Continuo a dizer que não foi o facto de anteriores executivos – incluindo socialistas – terem procedido a nomeações de favor do seu pessoal político, muitas vezes sem qualificações que os recomendassem para os cargos para que foram nomeados, que me irá impedir de me manifestar contra o verdadeiro assalto ao pote que está a ocorrer neste final de legislatura por parte dos mais conhecidos caciques do PSD. Aquilo que hoje critico no PSD foi o mesmo que antes critiquei no PS ou em qualquer outro governo, e só os mais distraídos é que não repararam nisso. Daí que considere absolutamente inaceitável, e não me canse de dizê-lo, que se continue a utilizar a máquina do Estado para colocar os amigalhaços, quantas vezes sem qualquer justificação em termos de boa gestão, interesse público ou simples necessidade, ainda que transitória, dos serviços. O que aconteceu antes com a ordem de reabertura de embaixadas e postos consulares que Paulo Portas mandara encerrar, para que amigos e protegidos sejam colocados e não fiquem “pendurados”, nem à mercê dos que vierem a seguir, repete-se agora com a mais discreta, mas nem por isso menos escandalosa, nomeação de uma senhora deputada (que antes era profesora numa escola secundária, tradutora num tribunal e formadora no IEFP), em final de mandato, para a Embaixada de Portugal em Berna. Se, como refere um deputado socialista, havia necessidade de se preencher o cargo, então por que motivo ficou o lugar vago durante três anos? Seria preferível que o secretário de Estado, em vez de atirar areia para os olhos das pessoas, como é seu hábito, dissesse, por exemplo, que há poucas possibilidades da senhora voltar a ser eleita deputada por não haver garantias de ficar nas listas em lugar elegível, e que havia necessidade, atenta a probabilidade da coligação perder as próximas eleições, de acautelar o seu futuro, tanto mais que é deputada pelo seu círculo de Viseu e com ele tem colaborado. Dizer qualquer uma destas coisas seria mais honesto. E já ninguém estranharia.
(razões que recomendam a nomeação da senhora deputada para Berna e que não constam da sua página pessoal no site da Assembleia da República: “Presidente da Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul, é membro da Assembleia Distrital de Viseu do Partido Social Democrata, membro da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões e Directora-Adjunta do jornal regional “Gazeta da Beira” e Directora da Revista “Terras de Lafões”. Foi também Presidente da Assembleia Municipal de S. Pedro do Sul nos três mandatos anteriores, Presidente da Comissão Política da Secção de S. Pedro do Sul da JSD entre 1981 e 1983, foi membro de diversas Comissões Políticas da Secção de S. Pedro do Sul do PSD , tendo sido sua Presidente na década de 90. Foi também membro da Comissão Política Distrital da JSD entre 1982 e 1984. Ao nível associativo destaca-se as funções de Grã-Mestre da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, Vice-Presidente do Conselho Europeu de Confrarias, Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Básica 2/3 de S. Pedro do Sul, entre 1997 e 2002 e Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola Secundária de S. Pedro do Sul, entre 2002 e 2008” – aqui).


Disse: “aquilo que hoje critico no PSD foi o mesmo que antes critiquei no PS”, mas nunca dei conta que os tenha, também, chamado “caciques”, pelo que, percebe-se, criticou o PS em grau diferente, batendo-lhe ao mesmo tempo com a mão nas costas, como fazem os amigos.
“Setenta e duas horas depois dos primeiros discursos cumpre perguntar para que serve um congresso? O corrupio de “personalidades”, de “camaradas”, de “militantes” que se deslocou a Matosinhos converge num único ponto: a culpa da crise vem de fora e agravou-se com a atitude da oposição irresponsável que temos.Um partido feito de meias-verdades, de chavões, de unanimismos e de aplausos nunca será capaz de olhar para si, de se confrontar com a realidade e de se modernizar. A um dinossáurio de proveta idade sucedem dinossáurios jovens e prematuramente ancilosados.(…) O tecido social do partido é cada vez mais formado por caciques locais, delegados de informação médica que viraram autarcas, empresários da construção civil, analfabetos guindados a administradores hospitalares e dirigentes locais pelos quais passa toda a estratégia, devidamente secundados pelas clientelas habituais”…
Isto foi em Abril de 2011, só para lhe dar um exemplo mais recente e ainda na “era socrática”. Esse texto está aqui no DO. Mas se quiser pode ir depois aos meus blogues pessoais, àquilo que não saiu aqui.
O Tiro ao Alvo tem de escolher outro alvo para não continuar a atirar ao lado.
Disse: “aquilo que hoje critico no PSD foi o mesmo que antes critiquei no PS”, mas nunca dei conta que lhes tenha, também, chamado “caciques”, pelo que, percebe-se, criticou o PS em grau diferente, batendo-lhe ao mesmo tempo com a mão nas costas, como fazem os amigos.
E logo na embaixada em Berna, que deve ser das que mais dinheiro custa aos contribuintes, devido ao alto valor do franco suíço.
O Zé (como gosta que o tratem) devia ser um caso de estudo no governo em questão pela sua falta de competência (mesmo entre incompetentes existem limites) ou necessidade quase patológica de acumular milhas de vôo.
Deixo-lhe uma pérola do Zé que talvez não conheça.
https://www.youtube.com/watch?v=imCC4Tjr wLk
Sérgio, obrigado pelo esclarecimento. Saiba que em Abril de 2011 não lia blogues, nem sabia da existência deste.
E não tem que me agradecer ter-lhe dado oportunidade de melhor explicitar qual é a sua posição nestas matérias, mas que ficou mais clara, ficou.
Também li no “Jornal do Crime”.