Perdidos no labirinto


josegomesandre,

O Partido Popular Europeu reuniu-se no Algarve para discutir “crescimento e emprego”, procurando anunciar um novo ciclo na política europeia. Após anos de austeridade, é altura de enviar uma mensagem de esperança aos deprimidos povos europeus, ainda que ninguém saiba qual a receita milagrosa capaz de reactivar o mercado europeu e dinamizar as débeis economias da periferia, já para não falar de problemas crónicos como a crise demográfica, a imigração ilegal ou o futuro da Segurança Social.

A verdadeira agenda dos conservadores deverá pois concentrar-se em desafios mais prementes. Um deles é saber como lidar com o novo mapa político da União Europeia, mais fragmentado do que nunca e habitado por um número crescente de nacionalistas xenófobos, eurocépticos tradicionais e esquerdistas radicais, cujas intenções são bem conhecidas: enfraquecer (ainda mais) o que resta do projecto europeu.

A eleição do próximo Presidente da Comissão Europeia adquire por isso grande preponderância. O PPE encontra-se porém num complexo labirinto, em parte por si gerado: prometeu que Juncker seria o escolhido caso vencesse as eleições, mas uma vez conhecido o resultado, regressou ao velho jogo de bastidores da política europeia, onde dominam os egos, os números de circo e a estrita defesa dos “interesses nacionais”. Como acaba esta história? Em mês de Mundial, provavelmente ao jeito do famoso ditado futebolístico dos anos 90: são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha – ou seja, a escolha de Merkel…

[publicado no Diário Económico]

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