval ainda não é como o Natal: quando um homem quiser… 🙂