![21570255_V7zPf[1].jpg 21570255_V7zPf[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2019/21571180_1h4zY.jpeg)
O caso de Tancos resiste a qualquer esforço taxonómico. Tem um lado ridículo, de ópera bufa, demasiado absurdo para ser verdade. Tem ainda um outro lado, de total ausência de responsabilidade institucional, excessivamente gravoso para que tenha ocorrido num Estado de Direito democrático.
Olhamos para os factos demonstrados e custa a acreditar. Vemos a facilidade com que se entra clandestinamente em instalações militares para roubar armas e explosivos, facto ao qual se junta a pièce de résistance cómica: o material militar foi transportado num carrinho de mão por indivíduos com apodos artísticos como “O Fechaduras”, “O Pisca” e “O Caveirinha”. Nenhuma obra de ficção se atreveria a algo tão patético.
Percebemos também que houve uma operação de encobrimento do crime, o que sugere sofisticação e destreza típicas de um livro de Graham Greene, mas que na verdade foi de um amadorismo confrangedor.
Percebemos ainda que houve um ministro da Defesa mitómano e com sintomas de deslumbramento pelo poder que muito provavelmente deu cobertura activa ao espetáculo de vaudeville.
Percebemos agora que o deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro, um apparatchik que nunca leu Orwell, estava ao corrente da situação. Optou por participar tacitamente no encobrimento, mas não se cobriu de vergonha quando o facto se tornou público: apresenta-se outra vez como candidato à Assembleia da República.
Por fim, estamos à espera de perceber se o Primeiro Ministro foi conivente, ou se simplesmente é possível que um esquema desta dimensão ocorra sem que o chefe do Governo se aperceba. Tanto a hipótese A como a B deveriam ter consequências sérias.
Como se tudo isto não bastasse, há um rol de alucinados, onde pontificam José Sócrates, Vasco Lourenço e uma parte do Partido Socialista, que no meio de tanta falta de decoro – para não falar na montanha de crimes – encontra em Tancos uma urdidura tecida para prejudicar a geringonça e o PS.
Isto não se inventa.

Um “heist movie” escrito pelo Chagas Freitas e realizado pelo Ed Wood.
Trivia: o #2 do País opinou mais sobre o ataque terrorista a Alcochete do que sobre este fight diver de Tancos. Prioridades.
A sua ideia do “heist movie” está interessante. Mas a mim, olhando para os intervenientes (e para aquela fotografia lá em cima, que tantas gargalhadas me provocou quando a vi), isto parece-me mais obra para a filmografia dos irmãos Marx.
Tancos’s 12.
Em vez do chinês que se dobra dentro do caixote temos o fechaduras a empurrar o carro de mão.
Gostei muito,Diogo.
Um texto claramente a não perder engrandecido com uma foto muito engraçada e de total oportunidade.
A banda sonora fica a cargo do Benny Hill
Pela primeira vez ns minha vida,vou votar em branco. Já não posso ouvir falar em Tancos! Tem que se esclarecer a vergonha do que se passou,mas por favor,vai ser eleito um novo governo alguém sabe o que propõem os partidos???Não é Tancos que vai governar o País.
Acho piada que alguns defendam não se poder/dever trazer “o Caso Tancos” , para a campanha eleitoral . Penso o oposto. O Primeiro Ministro é responsável pelos ministros que escolhe, tal como um Director de Serviço Hospitalar deve demitir-se (demite – se) , quando alguém, da sua equipa, e portanto, da sua confiança, da sua Responsabilidade, comete acto médico grave, ou negligente.
Recordo que, António Costa, em Junho deste ano, ao reiterar, novamente, Total confiança em Azeredo Lopes, aumenta, a meu ver, a obrigação moral, do próprio se demitir. Mas a António Costa, falta algo que não se aprende nos livros. Honra e Sentido de Estado.
https://www.cmjornal.pt/multimedia/video s/detalhe/antonio-costa-reitera-total-co nfianca-em-azeredo-lopes-apesar-de-este-s er-arguido-no-caso-tancos
Correcção :Em Julho deste ano
Se fizerem um filme sobre o assalto a Tancos – e espero que o façam – a dúvida será entre Ken Loach e Mel Brooks.
O governo finalmente foi apanhado a mentir de forma clara e inequívoca. Esse é o ponto essencial de Tancos.
Nem mais. Doa a quem doer.
Uma primeira dúvida existencial: o fechaduras ajudou a roubar ou a recuperar ?
Uma segunda dúvida existencial: se as polícias judiciárias (a militar e a civil) descobriram os ladrões e recuperaram as armas, para que serve e a quem serve o encobrimento?
Ao Joaquim Leitão, ou ao Jorge Pelicano
Se António Pedro Vasconcelos não chegar primeiro… As armas e o povo podem ser uma vantagem.
E uma terceira duvida existencial, tendo em conta os intervenientes em todo este caso, é se as armas “recuperadas” foram as mesmas que foram furtadas…
E chegamos à dúvida existencial final: se o encobrimento não foi para o fechaduras e companhia, quem são os verdadeiros ladrões?
Eles sabem. E sabem mais ainda. Sabem que as armas não estavam nem nunca estiveram em Tancos.
E agora estamos nesta embrulhada que vai acabar assim.
Estranho estranho é TBR, o iznogoud da geringonça e o plataformista mais perigoso em todo o sultanato, estar metido ao barulho. Cheira-me que Costa vai ter de lidar com ele em breve.
Falta o comentário do Manuel! A.