Foi uma boa semana para a república. Miguel Relvas ameaçou revelar detalhes da vida pessoal de uma jornalista, que obteve talvez por “press clipping”, e as reacções iradas dos defensores da liberdade não se fizeram esperar.
Mário Crespo inaugurou outra campanha temerária contra a “asfixia democrática”. Alguns blogues da direita, liderando pelo exemplo, organizaram manifestações à porta da Assembleia a que compareceram dezenas de cidadãos indignados. Rodrigo Moita de Deus vestiu-se de palhaço e fez marketing de guerrilha na Sant’Ana à Lapa.
Deputados do PSD distanciaram-se dos ataques à liberdade de imprensa, “por não admitirem no partido o opróbrio que manchou o Governo de José Sócrates”. Pedro Passos Coelho, compungido, afirmou que em matéria de valores fundamentais “não há esquerda nem direita, e que a todos se exige o mesmo respeito pela democracia”. José Relvas acusou o toque e demitiu-se esta manhã. Ao “Público”, a quem pediu desculpa, confessou que fará umas “curtas férias, para visitar amigos em Angola e no Brasil”.
A nossa opinião pública, e os seus líderes, estão mais uma vez de parabéns.

Não sei quem é José Relvas. Miguel Relvas, actual representante da mediocridade do status quo no governo – daria um bom ministro de socratino -, devia estar já demitido e está-lo-ia se houvesse uma direita com valores em Portugal.
Infelizmente não há, o que, como conservador, muito lamento.
De qualquer modo, a actuação do tal Relvas parece configurar um crime de ameaças e seria bom que a jornalista apresentasse a respectiva queixa.
Valha-nos o sentido de humor, que já pouco nos resta…
As polémicas em torno de Relvas começam a ser demasiado frequentes – e demasiado graves.
Esplendor no Relvas 🙂
PPC perde uma excelente oportunidade de mostrar que é diferente do antecessor. É pena.
A questão é se ele é diferente do antecessor. Pelo menos, é mais rápido nas trapalhadas em que se mete. Menos de um ano de governação e é o que se vê.
Podes crer. Nos primeiros anos do Sócas não teve nada disto, só muito depois.
Podes crer. Nos primeiros anos do Sócas não houve nada disto, só muito depois.
Muito melhor assim. Quem votou nele fica desde já a saber o calibre de quem lá pôs.
Oooooh …!Pensei que era por nós (portugueses) estarmos a ficar mais espertos, perspicazes…ou menos pacientes. 🙂
Esperemos que se provem as ditas ameaças, se bem que se no caso do anterior primeiro-ministro o mesmo tipo de ameaças não serviram para nada (e houve-as do próprio, de ministros, secretários de estado, deputados, juízes, até aos soldados rasos do socretinismo), agora será no máximo uma oportunidade para demonstrar alguma diferença na atitude quando alguém é de facto apanhado.
Algo tristes no entanto os comentários saudosos do “profissionalismo” com que tudo era feito quanto à exposição mediática no antigamente…
Confesso que prefiro estes toscos. E já agora que haja matéria de facto para expurgar do governo um dos únicos representantes de certos interesses.
Boa. Há, de facto, quem prefira não saber. Por essas e por outras, eu também prefiro estes “toscos”. Embora ainda preferisse mais que os ministros deixassem de andar a telefonar para jornalistas. Devem ter mais que fazer, não?
Quais comentários saudosos, Buíça?
Nada disto me espanta, e isso é o pior de tudo. Já não conseguimos acreditar em ninguém, sobretudo em quem nos governa. Espera-se de Passos Coelho uma atitude exemplar neste caso, e o mais rapidamente possível, mas… pergunto-me se será suficiente um corta-Relvas para aparar tanta erva daninha. Este país precisa de uma desparasitação geral, caramba.