A linguagem jornalística infestada pelo ‘economês’ e pelo ‘sociologuês’. Blablablá para afastar ainda mais os leitores.
5 comentários em “Pequenas irritações”
Caro Pedro,
Em Portugal, estamos habituados a considerar o povo ignorante, coitado, e a nossa pequena elite muito boa e esclarecida, porque estrangeirada (no sentido clássico do termo). Mas quem é a elite portuguesa? Creio que “meia dúzia” de “intelectuais” que lêem o Expresso, desde há 35 anos. E que se tratam todos por tu, porque se cruzaram nos Liceus, nas Universidadeas ou nos primeiros, segundos e terceiros casamentos. É tudo família e, portanto, não é possível criticar sem que a crítica tome a forma de acusação pessoal e de afronta. Não há verdadeiro debate de ideias, por quem defende algo novo, criticando o anteriormente feito, está a “provocar” e quem se vê criticado sente-se traído e incompreendido. Ontem, na TVI 24, houve um “debate” em que participaram Constança Cunha e Sá (CCS), Jorge Braga de Macedo (JBM), Pedro Santana Lopes (PSL) e Francisco Teixeira da Mota (FTM). Qundo PSL disse que os economistas tinham contribuído para a actual crise política nacional e para a crise financeira internacional, nomeadamente porque a maioria deles apontou o caminho que percorremos para chegarmos até hoje e não avisaram para os perigos actuais (só o fazendo agora depois de tudo estar a acontecer), a principal preocupação de JBM (depois de ter “embatucado”) foi devolver a “responsabiliadde” da crise aos decisores políticos, referindo que deviam estar conscientes das consequências dos trilhos traçados em termos económicos. Ora, eu entendo que os políticos se apoiam nos “consultores” económicos, em especial, nos macroeconómicos. As suas decisões são fundamentadas nas opções que lhes são apresentadas pelos consultores. A decência e a honestidade intelectual (o quê?, quem?) imporiam, agora, um mea culpa desta gente. Mas o que vemos é que tais consultores económicos e macroeconómicos continuam a perorar nos vários púlpitos comunicacionais disponíveis, sem qualquer rebuço. Veja-se, por exemplo, o caso do (aqui tão querido) António Nogueira Leite que serviu(-se?) o Páis sob Guterres (para alguns, a origem do mal, como se não houvesse passado e a fundação de Portugal tivesse ocorrido na era Guterres) e agora debita receitas milagrosas para tirar o País da crise, mas apenas garante o sucesso se for sob o símbolo das setas laranja. O que bem demonstra também o patriotismo destes “consultores”. Parece ainda que todos disponibilizam um “disclamer”: se seguirem as nossas sábias orientações, os políticos são os responsáveis. Nós, os sábios, os que apontam caminhos, NUNCA! “Disclamer” significa isso mesmo: não nos responsabilizamos. Se não se responsabilizam, não nos irritem e vão plantar batatas! Ou couves! Para desenvolvermos as exportações! Aliás, estes sábios bem podem ir para o estrangeiro (onde os próprios dizem ser tão apreciados e estão cá só a perder dinheiro). As nossas exportações agradecem e nós, Portugueses, ainda agradecemos mais! Boa viagem!
Caro Pedro, Para seu descanso, não tomo o PSL como fonte inspiradora. Mas que tem dito umas verdades “inconvenientes”, lá isso tem! E eu prezo a verdade, venha ela de quem vier.
Caro Pedro,
Em Portugal, estamos habituados a considerar o povo ignorante, coitado, e a nossa pequena elite muito boa e esclarecida, porque estrangeirada (no sentido clássico do termo).
Mas quem é a elite portuguesa?
Creio que “meia dúzia” de “intelectuais” que lêem o Expresso, desde há 35 anos.
E que se tratam todos por tu, porque se cruzaram nos Liceus, nas Universidadeas ou nos primeiros, segundos e terceiros casamentos.
É tudo família e, portanto, não é possível criticar sem que a crítica tome a forma de acusação pessoal e de afronta.
Não há verdadeiro debate de ideias, por quem defende algo novo, criticando o anteriormente feito, está a “provocar” e quem se vê criticado sente-se traído e incompreendido.
Ontem, na TVI 24, houve um “debate” em que participaram Constança Cunha e Sá (CCS), Jorge Braga de Macedo (JBM), Pedro Santana Lopes (PSL) e Francisco Teixeira da Mota (FTM).
Qundo PSL disse que os economistas tinham contribuído para a actual crise política nacional e para a crise financeira internacional, nomeadamente porque a maioria deles apontou o caminho que percorremos para chegarmos até hoje e não avisaram para os perigos actuais (só o fazendo agora depois de tudo estar a acontecer), a principal preocupação de JBM (depois de ter “embatucado”) foi devolver a “responsabiliadde” da crise aos decisores políticos, referindo que deviam estar conscientes das consequências dos trilhos traçados em termos económicos.
Ora, eu entendo que os políticos se apoiam nos “consultores” económicos, em especial, nos macroeconómicos. As suas decisões são fundamentadas nas opções que lhes são apresentadas pelos consultores.
A decência e a honestidade intelectual (o quê?, quem?) imporiam, agora, um mea culpa desta gente. Mas o que vemos é que tais consultores económicos e macroeconómicos continuam a perorar nos vários púlpitos comunicacionais disponíveis, sem qualquer rebuço.
Veja-se, por exemplo, o caso do (aqui tão querido) António Nogueira Leite que serviu(-se?) o Páis sob Guterres (para alguns, a origem do mal, como se não houvesse passado e a fundação de Portugal tivesse ocorrido na era Guterres) e agora debita receitas milagrosas para tirar o País da crise, mas apenas garante o sucesso se for sob o símbolo das setas laranja. O que bem demonstra também o patriotismo destes “consultores”.
Parece ainda que todos disponibilizam um “disclamer”: se seguirem as nossas sábias orientações, os políticos são os responsáveis. Nós, os sábios, os que apontam caminhos, NUNCA!
“Disclamer” significa isso mesmo: não nos responsabilizamos.
Se não se responsabilizam, não nos irritem e vão plantar batatas! Ou couves! Para desenvolvermos as exportações!
Aliás, estes sábios bem podem ir para o estrangeiro (onde os próprios dizem ser tão apreciados e estão cá só a perder dinheiro). As nossas exportações agradecem e nós, Portugueses, ainda agradecemos mais!
Boa viagem!
Cara Anónima, não me diga que agora conta com PSL como fonte inspiradora. Confesso que me sinto algo desiludido.
Caro Pedro,
Para seu descanso, não tomo o PSL como fonte inspiradora.
Mas que tem dito umas verdades “inconvenientes”, lá isso tem!
E eu prezo a verdade, venha ela de quem vier.
Estou com saudades das vuvuzelas.
Essa não é uma pequena irritação. É uma irritação enorme.